Chegou a Braga com um título de campeão carioca ainda a luzir no palmarés e foi decisivo na fuga dos bracarenses à despromoção. Esteve cinco anos e meio no 1º de Maio, mais um no Tirsense e despediu-se com duas subidas de divisão, por Chaves e Leça.
2016-02-29

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1986

Vinicius não era um avançado poderoso, daqueles que impõem o físico na área. Era até meio franzino, mas compensava essa aparente fragilidade com uma técnica que se aprende melhor nos campos cariocas e uma capacidade de luta que nem todos os brasileiros mostram, sobretudo quando chegam ao frio europeu. Este chegou ao Sp. Braga em pleno Inverno minhoto de 1986/87, com o título de segundo melhor marcador do Flamengo no ano anterior, apenas atrás de Bebeto. E aterrou numa equipa que era antepenúltima na Liga portuguesa, com a luta para evitar a despromoção pela frente. Arregaçou as mangas e deu o seu contributo, sob a forma de golos. Frequentes e decisivos, logo desde os primeiros momentos.

Carioca de Três Rios, Vinicius chegou à equipa principal do Flamengo em Maio de 1985, com 21 anos. A ocasião era um jogo particular em Cabo Frio, contra a Cabofriense, e o estreante entrou para o lugar de Adílio a tempo de fazer o quarto golo de uma vitória por 4-1. Quinze dias depois, em inícios de Junho, noutro amigável, contra uma seleção de São Lourenço (Minas), foi titular e fez mais um golo. E mais um contra o Operário, em Cuiabá. Teve lugar numa digressão do Flamengo ao México e pôde participar na festa montada para assinalar o regresso de Zico ao Flamengo, em pleno Maracanã. Estava lançado. A 21 de Julho veio o primeiro jogo no campeonato brasileiro, entrando para o lugar de Chiquinho (esse, que depois jogou no Benfica) num empate com o Ceará (2-2), no Maracanã. Só em 1986 se confirmou, porém. Campeão carioca, ao terceiro jogo contra o Vasco da Gama (foi titular e até viu um amarelo por uma rixa com Paulo Roberto), acabou o ano como segundo melhor marcador do Flamengo, com 17 golos, apenas batido por Bebeto, tendo brilhado a grande altura na digressão que o rubro-negro fez a Espanha em Agosto, com dois bis ao Atlético Madrid e ao Valencia. No final do ano, porém, Sebastião Lazaroni passou a preferir o possante Kita, abrindo caminho à saída de Vinicius para o exterior.

O atacante chegou a Braga em inícios de 1987 e encontrou a equipa em antepenúltimo lugar da tabela. O objetivo era claro: alcançar a manutenção. Manuel José lançou-o nos últimos 13 minutos de uma partida contra a Académica, em Coimbra, a 22 de Fevereiro de 1987, mas o brasileiro não foi capaz de desfazer o 0-0. A 1 de Março, dia em que, por ter nascido a 29 de Fevereiro, num ano bissexto, comemorava o 23º aniversário, foi titular pela primeira vez e fez o primeiro golo com a camisola bracarense, ajudando numa vitória por 3-0 sobre o Portimonense. E depois de três jogos em branco, contra Sporting, Boavista e FC Porto, o carioca marcou nas últimas cinco jornadas, a Varzim, Marítimo, Farense, O Elvas e Benfica, assegurando na última jornada o ponto que garantiu a manutenção na I Divisão. Com sete golos, ainda conseguiu ser o melhor marcador da equipa, feito que repetiu nas duas épocas seguintes: oito golos em 1987/88 em mais um 11º lugar do Sp. Braga e seis em 1988/89, num excelente sexto lugar com Vítor Manuel aos comandos da equipa.

Seria sol de pouca dura, no entanto. As aflições para evitar a descida de divisão voltaram em 1989/90, temporada na qual Vinicius sofreu duas lesões que lhe prejudicaram os números. Uma delas aconteceu em Abril, depois de bisar em 20 minutos num 3-0 ao Marítimo, e tirou-o das escolhas de Vítor Manuel por quatro semanas, nas quais os bracarenses não voltaram a vencer. Ao todo, Vinicius passou cinco anos e meio no Sp. Braga. Na última época já só fez um jogo completo, sinal de que era altura de procurar outras paragens. Assinou pelo Tirsense de Rodolfo Reis, fazendo o mesmo trajeto de João Mário e Carvalhal, seus colegas em Braga que também baixaram um patamar. E apesar dos cinco golos que fez – dois deles na penúltima jornada, a 30 de Maio de 1993, num 2-0 ao Sp. Espinho que tirou os “jesuítas” da zona de despromoção – não evitou a descida de divisão, consumada já sem ele em campo. O Tirsense jogava em Faro, a 6 de Junho, contra um Farense já tranquilo, e de acordo com os outros resultados bastava-lhe empatar. Com 0-0 no marcador, a 10 minutos do fim, Vinicius deu o lugar a outro avançado, o paraguaio Amâncio. Sete minutos depois, Hugo fez o golo do Farense, que condenou o Tirsense. No último minuto, Vinha ainda deu o empate ao Salgueiros em Espinho, mas tudo o que isso fez foi tirar os salgueiristas da zona de descida, atirando para lá os espinhenses. O Tirsense, esse, já não se salvou.

Vinicius passou então dois anos na II Divisão de Honra, ajudando o Chaves de António Jesus a subir em 1994 (oito golos no campeonato) e o Leça de Joaquim Teixeira a regressar ao convívio dos grandes (dois golos em apenas quatro jogos) em 1995. Nessa altura, aos 31 anos, regressou ao Brasil, onde ainda jogou do Democrata de Valadares e no Ypiranga, passando ainda um ano na Bolívia, com a camisola do Bolívar. Vive atualmente no Rio de Janeiro, onde a sua única ligação ao futebol é o envolvimento com a Escolinha Leo Moura, da sua cidade natal de Três Rios.