Era um avançado trabalhador, ainda que incapaz de grandes primores técnicos. Ainda assim, fez golos por quatro equipas na I Divisão antes de enveredar por uma carreira de treinador que já o levou a dirigir o Sporting e a ganhar uma Taça da Escócia.
2016-02-19

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1989

Paulo Sérgio era um daqueles futebolistas que, mesmo jogando no ataque, se valia mais da capacidade de  trabalho que da inspiração ou de uma qualidade técnica acima da média. “Não havia quem trabalhasse mais do que eu!”, recorda, para depois brincar: “Eu era como o Ronaldo. A bola é que me atrapalhava um bocadinho”. Mesmo assim, o atacante que depois se destacou como treinador, levando o Paços de Ferreira a uma final da Taça de Portugal, ainda marcou golos por quatro equipas diferentes na I Divisão. E esteve na última conquista do Belenenses, uma Taça de Portugal cujo caminho abriu, com um golo no pelado do Sintrense.

Nascido em Lisboa, Paulo Sérgio cresceu em São João da Talha, começando a jogar por lá, nas camadas jovens da Sanjoanense. Chegou a sénior no Olivais e Moscavide, subiu um degrau para representar o Vilafranquense, na II Divisão, e ali chamou a atenção dos olheiros do Belenenses, para onde se transferiu com 20 anos. Ali, enfrentou muita concorrência, o que levou a que as oportunidades de jogar escasseassem. John Mortimore chamou-o pela primeira vez a 1 de Novembro de 1988, quando os azuis se deslocaram a Sintra, para defrontar o Sintrense, da III Divisão, na primeira eliminatória da Taça de Portugal. O jogo estava difícil mas, quem sabe se por estar ainda habituado aos pelados, foi o jovem ponta-de-lança quem abriu o caminho à vitória azul, fazendo o primeiro golo de uma vitória por 1-0. Mesmo não jogando a final, ganha ao Benfica, por 2-1, em Maio de 1989, foi o suficiente para poder inscrever o nome entre os vencedores da competição.

Tentando aproveitar a moral do miúdo, Mortimore deu-lhe a oportunidade de se estrear no campeonato quatro dias depois desse golo em Sintra, a 5 de Novembro, contra o Sp. Braga. O Belenenses adiantou-se e, a dois minutos do fim, o treinador inglês lembrou-se de reforçar o meio-campo, trocando Paulo Sérgio por Macaé. No último lance do jogo, os bracarenses fizeram o empate, através do central Vítor Duarte. A verdade é que Paulo Sérgio não voltou a jogar essa época, nem com Mortimore, nem depois com Marinho Peres, que o substituiu. E mesmo em 1989/90 só apareceu três vezes, sempre como suplente utilizado de uma equipa que terminou a Liga num confortável sexto lugar. Só em 1990/91, com a chegada de António Lopes, o ponta-de-lança passou a jogar mais. A 14 de Novembro de 1990, fez o primeiro golo na Liga, numa vitória por 2-0 sobre o Salgueiros. Repetiu a graça mais duas vezes, num 1-1 frente ao U. Madeira no Funchal e num sucesso por 1-0 contra o Penafiel, no Restelo, mas o Belenenses acabou por ser despromovido.

Paulo Sérgio ficou mais dois anos no Restelo. No primeiro, contribuiu com oito golos para a subida de divisão da equipa comandada por Abel Braga. No segundo, fez mais quatro, com um bis ao Famalicão (7-0, a 2 de Maio de 1993) a destacar-se. Cansado de ser segunda opção, no entanto, foi à procura de uma equipa onde pudesse jogar com mais regularidade. Encontrou-a em Paços de Ferreira, onde teve a época mais produtiva entre os grandes: cinco golos, incluindo um ao Sporting, em Alvalade, no encerramento a temporada. O Paços, porém, perdeu esse jogo por 3-1 e caiu na II Divisão de Honra, o que levou Paulo Sérgio a transferir-se para o Salgueiros. O esforço que colocava em cada lance, porém, já não lhe chegava para garantir continuidade nas escolhas dos treinadores. Tendo jogado pouco em Vida Pinheiro, tentou a II Divisão de Honra, onde ajudou o V. Setúbal de Quinito a subir de divisão com três golos. Era a segunda vez que subia, em dois anos na II Divisão, pelo que acabou por ficar em Setúbal. Sem o saber, estava a começar a sua última época como futebolista de I Liga. A 13 de Abril de 1997, fez o último golo neste escalão, numa partida que os sadinos perderam contra o Salgueiros, por 3-2. Uma semana depois, alinhava pela última vez entre os grandes, num V. Setúbal-E. Amadora que também não correu bem: 1-2 foi o resultado final.

Até final da carreira, Paulo Sérgio ainda jogou no Feirense (II Divisão de Honra), antes de baixar para o nível da II Divisão B, onde representou Santa Clara, Estoril e Olhanense. Pelo meio, ainda fez uma época plena de sucesso no Grenoble, do quarto escalão francês. Mas acabou por ser como treinador que mais se destacou. Logo na primeira época, subiu o Olhanense da II Divisão B à II Liga. Mais tarde, conduziu o Paços de Ferreira à final da Taça de Portugal, dirigiu o V. Guimarães e assinou pelo Sporting, onde teve a infelicidade de encontrar um plantel abaixo das tradições do clube. Andou pelo estrangeiro, ganhando uma Taça da Escócia pelo Hearts, levando os romenos do Cluj a vencer o Manchester United, por 1-0, em Old Trafford, em jogo da Liga dos Campeões, e conquistando uma Supertaça de Chipre no Apoel.