Último Passe 

2015-11-30
Benfica mantém-se vivo e cria puzzle para Rui Vitória

O Benfica manteve a cabeça à tona de água e adiou as notícias acerca da sua morte para a Liga, ao vencer com clareza em Braga, por 2-0, fruto de dois golos nos primeiros onze minutos de jogo. Durante o que restou da partida, os bracarenses tiveram sempre mais bola, mas nunca foram capazes de transformar essa posse em superioridade futebolística, mostrando que este Benfica se sente muito mais confortável em vantagem, quando pode vestir o fato preferido do seu treinador, o 4x2x3x1. Sem Jonas, o que apresenta um puzzle muito interessante para Rui Vitória resolver nas próximas semanas.

Rui Vitória voltou a abdicar de Jonas, a exemplo do que tinha feito em Alvalade, na Taça, contra o Sporting, e a lançar Gaitán para a zona central, no apoio a Mitroglou, com Pizzi e Gonçalo Guedes nas alas e Renato Sanches a encher o meio-campo de vigor ao lado de Fejsa. Tal como nesse jogo, no seguimento de um lance de perigo do adversário, uma combinação entre Mitroglou e Pizzi – desta vez ao contrário e com alguma sorte no ressalto no corpo do guarda-redes Kritciuk  – deu o primeiro golo ao Benfica, ainda muito cedo. A diferença é que, desta vez, antes que o adversário pudesse reagir, os encarnados chegaram ao segundo, por Lisandro López, na sequência de uma bola parada, condicionando desde logo o resto da partida. Organizado no seu 4x4x2 habitual, o Sp. Braga não só se via em inferioridade numérica a meio-campo – Mauro e Luiz Carlos contra Fejsa, Sanches e Gaitán – como gaguejava bastante na sua primeira fase de organização atacante, fruto da pressão de Sanches fazia sobre a saída de bola. O jogo não teve, por isso, muita história. Mais bola para o Sp. Braga, superioridade territorial também para a equipa da casa, mas um Benfica sempre capaz de criar situações de desequilíbrio quando saía em ataque rápido ou beneficiava do facto de ter mais espaço para atacar, fruto do número reduzido de unidades que metia na frente e, por arrastamento, do número igualmente reduzido de adversários que arrastava para tarefas defensivas.

É verdade que nunca poderemos especular acerca do que seria o jogo se o Benfica não se tivesse visto tão cedo em vantagem – nem isso interessa verdadeiramente, a não ser para se perceber qual é a melhor fórmula para este Benfica. Porque a equipa de Rui Vitória tem sido sempre capaz de se impor em casa no 4x4x2 com Jonas e Jiménez, mas está a dar melhores respostas nos jogos mais exigentes quando se apresenta em 4x2x3x1 com Mitroglou. O puzzle que Rui Vitória terá de resolver tem a ver com a fórmula ideal para jogos de grau de dificuldade intermédio, como as deslocações a equipas de meio da tabela. É aí que o Benfica terá de continuar a mostrar que se mantém vivo na Liga.