Sciascia andou com grandes jogadores na super-equipa do Standard de Liège que foi bicampeã belga e chegou a uma final da Taça das Taças. Jogou depois na Académica, de onde saiu para Itália.
2016-02-23

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1980

Roberto Sciascia foi sempre um aventureiro. A aventura do futebol começou para ele quando a família emigrou de Itália para a Bélgica. Assentou em Liège e começou a jogar futebol no Standard, tendo ao mesmo tempo a sorte e o azar de apanhar a super-geração de jogadores que elevou o nome do clube bem alto na Europa. A sorte, porque pôde conviver com eles e chegar longe, tanto nacional como internacionalmente. O azar porque a qualidade era tanta que nunca conseguiu impor-se naquela equipa de Raymond Goethals, que tinha Preud’homme, Tahamata, Haan, Gerets ou Meeuws. Foi assim que acabou por aparecer em Portugal, para jogar na Académica, na sua última aventura no futebol profissional de alto rendimento.

Nascido em Milão, Sciascia desenvolveu-se nas camadas jovens do Standard. Em 1979, subiu aos seniores com outro italo-belga, Marco Bonomi, onde ainda jogava o português Luís Norton de Matos. “Lembro-me dele. Era um miúdo bem disposto, sempre brincalhão. Mas não jogava muitas vezes”, recorda o agora treinador do U. Madeira. Ainda assim, Sciascia foi ficando no grupo do Standard, com o qual viveu a conquista da Taça da Bélgica de 1981. Ernst Happel não o fez jogar na final, ganha por 4-0 ao Lokeren, mas essa vitória fez com que Sciascia pudesse alinhar pela primeira vez em Portugal: a 17 de Março de 1982, pisou o relvado do Estádio das Antas, nos últimos 11 minutos de um empate a duas bolas frente ao FC Porto, que serviu à equipa belga para seguir para as meias-finais da competição, pois tinha ganho por 2-0 no Sclessin. Sciascia também não jogou a final, perdida com o Barcelona no Camp Nou (2-1), mas andou sempre por lá, tal como foi marcando presença na conquista do campeonato belga de 1982. O mesmo título que depois ficou manchado pelo caso de corrupção num jogo com o Waterschei, o último da época, e que levou aos castigos a Raymond Goethals e a jogadores como Preud’homme, Gerets ou Meeuws.

Quando saíram os castigos, em 1984, já Sciascia e o Standard se tinham separado. Sem espaço na equipa, assinara pelo Beerschot, onde foi muito mais regular. E quando Goethals, para fugir ao castigo, trocou a Bélgica pelo V. Guimarães, o médio italiano fez o mesmo caminho, mas para assinar pela Académica. Chegou bem para lá de meio da época, estreando-se a 18 de Fevereiro de 1985, pela mão de Vítor Manuel, numa vitória dos estudantes em Vizela, por 2-1. E manteve a titularidade até final de uma época que a Académica terminou em sétimo lugar. Não marcou golos mas ainda fez uma assistência para Ribeiro, num jogo ganho ao V. Guimarães do seu anterior treinador, Goethals. "Era um excelente médio de transição. Tinha qualidade técnica no passe, curto e longo, era agressivo na perda de bola e dono de uma bela meia-distância", recorda Vítor Manuel, que aprovou a continuidade do médio italiano para uma segunda temporada. Nesta, Sciascia até fez dois golos: um na Taça de Portugal, a 25 de Janeiro de 1986, num remate de longe, a abrir uma vitória por 2-0 frente ao Almada; outro no campeonato, a 2 de Março, numa derrota frente ao Marítimo (1-2), nos Barreiros. Despediu-se pouco depois, a 23 de Março, entrando a 12 minutos do fim para o lugar de Mito, num 4-0 em casa ao Sp. Covilhã.

De Coimbra, Sciascia alega – na sua página de Linkedin, por exemplo – ter-se transferido para a Udinese. Não se encontram, porém, registos de jogos feitos pelo médio italo-belga na equipa de Friuli. Sabe-se que jogou no Cittá di Vitoria, do quinto escalão italiano, que chegou a ser dono de um bar em Coimbra, depois de terminada a carreira de futebolista, e que há bem pouco tempo treinava as equipas jovens do Richmond, no Canadá. Ali foi, inclusive, alvo de acusações de pais de jovens jogadores, segundo os quais seria demasiado agressivo com os miúdos quando se tratava de lhes explicar táticas defensivas.