Último Passe 

2015-08-06
Aquilani é risco financeiro mas não desportivo

Alberto Aquilani sabe tudo o que é preciso saber sobre futebol. É um médio de amplos recursos técnicos, do passe curto ao longo e sobretudo ao remate de fora da área. Maneja bem os ritmos de jogo, algo a que não é estranha a experiência que foi acumulando ao serviço de vários grandes de Itália. Mas - e nestas coisas, quando não se fala de um dos clubes mais ricos da Europa há quase sempre um mas - algo o impediu de se afirmar, por exemplo, no Liverpool. Terá sido isso, alguma falta de continuidade, aliada ao facto de não ter feito golos na última Série A, que o trouxe para Portugal. A questão é perceber até que ponto isso pode ser um problema real para quem nele apostou.

Tal como acerca de Bryan Ruiz, a quem Jesus já não pode esperar ensinar muita coisa sobre futebol, as dúvidas que podem colocar-se acerca da contratação de Aquilani têm muito mais a ver com a resposta que o jogador possa vir a dar no plano físico do que com argumentos técnicos ou táticos. E se por um lado se sabe que a exigência do futebol em Portugal não é tão alta como em Itália ou, sobretudo, em Inglaterra, por outro há uma certeza nas equipas de Jesus: a meio campo só entra quem consiga jogar a 200 à hora. Por isso, se sempre achei a contratação de Kevin Prince Boateng desadequada (o ganês sempre foi pouco mais que um acelerador), a de Aquilani tem menor margem de risco desportivo. É que com Jesus ele só jogará se tiver resolvido a única mancha visível na expectativa acerca do seu rendimento. Se a não resolver, o risco não é desportivo - é financeiro. Custe ele um ou dois milhões por época.