Bastos Lopes, a quem, quando o irmão mais novo chegou ao Benfica passaram a chamar também António ou a juntar o I após o apelido, passou a vida inteira no Benfica, onde colecionou títulos e alegrias.
2015-12-19

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1973

Uma vida, quinze campeonatos, ao serviço do Benfica. Em resumo, é esta a história de António Bastos Lopes, o mais velho de dois irmãos que em dada altura chegaram a partilhar o balneário da Luz – e daí o facto de ter ficado conhecido como Bastos Lopes I. Era um defesa rijo e difícil de ultrapassar, forte na marcação, onde impunha o físico invulgar para a altura, pois media 1,86m. Alternou o centro da defesa com a lateral direita, onde conheceu os melhores anos da sua carreira, adaptado por Eriksson, que foi o seu treinador de eleição.

Bastos Lopes despontou para o futebol no Odivelas, mas chegou ao Benfica ainda com idade de júnior. No início da década de 70, quando os encarnados tinham uma super-equipa que ganhava três campeonatos em cada quatro, não era fácil encontrar espaço para jogar, mas a 1 de Abril de 1973 uma onda invulgar de lesões obrigou Jimmy Hagan a chamá-lo para uma deslocação às Antas. O Benfica tinha ganho os primeiros 23 jogos do campeonato e poucos duvidavam de que iria ser campeão. O jogo acabou empatado (2-2), mas foi o suficiente para que o miúdo de 19 anos, que alinhou ao lado de Messias, no centro da defesa, somasse o primeiro dos seus sete títulos de campeão nacional. Bastos Lopes ainda manteve a titularidade para a partida seguinte, uma derrota com o Leixões (0-2) que custou o afastamento da Taça de Portugal, mas voltou depois à sombra dos consagrados.

Nem Fernando Cabrita (1973/74) nem Milorad Pavic (1974/75) apostaram de forma consistente em Bastos Lopes, que mesmo assim foi fazendo um jogo aqui, outro acolá. Um desses jogos, a 4 de Maio de 1975, em Alvalade, permitiu-lhe celebrar o seu segundo título de campeão: entrou na segunda parte para o lugar de Barros e já viu em campo Diamantino fazer o golo do empate (1-1) que garantia matematicamente a conquista do troféu ante o principal rival. Esteve ainda na final da Taça de Portugal de 1975. O palco foi outra vez Alvalade, mas o Benfica foi batido pelo Boavistão de Pedroto (2-1), falhando a dobradinha.

Este foi, contudo, o ano da saída de Humberto Coelho para o Paris St. Germain, abrindo caminho à afirmação de Bastos Lopes. Com a chegada de Mário Wilson ao Benfica, o jovem central, então com 22 anos, passou a fazer parte das escolhas habituais. A 1 de Novembro marcou mesmo o seu primeiro golo: numa recarga a Vítor Batista abriu o marcador nos 7-1 com que o Benfica ganhou ao Estoril, a caminho de mais um título nacional, outra vez garantido em Alvalade, mas desta vez com uma vitória clara, por 3-0. Esta foi também a época da estreia de Bastos Lopes nas competições europeias: o primeiro jogo foi uma goleada (7-0) ao Fenerbahçe, a 17 de Setembro.

John Mortimore, o treinador que se seguiu, também fez de Bastos Lopes uma escolha habitual, tendo sido com o inglês aos comandos que o defesa fez os seus outros dois golos: outra vez a 1 de Novembro de 1976 marcou ao Belenenses (3-2) e a 18 de Setembro de 1977 fez o tento da vitória em Guimarães (1-0). Essa foi a época em que, apesar de não perder um único jogo, o Benfica sucumbiu face ao FC Porto na luta pelo título. Ora um segundo ano seguido sem ganhar o campeonato, em 1979, custou o lugar a Mortimore, mas essa foi uma época ainda assim feliz para Bastos Lopes, que em Maio chegou à seleção nacional. Foi Mário Wilson, treinador que já o afirmara como titular do Benfica, quem lhe deu a primeira internacionalização, fazendo-o entrar a um minuto do fim de um jogo com a Noruega, em Oslo, quando o importante era segurar a vantagem mínima conseguida com um golo de Alves. Ao todo, Bastos Lopes somou 10 jogos pela seleção nacional, da qual se despediu em Abril de 1985, tendo estado na fase final do Europeu de 1984.

Com Mário Wilson de regresso ao Benfica, para substituir Mortimore, Bastos Lopes cresceu ainda mais. Foi titular em todos os jogos do campeonato de 1979/80 e ganhou a sua primeira Taça de Portugal, batendo o FC Porto por 1-0 no Jamor. Com Lajos Baroti, em 1980/81, veio a primeira dobradinha – que foi, aliás, uma tripla, pois ao campeonato e à Taça o Benfica juntou a Supertaça. Mas foi a partir de 1982, quando chegou Eriksson, que Bastos Lopes viveu os melhores anos da sua carreira. Em 1982/83, época de mais uma dobradinha, alinhou em 47 dos 49 jogos oficiais do Benfica, falhando apenas uma partida de campeonato (Amora em casa) e a primeira mão da final da Taça UEFA (0-1 em Bruxelas com o Anderlecht). E em 1983/84 fez mais 40 jogos, faltando a apenas dois no campeonato. O rendimento permitiu-lhe passar a ser escolha mais regular na seleção e estar na fase final do Europeu de França, onde no entanto não chegou a entrar em campo.

Só que com Eriksson foram-se os melhores anos deste defesa. Pal Csernai tirou-lhe o estatuto de titular absoluto e Mortimore, que regressou em 1985, passou a recorrer à sua experiência apenas ocasionalmente. Despediu-se a 1 de Outubro de 1986, antes de fazer 33 anos, com uma vitória por 2-1 em Lillestrom, em desafio da Taça das Taças. Ficou ainda ligado ao Benfica, onde desempenhou vários cargos técnicos na área da formação.