Formou uma dupla maravilha com Pauleta no Estoril de 1995/96, mas nunca chegou ao nível do seu parceiro daquele ataque. É ídolo em Stockport, mas em Portugal só teve continuidade como defesa-direito, no Farense.
2016-03-01

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1993

Foi motivo de muito falatório em meados da década de 90, quando formou com Pauleta uma dupla demolidora na linha atacante do Estoril, que jogava para não descer na II Divisão de Honra. No final de uma época super-produtiva para os dois, Pauleta seguiu para Espanha, Cavaco para Inglaterra. O açoriano superou Eusébio no total de golos da seleção nacional, o almadense acabou a jogar como defesa lateral em equipas de segundo plano, depois de falhar a carruagem do Boavista, a única que podia tê-lo levado a outros patamares.

Cavaco nasceu em Almada e antes de ter idade de sénior já dava uma ajuda à equipa local, que andava perdida na III Divisão. Os muitos golos que marcou entre o Almada e o Silves, para onde se mudou aos 20 anos, chamaram a atenção do Estrela da Amadora, onde João Alves era treinador e grande descobridor de talentos. Na Reboleira, porém, nem ao banco foi, acabando cedido ao Casa Pia, da II Divisão B. Um ano depois estava no Estoril, onde Carlos Manuel tirou o melhor dele e de Pauleta, jovem avançado um ano mais novo que chegava do União Micaelense, da III Divisão. Entre os dois fizeram 30 golos num campeonato que nem correu muito bem aos canarinhos (12º lugar). Os 18 golos de Pauleta chegaram-lhe para assinar pelo Salamanca, da II Liga espanhola; os 12 de Cavaco levaram-no ao Stockport, que jogava no terceiro escalão de Inglaterra (a II Division). Contribuiu com cinco golos para a melhor época da história do clube, que levou à subida de escalão e a uma meia-final da Taça da Liga, deixando pelo caminho três equipas da Premier League (Blackburn Rovers, Southampton e West Ham). Na League One, contudo, já não teve a mesma continuidade e acabou por regressar a Portugal de forma mais discreta do que teria sonhado.

Conseguiu, ainda assim, assinar pelo Boavista, que Jaime Pacheco estava a começar a transformar na equipa que viria a ser campeã nacional dois anos depois. A primeira grande oportunidade, porém, não passou disso mesmo: durante uma época, Cavaco só jogou 31 minutos, entrando para o lugar de Mário Silva quando o treinador quis virar a partida em casa frente ao Marítimo, na última jornada, a 30 de Maio de 1999. O Boavista ainda fez um golo, mas sofreu outro, acabando por perder por 1-2. E Cavaco acabou dispensado, assinando pelo Farense, onde João Alves voltou a acreditar nele. A estreia com a camisola branca, porém, foi abrupta e interrompida demasiado depressa: a 27 de Agosto de 1999, entrou como extremo direito numa deslocação a Guimarães, mas aos 24 minutos lesionou-se e foi substituído por Hajry. Voltou a jogar em meados de Novembro, marcando um golo na vitória por 3-1 sobre o Belenenses, na Taça de Portugal, mas só a partir de finais de Fevereiro, com a chegada do treinador espanhol Ismael Díaz, se tornou titular. E como defesa-direito, posição que ocupou na caminhada que levou os algarvios a escapar da zona de descida até ao 14º lugar final.

Na época seguinte, Manuel Balela continuou a contar com ele, mas uma lesão nas Aves, em finais de Setembro, tirou-o da equipa por três meses e fê-lo perder o comboio da titularidade. Foi somando partidas como suplente utilizado, condição na qual marcou o seu primeiro golo na I Divisão, a 20 de Maio, numa vitória em casa frente ao Sp. Braga (1-0). Chegou então a Faro Alberto Pazos, que o devolveu à posição de extremo-direito. E Cavaco respondeu com um golo logo na primeira jornada, a consolidar a vitória frente ao Salgueiros (2-0), em Vidal Pinheiro. Mal sabia ele que seria o último que faria na Liga, a 12 de Agosto de 2001. A época foi particularmente negativa para o Farense, que nem com o regresso de Paco Fortes para dirigir a equipa evitou a despromoção. Com o regresso do espanhol, Cavaco voltou a ser defesa-direito, posição na qual se despediu da Liga a 28 de Abril de 2002, com 30 anos, com uma derrota em Leiria (1-4). Até final da carreira ainda desceu mais uma vez – no Felgueiras, em 2002/03, nem os dez golos que fez a assinalar o regresso aos lugares de avançado evitaram a descida da II Divisão de Honra à II Divisão B – encerrando a carreira após três épocas no Portimonense, sempre a batalhar para ficar no segundo escalão.