Último Passe 

2015-11-23
Semana chave para o Benfica entre Rui Vitória e os apupos

A contestação de um grupo de adeptos à equipa do Benfica e ao treinador, primeiro no Seixal e depois no aeroporto, é fruto do início de época titubeante e das seis derrotas que os encarnados somam desde Agosto - três delas com o Sporting, o que dói ainda mais por ser a equipa de Jorge Jesus - mas deve ser relativizada. Porque não são assim tantos os adeptos contestatários; porque uma sequência de bons resultados pode mudar tudo e ainda porque Luís Filipe Vieira não tem grande margem de recuo para mudar uma ideia que assumiu contra parte relevante da SAD há cinco meses.
Já se sabe que os grupos de adeptos se movem por impulso. Há os equilibrados, mas também há aqueles que varrem os problemas para debaixo do tapete que é proporcionado pelos erros de arbitragem e entendem que está sempre tudo bem e há os que vêem tudo errado e contestam até quando a equipa ganha títulos. É inquestionável que o novo paradigma do Benfica ainda não está consolidado e que tudo parece andar um pouco à deriva, desde o plano de jogo à política desportiva. O primeiro varia do 4x4x2 em ataque organizado ao 4x2x3x1 com linhas baixas e privilégio às transições. A segunda anuncia cortes e faz apostas na juventude mas conjuga-as com a compra de metade de Jiménez por nove milhões de euros. Só que, também neste caso, num instante tudo muda.
O jogo de quarta-feira, com o Astana, é de enorme importância e nem é por causa da Liga dos Campeões, que acabará por se compor, nem que seja à custa do Atlético Madrid, que certamente não perderá com o Galatasaray em casa. O que está em jogo é, sobretudo, a recuperação psicológica de um grupo que precisa de ganhar o jogo em Braga se quer manter o contacto mais ou menos próximo com os rivais na classificação da Liga portuguesa. Se tudo correr mal, aí sim, haverá problemas. Aí, sim, o pequeno grupo de contestatários vai crescer a ponto de obrigar Vieira a fazer gestão de crise.
A questão é que, aí, o presidente não terá grande margem de manobra (nem vontade) para mudar de treinador. A falta de vontade tem a ver com a personalidade do presidente e já se viu na forma convicta como defendeu a sua opção por manter Jesus após o catastrófico fim de época de 2013: segurou-o e não se arrependeu. A falta de espaço para recuar explica-se com a ausência de uma alternativa de peso, capaz de apagar que Vieira não quis, por exemplo, ir até ao fim no confronto com o Sporting a ponto de apostar em Marco Silva quando os leões contrataram Jesus. É também por isso que Rui Vitória não está a prazo e só sai do Benfica se claudicar e não aguentar a pressão.