Cabumba já tinha a alcunha antes de jogar futebol, pelo V. Setúbal e pelo Rio Ave, sempre com treinadores setubalenses. Mas chutava forte.
2015-12-20

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1977

Ouve-se o nome Cabumba e pensa-se em grandes bojardas. Num jogador que chuta forte. Mas Carlos Gregório já era Cabumba antes de ser futebolista. As razões da alcunha que passeou pelos campos nem sempre relvados da I Divisão portuguesa no final dos anos 70 e início dos anos 80 nem ele as conhece: tem-na desde miúdo e só sabe que não tem nada a ver com futebol. Foi por causa do futebol, porém, que a alcunha se tornou conhecida. Sempre de verde-e-branco, com as camisolas do V. Setúbal e do Rio Ave.

Além do Vitória, clube da terra, que foi a sua primeira paixão, Cabumba gostava do Benfica. Aos 19 anos, na última época de júnior, esteve para se mudar para a Luz, mas como a transferência não se concretizou foi Fernando Vaz quem acabou por lançá-lo em Setúbal. Levou-o para o banco duas vezes, na receção ao Belenenses e na visita ao Benfica, e estreou-o a 13 de Março de 1977, num jogo da Taça de Portugal, em Famalicão. O Vitória perdeu por 3-2, no prolongamento (depois de se colocar a ganhar por 2-1 a dois minutos do final do tempo regulamentar), mas Vaz manteve a aposta no miúdo para o jogo seguinte. A 20 de Março, Cabumba jogou pela primeira vez no campeonato, alinhando durante a primeira parte da receção ao V. Guimarães, que os sadinos ganharam por 1-0, mas com o golo a aparecer depois de ser substituído por Diamantino.

A primeira época em pleno de Cabumba foi a seguinte. Assumiu a titularidade à sétima jornada e não a perdeu nem quando Fernando Vaz foi substituído por Carlos Cardoso. O primeiro golo marcou-o a 26 de Fevereiro de 1978, a contribuir para os 4-0 ao Riopele com um remate de longe. Cabumba! O nono lugar final do V. Setúbal permitiu a permanência de Carlos Cardoso à frente da equipa e a continuidade de Cabumba como titular. Tudo parecia correr-lhe de feição, incluindo um golo ao Sporting, em Alvalade, logo à segunda jornada. Mas uma derrota por 5-1 nas Antas com o FC Porto e o 13º lugar que o Vitória ocupava custaram o lugar a Cardoso – e com Rui Silva, Cabumba não jogou mais.

Um ano razoável com Jimmy Hagan, Miguel Diogo e Peres Bandeira – com escapada à tangente à despromoção – e outro como arma secreta de Rodrigues Dias – no qual marcou por duas vezes, nos dois jogos com o Sp. Espinho – chegaram para convencer Cabumba a procurar a sorte noutro lugar. Foi assim que respondeu ao chamamento do também setubalense Mourinho Félix e seguiu para Vila do Conde, onde o Rio Ave se estreava no escalão principal. Com Mourinho e depois com Quinto – também de Setúbal… – fez as melhores épocas da sua carreira, premiadas com um quinto e um oitavo lugar e a honra de jogar uma final da Taça de Portugal, no dia do trabalhador de 1984, contra o FC Porto. A perder desde cedo, Mourinho sacrificou o seu conterrâneo ainda na primeira parte, para dar lugar ao avançado N’Habola, mas o Rio Ave acabou mesmo batido por 4-1.

Três dias depois, a 28 de Abril, Cabumba tinha-se despedido da I Divisão, jogando a tempo inteiro num empate em casa contra o mesmo FC Porto (0-0). Aos 27 anos, começava para ele a aventura dos escalões secundários: falhou por pouco a subida com a U. Leiria, em 1985, e festejou-a mesmo no Farense de Paco Fortes, em 1986. Não fez parte, contudo, dos que regressaram, pois manteve-se na região de Leiria, a jogar no Marinhense e no Mirense, onde pendurou as chuteiras com 36 anos, após a descida à III Divisão. Atualmente trabalha como motorista num hospital em Setúbal.