Último Passe 

2015-11-30
Um líder que sofre quando apanha os autocarros

O Sporting manteve a vantagem sobre o FC Porto na liderança da Liga ao vencer o Belenenses por um muito sofrido e suado 1-0, graças a um penalti cometido por Tonel e convertido por William Carvalho, já para lá do minuto 90. Ricardo Sá Pinto leu bem o Sporting, fechou o espaço entre linhas no corredor central, encostou o bloco atrás e, sem os erros individuais que lhe tinham causado dissabores noutras rondas, anulou quase por completo o futebol leonino, deixando a equipa de Jorge Jesus à míngua no que respeita a oportunidades de golo. Foi a terceira vitória seguida dos leões por 1-0 na Liga, a segunda com o suspiro de alívio provocado pelo golo a surgir apenas nos últimos instantes.

As dificuldades ofensivas que o Sporting vinha sentindo nos últimos jogos de campeonato quase provocavam a perda de dois pontos contra a defesa que tinha encaixado seis golos na Luz e quatro no Dragão e em Braga. Na primeira parte, com João Mário à direita e Montero perto de Slimani, o líder do campeonato só criou duas situações de perigo: um remate de ressaca de Adrien, que foi bloqueado por um adversário, e uma jogada brilhante de Ruiz, à qual o costa-riquenho quis colocar ele mesmo o ponto final, motivando uma grande defesa a Ventura, quando tinha Slimani em boa posição para marcar. Era pouco para o volume ofensivo habitual do Sporting, sintomático de uma quebra de dinâmica atacante face a uma equipa que fechava bem os espaços.

Foi na procura dessa dinâmica que Jesus recorreu primeiro a Gelson (saiu Adrien e passou João Mário para o meio), depois a Matheus (com saída de Montero e passagem de Ruiz para o meio) e por fim a Tanaka (com sacrifício de Ruiz). Mas o problema do Sporting não se resolvia nem com os aceleradores, provando que esta equipa sofre muito mais quando o adversário joga tão atrás como o fez este Belenenses. Montero esteve perto do golo, Matheus também, mas era pouco para tanta posse. E, ainda que o Belenenses já estivesse a refrescar, com as entradas de Carlos Martins e Tiago Caeiro, provavelmente para tentar explorar o adiantamento do opositor e meter um conta-ataque em campo, já pouca gente acreditava no golo quando Tonel meteu a mão à bola num lance aéreo com Slimani. William fez o golo salvador, Jesus suspirou de alívio, mas é evidente que lhe falta encontrar um antídoto para jogos como este se quer manter a passada na Liga.