Médio seguro no passe e dono de bom remate, foi uma das referências da fileira nórdica que o Benfica explorou no início da década de 90, sendo uma vez campeão e jogando uma final da Taça dos Campeões.
2016-03-20

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1987

Foi uma das referências do período em que o Benfica se virou para a Escandinávia. Ao lado de Schwarz ou Magnusson, Jonas Thern era um jogador carismático, que personalidade de líder, que impunha a calma e a segurança a meio-campo, graças a um sentido prático de passe e à capacidade para ganhar tackles e bolas divididas. Não era rápido, mas alargava a passada e isso permitia-lhe ocupar muito espaço em campo. Além de que chutava bem, como se vê pelos golos que foi obtendo por todo o lado por onde passou.

Natural de Falkoping, na zona sul da Suécia, foi parar à maior potência da região, o Malmö, recomendado por Tord Grip, um bom amigo de Sven Goran Eriksson, que chegou a trabalhar com ele em várias aventuras no estrangeiro. Aos 18 anos, já o jovem Thern vestia a camisola azul do Malmö, treinado pelo inglês Roy Hodgson. Aos 19 já era titular no meio-campo da formação que se sagrou campeã sueca. E com 20 chegou à seleção nacional, estreando-se a 14 de Outubro de 1987, lançado por Olle Nordin num empate a um golo com a RFA, em Gelsenkirschen. A proeminência que foi conseguindo no futebol sueco não passou despercebida ao resto da Europa e, no Inverno de 1987 para 1988, durante a longa pausa na competição sueca, Thern jogou uns meses no Zurich, da Suíça. Regressou à Suécia para ser mais uma vez campeão em 1988, mas já não ficou por lá muito tempo. Quando regressou à Luz, em 1989, Eriksson trouxe-o com ele, tendo o Benfica pago cerca de um milhão de dólares pela transferência.

Thern estreou-se oficialmente com a camisola do Benfica a 26 de Agosto de 1989, jogando os 90 minutos no empate a uma bola que o Benfica arrancou em Guimarães. Duas semanas e meia depois fez o primeiro golo, a abrir o marcador na vitória por 2-1 em Derry, contra o Derry City, na abertura da caminhada que levaria os encarnados à final da Taça dos Campeões Europeus. Logo a seguir, à quarta jornada, a 23 de Setembro, marcou pela primeira vez no campeonato português, ajudando o Benfica a ganhar por 4-1 ao Nacional, nos Barreiros. O primeiro troféu chegou em Novembro, quando a vitória por 2-0 frente ao Belenenses, no Restelo, na segunda mão, garantiu a Supertaça. A caminhada europeia acabou por levar o Benfica a sacrificar o campeonato nacional, que acabou a quatro pontos do FC Porto. E afinal também a Taça dos Campeões se esfumou, com um golo de Rijkaard a valer a vitória ao Milan, no Prater, a 23 de Maio, no que foi o último jogo de Thern pelo Benfica antes de embarcar na aventura do Mundial, onde a Suécia acabou por ser uma das maiores desilusões, perdendo os três jogos disputados.

Seria bem diferente a temporada de 1990/91. Eliminado na Taça UEFA logo à primeira, pela Roma, o Benfica pôde concentrar-se na competição interna, acabando por ganhar o campeonato, com quatro golos de Thern, que porém viu duas lesões roubarem-lhe 14 partidas. Perdeu, por isso, o título de jogador sueco do ano, que tinha ganho em 1989. Mais regular em 1991/92, esteve numa das proezas do passado recente do Benfica, a vitória por 3-1 em Londres, contra o Arsenal, que a 6 de Novembro de 1991 garantiu aos encarnados a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. E se a nível interno os resultados acabaram por ser outra vez infelizes – segundo lugar na Liga, atrás do FC Porto, e eliminação da Taça de Portugal pelo Boavista, na Luz, nas meias-finais – Thern marcou lugar na equipa sueca que chegou às meias-finais do Europeu de 1992, organizado pelo próprio país. Despediu-se do Benfica a 17 de Maio de 1992, num empate caseiro (1-1) com o Salgueiros, antes de jogar o Europeu. Acabou por ser transferido para o Napoli, numa altura em que o Benfica começava a revelar os problemas de tesouraria que culminaram nas rescisões de 1993.

Thern ainda passou cinco anos em Itália, entre o Napoli e a Roma, mas sem ganhar títulos. No Mundial de 1994, capitaneou a equipa da Suécia que chegou às meias-finais do Mundial, mas foi expulso nesse jogo, contra o Brasil, perdendo, por suspensão, o play-off em que os suecos garantiram a terceira posição. Acabou a carreira na Escócia, a jogar pelo Glasgow Rangers, mas uma grave lesão na segunda época fez com que só tivesse feito uma partida em todo o campeonato de 1998/99 e declinasse o convite para renovar. Acabou assim a carreira, aos 32 anos, dedicando-se à tarefa de treinador – que desempenhou no Varnamo e no Halmstads – e, mais tarde, professor numa academia de desporto, bem como a acompanhar a carreira do filho, Simon Thern, também ele já internacional sueco.