Defendeu as balizas do Sp. Covilhã durante oito épocas, sendo fundamental em três sextos lugares dos serranos na década de 50. Mas acabou cedo, tapado por Rita e depois por José Pereira.
2016-02-16

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1949

Ribatejano de Santarém, António José devia ter nas veias sangue de guarda-redes, pois foi o mais velho de dois irmãos que dedicaram a vida àquele espaço entre os postes de uma baliza. Começou a jogar nos Leões de Santarém, na II Divisão, mas destacou-se a ponto de ser recrutado para defender as redes do Sp. Covilhã quando este ascendeu ao escalão principal, ajudando a equipa serrana a obter algumas excelentes classificações. No final de carreira, ainda seguiu caminho para o Belenenses, mas a baliza azul tinha dono – José Pereira –, pelo que António José não foi feliz em Lisboa. Acabou em Trás-os-Montes, no Vila Real, antes de ser treinador do clube do coração, os Leões de Santarém, cuja bandeira o acompanhou na viagem até à última morada, depois de falecer, com 77 anos.

Foi nos Leões que António José aprendeu a ser guarda-redes. Ainda jovem se tornou dono da baliza da equipa, que na altura jogava a II Divisão, nem sempre com muito sucesso, o que até lhe permitia maior destaque como última barreira aos ataques adversários. Rezam as histórias que o mais velho dos irmãos Fevereiro tinha mãos de ferro, daquelas que não largavam nada. E no campeonato de 1947/48, em que o Sp. Covilhã ganhou a Zona B, ascendendo ao primeiro escalão, ter-se-á destacado tanto que os responsáveis serranos quiseram levá-lo com eles para a equipa que Szabo estava a construir. Assim se fez e António José estreou-se na I Divisão a 19 de Setembro de 1948, na vitória por 4-0 frente ao Boavista com que os covilhanenses abriram o campeonato. Durante a temporada ainda foi dividindo as redes com Ramalhoso, mas foi ele que jogou nas duas partidas com que o Sp. Covilhã carimbou a permanência: os 5-2 ao Sporting, que até foi campeão nacional, na antepenúltima jornada, e o 2-2 no terreno do Estoril, na penúltima, a confirmar matematicamente a manutenção. Da mesma forma que foi ele quem defendeu na meia-final da Taça de Portugal, perdida no prolongamento para o Atlético, por 1-0.

Não espantou ninguém, por isso, que ao mesmo tempo que o seu irmão Mário chegava à baliza dos Leões de Santarém – era quatro anos mais novo – António José se afirmasse como titular absoluto na Covilhã. Em 1949/50, Szabo já não teve dúvidas e deu as redes ao jovem guardião ribatejano, que só falhou duas partidas na caminhada dos serranos até a um excelente sexto lugar. Só perdeu o lugar em Novembro, depois de encaixar oito golos do Sporting, mas depressa o recuperou, pois Orlando, o seu substituto, levou cinco do FC Porto. E após esse jogo, a 27 de Novembro de 1949, António José só voltou a falhar uma partida do Sp. Covilhã dois anos depois, a 4 de Novembro de 1951, quando Isaurindo lhe ocupou o lugar frente ao Sporting. Os outros dois sextos lugares, de 1950/51 e 1951/52, tinham muito de António José. E mesmo tendo perdido a titularidade para Isaurindo na ponta final da época de 1952/53 – foi com o suplente a jogar que o Sp. Covilhã assegurou a manutenção e empatou a zero com Sporting e Benfica – e não tendo jogado um minuto nessa edição da Taça de Portugal, António José voltou a ser dono do lugar no sétimo lugar de 1953/54, época na qual só faltou a uma partida.

O fim da aventura, contudo, aproximava-se. Em 1955, a manutenção voltou a ser conseguida muito perto do final da prova e, findo o campeonato, Janos Szabo conseguiu que viesse de Alvalade o guardião Rita, que era suplente de Carlos Gomes no Sporting e queria ver alguma ação. Rita chegou e António José encostou, passando uma época inteira sem jogar. Ainda se transferiu para o Belenenses, mas terá chegado ao Restelo um ano demasiado tarde, pois José Pereira já tinha ocupado a vaga que era de Sério. Mais um ano sem jogar significou que a sua despedida da I Divisão ocorrera na baliza do Sp. Covilhã, a 24 de Abril de 1955, num empate a duas bolas frente ao FC Porto, já no Estádio das Antas. António José ainda seguiu para Trás-os-Montes, onde defendeu as redes do Vila Real, antes de regressar a Santarém, para ser treinador dos Leões que o tinham visto nascer.