Chegou cedo à baliza do FC Porto, mas acabou por ficar na sombra de Barrigana e Américo e teve de fazer pela vida noutras paragens. Oriental e V. Setúbal aproveitaram.
2016-03-09

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1950

Titular na baliza do FC Porto com 20 anos, viu o serviço militar interromper-lhe a ascensão mas nem por isso se saiu mal, fazendo uma época extraordinária no Oriental. O pior foi o regresso às origens: três anos à sombra de Barrigana custaram a Graça a carreira e nem um par de épocas ativo em Setúbal o recuperou para aquilo que podia ter sido: um dos melhores guarda-redes da sua geração. Com 27 anos, desapareceu do radar.

Natural da Póvoa de Varzim, Graça começou a destacar-se nas redes do GD Póvoa e foi recrutado pelo FC Porto. Ali passou um ano na reserva, até ser chamado por Augusto Silva para ocupar a vaga de Barrigana no início do campeonato de 1949/50. Estreou-se a 9 de Outubro de 1949, com 20 anos, numa vitória dos azuis e brancos sobre O Elvas, por 1-0 e, mesmo tendo sido na semana seguinte substituído pelo veterano Valongo, voltou à terceira jornada, sendo ele a jogar em onze das 13 jornadas em que a equipa não teve Barrigana, incluindo uma vitória sobre o Sporting, por 2-1. Mas também uma escandalosa derrota em Braga, por 6-0.

O regresso de Barrigana levou a que Graça retornasse à reserva. Mas não por muito tempo. Colocado a sul no serviço militar, assinou pelo Oriental, ali se tornando uma das armas que levaram a equipa ao quinto lugar na Liga. Alberto Augusto fez dele titular e ele respondeu com vários zeros, como o 0-0 com o Sporting em casa ou com o Belenenses fora, mas também com vitórias que se revelaram importantes, frente ao Belenenses (3-1) ou ao seu FC Porto (2-1). Não espantou, por isso, que o chamassem para regressar ao Porto. Só que em três anos, tudo o que Graça fez foi jogar nas reservas, não lhe sendo dado um único minuto de jogo pela equipa principal, onde além de Barrigana começava a aparecer ouro miúdo: Américo.

A Graça não restou mais do que procurar oportunidades noutros clubes. Em 1954, com 25 anos, seguiu para o V. Setúbal, onde começou com estatuto de titular. Fez as primeiras 12 jornadas de 1954/55, perdendo as redes após seis jogos seguidos sem ganhar. Recuperou a baliza em Janeiro de 1956, para uma ponta final de época que viu o Vitória acabar a Liga em nono lugar. Despediu-se da I Divisão a 22 de Abril de 1956, com uma derrota por 5-1 contra o Benfica (póquer de Águas). Ainda ficou pelo Vitória, mas também ali emergia um miúdo que tomou conta das redes – Mourinho. E Graça desapareceu dos registos, tendo provavelmente continuado a carreira em equipas de segundo escalão.