Um hat-trick no Atlético levou-o ao Sporting, mas foi no Farense que Portela se tornou conhecido dos adeptos de futebol. Lateral consistente, jogou ainda no Campomaiorense antes de se dedicar ao futebol de formação como treinador.
2016-03-12

1 de 8
1989

A história de Portela começa a escrever-se tarde, tendo em conta a fiabilidade que este lateral veio a demonstrar nas épocas que passou na I Divisão. Quem acompanhava os escalões secundários já tinha ouvido falar dele, um lateral que por vezes atuava como médio e que dava o litro nos jogos do Atlético. Mas foi por um acaso que os observadores do Sporting se fixaram nele, aos 22 anos, numa tarde de Novembro de 1987. O Atlético de Fernando Peres, ex-glória leonina, jogava o desempate da terceira eliminatória da Taça de Portugal contra o Académico de Viseu, onde jogavam o central Leal e o avançado João Luís, nos quais os leões estavam interessados. O jogo era ao pé de casa e os leões aproveitaram para vê-los, mas quem partiu a loiça toda foi Portela. A jogar como médio, abriu o marcador na primeira parte; João Luís empatou para os beirões, forçando o prolongamento, no qual Portela fez mais dois tentos, o segundo de grande penalidade. João Luís ainda reduziu, mas o Atlético seguiu em frente. E Portela juntou-se a Leal e João Luís como aquisição leonina para a época seguinte.

Antigo iniciado do Ericeirense, juvenil do Império e júnior do Atlético, Portela chegou a Alvalade como uma das unhas menos sonantes do leão de Jorge Gonçalves, para integrar a equipa à disposição de Pedro Rocha. E, na verdade, o treinador uruguaio poucas chances lhe deu. Vestiu pela primeira vez a camisola leonina num jogo oficial a 1 de Novembro, jogando como lateral direito nos 5-0 ao Almacilense, na Taça de Portugal. Repetiu a titularidade nos 11-0 ao Alhandra, em vésperas de Natal, mas a estreia no campeonato só a fez a 4 de Fevereiro de 1989, entrando a 9 minutos do fim para o lugar do brasileiro Ricardo Rocha, num 4-0 ao Nacional. A derrota em Setúbal, três dias depois, levou à demissão do treinador, que foi substituído por Vítor Damas e depois por Manuel José, levando a que Portela aparecesse com mais frequência. Foi titular pela primeira vez na Liga a 15 de Abril, num empate (1-1) frente ao Marítimo, nos Barreiros, e ainda jogou de início, ainda que como defesa-esquerdo, nos clássicos contra o Benfica (0-2) e o FC Porto (0-3), já perto do final da temporada. Seja como for, ganhou um lugar no plantel da época seguinte. Só que esta correu-lhe pior do ponto de vista individual: só fez um jogo, a vitória por 2-0 frente ao V. Setúbal, em Alvalade, a 20 de Maio de 1990, seguindo após as férias para o Farense.

No Algarve, com Paco Fortes, Portela teve finalmente continuidade e impôs-se como um lateral forte na marcação e capaz de fazer todo o corredor, até de atacar com a-propósito. Apesar da expulsão logo à segunda jornada, no empate em Aveiro com o Beira Mar, regressou à equipa após a correspondente suspensão, em finais de Setembro, para dela não sair mais. A 23 de Fevereiro de 1991, em Famalicão, estreou-se a marcar no campeonato – e logo com um bis, convertendo dois penaltis que permitiram ao Farense ganhar por 3-2, com um jogador a menos. Veio a marcar mais dois golos nesse campeonato, todos de penalti, e a participar na vitória (1-0) sobre o Sporting, em Alvalade, a 28 de Abril de 1991. O 11º lugar final foi melhorado em 1991/92, época que os algarvios acabaram na sexta posição, com mais dois golos (e apenas uma ausência) de Portela. Aliás, só na quinta época em Faro Portela foi menos utilizado: foi totalista – e fez mais cinco golos, quatro dos quais de penalti – no sexto lugar de 1992/93 e falhou apenas três jogos na oitava posição de 1993/94.

Despediu-se do Farense com uma vitória por 2-0 frente ao E. Amadora, a 28 de Maio de 1995, sentenciando o quinto lugar e a qualificação da equipa algarvia para as provas europeias. Ele, porém, acabou por já não estar presente para aproveitar essa nova época, pois no Verão de 1995 transferiu-se para o Campomaiorense. Titular no início complicado com Manuel Fernandes – os alentejanos eram últimos destacados à 11ª jornada, quando uma derrota em Felgueiras ditou a saída do treinador e a sua substituição por Diamantino Miranda – foi perdendo importância na equipa à medida que a época se aproximava do fim, sofrendo a concorrência do jovem Nuno Luís. Despediu-se da I Divisão a 5 de Maio de 1996, com uma vitória por 2-0 frente ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro, que mantinha a esperança na salvação, mas nem a vitória frente ao Tirsense, no último dia, com ele no banco, impediu a descida do Campomaiorense, pois o Chaves e o Felgueiras também venceram e o Leça empatou com o Sporting. Portela ainda ficou na equipa que se sagrou, na época seguinte, campeã nacional da II Divisão de Honra, mas escolheu o momento do regresso à divisão principal para pendurar as chuteiras, passando a ocupar-se da equipa de juniores dos alentejanos. Iniciava aí uma carreira de treinador, que o levou a dirigir interinamente o Farense na I Divisão, em Janeiro de 2000, mas em que o futebol de formação tem sido a principal aposta, como se prova pela longa permanência na Associação Desportiva Geração de Génios, clube algarvio dedicado aos escalões jovens de que é coordenador técnico.