Mota chegou tarde à I Divisão, mas tem o nome ligado à história do Paços de Ferreira. Porque esteve como jogador na primeira subida dos pacenses e foi depois o treinador das outras duas.
2016-02-25

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1991

Mota, ou José Mota, como ficou conhecido depois de enveredar pela carreira de treinador, chegou tarde à I Divisão. Já tinha 27 anos e o cabelo começava a faltar-lhe, o que somado à braçadeira de capitão e ao papel de referência da equipa que assumia sempre com responsabilidade acrescida até fazia com que parecesse mais velho. Carregava com ele o espírito de sacrifício das gentes de Lordelo, onde nasceu, bem perto do Estádio da Mata Real, onde jogava o Paços de Ferreira. E juntava-lhe o espírito de sacrifício de quem tinha passado cinco anos nos distritais, a defender as cores do clube da terra. Estar ali, entre os melhores, era um sonho, que o lateral espreitara enquanto foi júnior do FC Porto mas do qual já se desenganara.

Depois dos inícios no Aliados de Lordelo, Mota aproveitou a boleia de Jaime Pacheco, que era seis anos mais velho e já chegara à titularidade no FC Porto de Pedroto. Passou dois anos nos juniores azuis e brancos, foi duas vezes campeão nacional, na ponta final do trajeto já com o contributo de mais um lordelense, este um ano e meio mais novo: Rui Barros. Dos três, porém, Mota foi o único que não chegou a jogar pelo FC Porto nos seniores. Acabada a formação, voltou para casa e começou a jogar, como amador, no Aliados de Lordelo, que nessa altura estava no distrital do Porto. E ali as dificuldades imperavam: a equipa chegou mesmo a descer ao segundo escalão regional em 1984, voltando a subir em 1985. A regularidade que ia demonstrando nos Aliados levou a que chegasse, em 1987, ao plantel do Paços de Ferreira comandado por Fernando Duarte. Mas foi quando à Mata Real chegou Vítor Oliveira, a meio da temporada de 1988/89, que as coisas mudaram. Para o clube e, por inerência, para Mota.

Oitavo classificado em 1989, o Paços já lutou pela subida na época seguinte, que terminou na quarta posição da Zona Norte, alcançando assim uma vaga na II Divisão de Honra, que nessa altura foi criada. E em 1990/91, com Mota a alinhar em 37 das 38 partidas, marcando dois golos, sagrou-se mesmo campeão do segundo escalão, assegurando a promoção à I Divisão. A festa da subida foi feita em Águeda, com uma vitória por 1-0, na antepenúltima jornada. Um semana depois, ganhando em casa ao Varzim, por 2-1, o Paços garantia também o título de campeão. Mota não alinhou na primeira jornada da época seguinte, na qual o Paços apareceu com o filho da terra, Jaime Pacheco, como reforço de luxo, mas estreou-se no campeonato logo a seguir, a 24 de Agosto de 1991, numa derrota por 1-0 nos Barreiros, frente ao Marítimo. E na primeira época ainda participou, como lateral-esquerdo, na histórica vitória frente ao Sporting: 1-0 na Mata Real, a 29 de Dezembro, permitindo ao Paços deixar a última posição da tabela e encetar uma recuperação que levou a equipa ao 12º lugar final.

Mota nunca foi muito de fazer golos, mas ainda assim marcou dois nas três épocas que passou na I Divisão. O primeiro em Chaves, a 14 de Fevereiro de 1993, valeu uma vitória por 2-1, de virada, a dar início a uma recuperação que levou o Paços da 17ª à 10ª posição final. O segundo, e último, a 17 de Outubro do mesmo ano, aconteceu em Aveiro, e também valeu uma vitória por 1-0 face ao Beira Mar. Em 1993/94, porém, apesar do início promissor, que incluiu um empate a zero com o FC Porto nas Antas, o Paços de Ferreira acabou por descer. Mota, que se despediu da I Divisão a 22 de Maio de 1994, com um empate a uma bola frente ao V. Setúbal, ainda passou duas épocas na II Divisão de Honra, mas aos 32 anos aceitou o convite para fazer parte da equipa técnica de José Alberto Torres. Trabalhou com mais treinadores, mas só com ele como treinador principal o Paços voltou a subir ao primeiro escalão. Aliás, Mota esteve nas três subidas dos pacenses à I Divisão: em 1991 como jogador, em 2000 e 2005 como treinador. A subida de 1999/00 foi épica: Mota substituiu Henrique Calisto à 20ª jornada, com o Paços de Ferreira em 11º lugar, mas ainda foi a tempo de levar a equipa a sagrar-se campeã. E esta foi apenas a primeira proeza de uma carreira de treinador que já o viu obter dois sextos lugares, com o Paços de Ferreira em 2003 e o Leixões em 2009, época na qual chegou a liderar a Liga à 10ª jornada.