Fez mais de 250 jogos com a camisola do Sp. Braga na I Divisão, que o transformam numa das referências do período de estabilização do clube, no final da década de 70.
2016-03-15

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1976

Catorze épocas com a camisola do Sp. Braga vestida, a juntar a mais algumas nos escalões de formação, fazem de Artur uma das figuras incontornáveis da história do clube minhoto. Este defesa lateral de vocação ofensiva mas sem queda para o golo esteve nos momentos fulcrais do regresso dos bracarenses ao topo do futebol nacional: na subida de divisão de 1975, nas finais da Taça de Portugal de 1977 e 1982, na estreia europeia e na consolidação do clube enquanto um dos mais fiáveis no panorama do futebol nacional. Despediu-se aos 32 anos, para acabar a carreira em Espinho, com Quinito, muito provavelmente o treinador que mais tirou dele nas diferentes ocasiões em que se cruzaram.

Artur entrou no Sp. Braga com 14 anos, para jogar nos iniciados. Chegou à equipa principal ainda com idade de júnior e era mesmo titular da posição de lateral direito com Hilário, o treinador que em 1974/75 trouxe o Sp. Braga de volta à I Divisão. À chegada ao escalão principal, porém, o novo treinador, o igualmente “magriço” José Carlos, fez confiança em Mendes, um lateral mais velho que chegara do Salgueiros. Artur estreou-se na I Divisão como suplente utilizado, a 21 de Setembro de 1975, entrando para o lugar de Marques a 15 minutos do final do dérbi minhoto, com a ideia em segurar a vantagem de 2-1 conseguida pelos bracarenses no Municipal de Guimarães. Conseguiu-o e o Sp. Braga isolou-se no comando da tabela, com um ponto de avanço sobre Benfica e FC Porto, o que era extraordinário para quem acabava de chegar da II Divisão. A estreia como titular, Artur fê-la a 12 de Outubro de 1975, em Braga, num empate a três golos com o U. Tomar. Ao todo, Artur marcou presença em 12 partidas desse campeonato, incluindo os empates com o Benfica e o FC Porto, ambos a zero, ajudando a consolidar a sétima posição final.

Na nova época, com Mário Lino, regressou como suplente de Mendes, só lhe ganhando o lugar na passagem de ano. A 2 de Janeiro de 1977, num empate em casa com o Estoril, já foi titular, e até final da época manteve o lugar, só parando quando a ideia era rodar a equipa para lhe permitir aparecer melhor naquela que foi a grande prioridade da temporada: a Taça de Portugal. Além das 17 presenças na Liga, Artur foi titular a partir da terceira eliminatória da Taça, contribuindo mesmo com um golo (raro nele), num remate de longe, a ajudar na vitória sobre o Gil Vicente, no jogo de desempate das meias-finais, que os bracarenses ganharam por 4-1. Na final, jogada a 17 de Maio no Estádio das Antas, foi o lateral direito escolhido por Mário Lino, mas não impediu a derrota por 1-0 contra o FC Porto, fruto de um golo de Gomes. Ainda assim, com a entrada na nova época, o argentino Mario Imbelloni, que chegou para dirigir a equipa, voltou a preferir Mendes, a ponto de Artur só ter feito 30 minutos, divididos por três jogos, na primeira volta desse campeonato. Tal como na época anterior, porém, ganhou o lugar na segunda metade da prova: titular pela primeira vez à 17ª jornada, um empate na Pousada de Saramagos com o Rioplele, esteve na vitória (2-0) sobre o Sporting a 26 de Fevereiro e em todas as partidas que, daí até final, levaram à quarta posição final no campeonato. E alinhou nas sete partidas que levaram o Sp. Braga às meias-finais da Taça de Portugal, aventura terminada com uma derrota frente ao FC Porto, nas Antas, por esclarecedores 4-1.

