Durante cinco épocas, foi fixo na defesa da Académica. Antes de fazer 25 anos, despediu-se para não mais voltar à I Divisão, na qual mesmo assim quase chegou à centena de partidas.
2016-03-14

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1946

Jogava à defesa, este beirão que foi de Tondela estudar para Coimbra e por isso mesmo vestiu a camisola da Académica. Mesmo assim, logo na primeira vez que o fez, marcou um golo. Mal sabia ele que aquele havia de ser o único que celebraria em nome próprio numa carreira de seis épocas na Académica. Uma carreira prematuramente interrompida aos 24 anos, possivelmente porque, acabados os estudos, havia que dar um novo rumo à vida.

Brás chegou à equipa da Académica a 10 de Dezembro de 1944, com apenas 19 anos. O treinador, Manuel Veloso, confiou nele para a viagem a Guimarães, depois de duas derrotas claras nos dois primeiros jogos (8-4 com o Olhanense e 6-1 com o Benfica). Pô-lo a extremo esquerdo e o miúdo respondeu com um golo em mais uma derrota dos estudantes, desta vez por 4-1. O treinador caiu, foi substituído por Albano Paulo, mas Brás manteve o lugar na equipa para o empate com o Estoril (2-2) e a derrota pela margem mínima face ao V. Setúbal (1-2). Assim que Lemos e Naná estiveram ambos em condições de jogar, porém, voltou a ser remetido à reserva, da qual só sairia mais uma vez, e para jogar no lugar que acabaria por ser o dele: à esquerda da defesa.

Em 1945/46, época em que a Académica foi antepenúltima num campeonato entretanto alargado de 10 para doze participantes, Brás já foi aposta regular, falhando apenas duas das 20 partidas que a equipa fez, ambas logo nos inícios da temporada, que então se fazia em Dezembro. Esteve, por exemplo, nos dois empates ante o Sporting com que os estudantes encerraram a temporada: 5-5 na última jornada do campeonato e 3-3 nos oitavos-de-final da Taça de Portugal, partida que os leões resolveram depois com três golos no prolongamento depois da saída de Bentes, lesionado, ter deixado a equipa de Coimbra reduzida a dez unidades. A regularidade voltou a ser a principal arma de Brás em 1946/47: outra vez apenas duas ausências no 11º lugar que garantiu a manutenção à Académica numa I Divisão entretanto alargada a 14 participantes. E em 1947/48 foi mesmo o único totalista na equipa, passando incólume a duas mudanças de treinador (de Micael para Armando Sampaio e depois para Tavares da Silva). Brás esteve nos 26 jogos da Liga e nas duas da Taça da Portugal, mas a 14ª posição da equipa de Coimbra no campeonato significou a despromoção e um ano na II Divisão.

O título de campeão nacional da II Divisão, fruto do primeiro lugar na Zona Norte e da vitória por 2-1 frente ao Portimonense (vencedor a Sul) na final, jogada em Alvalade, acabou por ser o único que Brás conquistou enquanto andou no futebol. No regresso à I Divisão, em Outubro de 1949, estava entre os onze que o húngaro Deszo Gencsi escalou para a visita à Covilhã, que acabou empara a duas bolas. A Académica passou boa parte dessa temporada nos primeiros lugares: era terceira à 15ª ronda, em finais de Janeiro, mas oito jogos seguidos sem ganhar, a partir daí, atiraram a equipa para o meio da tabela. Brás despediu-se a meio do percurso, atuando pela última vez a 26 de Fevereiro de 1950, num empate a três golos frente ao Olhanense, no Lumiar, por interdição do campo dos algarvios. Ainda não tinha 25 anos, mas aquela foi a última vez que representou a Académica.