Último Passe 

2015-11-29
Casillas redimiu-se e poupou embaraço a Lopetegui

Casillas salvou o FC Porto de um empate que seria ao mesmo tempo embaraçoso e preocupante em termos de Liga. Com a defesa de um penalti de Chamorro, perto do final do jogo com o Tondela, o guarda-redes espanhol permitiu a conquista dos três pontos, mantendo a pressão sobre o Sporting, e mascarou uma exibição pouco conseguida dos portistas, que se valeram de um golo magistral de Brahimi para se imporem por 1-0. Não fizeram um bom jogo, mas levam os três pontos para casa e se Lopetegui deixar de parte os excessos de criatividade podem capitalizar em cima de uma boa ideia de jogo e de um plantel que continua a ser o mais forte de Portugal.

Contestado após a derrota caseira contra o Dynamo Kiev, que veio complicar muito as contas portistas na Champions, Julen Lopetegui já viu o lance decisivo da tribuna, depois de ter sido expulso ainda durante a primeira parte, mas terá tido razões suficientes para agradecer a Casillas o facto de poder respirar melhor até ao jogo com o U. Madeira, na quarta-feira. É que, com nova arrumação tática, num 4x2x3x1 que incluía Bueno atrás do ponta-de-lança, desviava André André do meio para um das alas e abdicava de jogadores fluídos na construção como Rúben Neves ou Imbula, os dragões perderam qualidade atrás e levaram sempre pouco futebol até Aboubakar. O resultado da inclusão do tal “10” que tanta gente vinha pedindo desde o início da época e que Lopetegui sempre recusara (e bem…), preferindo o meio-campo intenso e rotativo, foi um jogo em que o FC Poto tinha mais bola, mais controlo, mas no qual raramente se tornava perigoso, enquanto o Tondela deixava sempre a sensação de que poderia vir a aproveitar o espaço no meio-campo ofensivo para surpreender numa das ocasiões em que metia um contra-ataque.

Para o embaraço final ainda podia ter contribuído a criatividade excessiva do treinador nas substituições. Com os dois centrais amarelados, resolveu tirar Marcano e chamar ao jogo Ruben Neves, recuando Danilo. Nove minutos depois, sacrificou Brahimi, devolveu André André à ala, de onde saíra para permitir a entrada de Tello, recolocou Danilo no meio-campo, chamando Maicon ao jogo. A frio, dois minutos depois de entrar, o novo defesa-central fez um penalti que podia ter tido custos elevados na classificação, não tivesse Casillas defendido o remate de Chamorro. O espanhol, réu no jogo com o Dynamo, pôs o nome nos três pontos. Lopetegui, esse, continua à espera de uma ocasião para se redimir – no fundo, bastar-lhe-ia capitalizar em cima da boa ideia de jogo que soube construir. Mas isso talvez seja demasiado simples.