Após o Verão de 1978, já não havia dúvidas. Fernando Caiado fez de Artur uma das pedras base da equipa que repetiu o quarto lugar no campeonato, que se estreou na Taça UEFA e que voltou a chegar às meias-finais da Taça de Portugal, desta vez perdendo o acesso à final em casa, contra o Boavista (0-1). Artur jogou todas as partidas da época: foi totalista na Liga, fez os seis jogos da Taça (voltou a marcar ao Gil Vicente, desta vez nos quartos-de-final, depois de ter feito um autogolo contra o Benfica, nos oitavos) e esteve no onze nas quatro partidas da UEFA, incluindo a estreia, um 5-0 ao Hibernians, a 13 de Setembro de 1978. Em Novembro de 1978 chegou mesmo a vestir a camisola da seleção B de Portugal, numa derrota por 1-0 frente à Áustria em Linz. O nome do lateral começava a ser falado para mais altos voos: dizia-se que podia ir para o FC Porto, mencionava-se a hipótese de rumar a Sevilha, para jogar no Betis… Artur, no entanto, acabou por ficar em Braga, obtendo a sua única internacionalização pela equipa A a 26 de Setembro de 1979, lançado por Mário Wilson em vez de Carlos Alhinho, no decurso de um empate com a Espanha (1-1), em Vigo. Uma lesão grave, em Outubro de 1979, porém, fê-lo recuar na hierarquia e roubou-lhe mais de três meses de uma época que ficou marcada pela queda dos bracarenses do quarto lugar que tinham ocupado em 1978 e 1979 para o nono em que terminaram 1979/80.

A carreira de Artur seguia então em velocidade de cruzeiro. Só falhou dois dos 30 jogos no sexto lugar do Sp. Braga em 1980/81 e três dos 30 no sétimo lugar com Quinito em 1981/82. Nesta época voltou à final da Taça de Portugal, perdida para o Sporting, no Jamor, por 4-0, na tarde que ficou célebre porque o treinador bracarense se apresentou de “smoking”. Artur já tinha estado na vitória sobre o Benfica, nas meia-finais, um 2-1 em Braga com dois golos de Fontes que soube como se tivesse ganho uma Taça. E como o Sporting foi também campeão nacional, a presença no Jamor valeu o regresso às competições europeias em 1982/83, ainda que apenas para uma frustrante eliminação por parte dos galeses do Swansea, na pré-eliminatória da Taça das Taças. Essa foi, de qualquer modo, mais uma época regular e super-preenchida para o lateral bracarense, que esteve em 37 dos 39 jogos oficiais que a equipa fez, incluindo as duas partidas da Supertaça, perdida contra o Sporting em Novembro e Dezembro. Com o retorno de Quinito do Médio Oriente, em 1983/84, Artur voltou a ser totalista no regresso do Sp. Braga ao quarto lugar, vendo ainda assim o primeiro vermelho de toda a sua carreira de I Divisão: foi a 15 de Janeiro de 1984, mostrado por Ezequiel Feijão a 11 minutos do final de um empate em Portimão (1-1). Pelo primeiro golo na I Divisão teve de esperar mais algum tempo, pois só o marcou a 30 de Setembro de 1984, numa vitória dos bracarenses sobre a Académica (2-0).

A época de 1984/85 marcou-lhe a amarga despedida europeia, num 0-6 contra o poderoso Tottenham, a 6 de Outubro de 1984. Ao todo, Artur ainda fez oito jogos, entre Taça UEFA e Taça das Taças. Com a saída de Quinito, em 1985, somada à sua entrada na casa dos 30 anos, o lateral foi perdendo influência. Ainda começou a época de 1985/86 como titular, mas a partir de finais de Outubro o lugar passou a pertencer a Toni. Passou ano e meio como segunda escolha em Braga, até corresponder ao convite do Sp. Espinho, cujo treinador era Quinito. Em Espinho ainda ajudou ao surpreendente sexto lugar dos tigres, em 1987/88, despedindo-se da I Divisão contra o mesmo adversário que lhe tinha marcado a estreia: o V. Guimarães, eterno rival de um bracarense que se preze. A 30 de Abril de 1988, Artur puxava a cortina sobre uma longa carreira na qual se tornou um dos mais fiáveis e regulares defesas-laterais da sua geração, entrando para o lugar de Vitorino a dez minutos do fim de uma vitória no Municipal de Guimarães (1-0), outra vez com o intuito de ajudar a segurá-la. Mais uma vez com sucesso. Só que desta vez, o que tinha à frente era uma carreira de treinador, primeiro a meias com o amigo e colega Carlos Garcia, depois como responsável principal de vários clubes minhotos nos escalões secundários.