Todos o conhecem se ao nome Agostinho juntarmos o apelido: Oliveira. Foi selecionador nacional interino e tem um percurso de duas décadas como técnico na FPF. Antes, tinha jogado no Sp. Braga e na Académica.
2016-02-05

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1967

Já foi selecionador nacional, no período entre a saída de Carlos Queiroz e a entrada de Paulo Bento, e todos o conhecem pelo percurso feito nas seleções jovens. O que nem toda a gente sabe é que Agostinho Oliveira também foi futebolista de I Divisão. Era um defesa central que, por ser rápido, acabou adaptado a lateral direito. E mesmo não tendo exibido uma qualidade extraordinária nos campos do final da década de 60, ainda fez parte de duas equipas que jogaram a final da Taça de Portugal. Acabou cedo para o futebol a sério, quando percebeu que queria desempenhar outros papéis – tentou a gestão, foi parar ao treino.

Nascido na Póvoa de Lanhoso, Agostinho fez a formação de jogador no Sp. Braga. Já trabalhava com os profissionais que em 1966 chegaram à final da Taça de Portugal e lá bateram o V. Setúbal por 1-0, com golo de Perrichon, que recorda como um dos mais talentosos com quem teve a sorte de jogar. Nessa época, porém, não chegou a ter um minuto de ação. E mesmo na seguinte só apareceu no onze para um jogo da Taça de Portugal, que os bracarenses defendiam: a 14 de Maio de 1967, tendo perdido Coimbra, um dos centrais titulares, e testado Juvenal ao lado de Ribeiro na eliminatória contra o Atlético, Fernando Caiado chamou o rapaz para um intenso dérbi em Guimarães. O jogo era dos oitavos-de-final, os bracarenses ganharam por 2-1 e, mesmo não tendo guardado o lugar no onze, Agostinho terá percebido que tinha futuro naquela equipa, nem que fosse só na temporada seguinte.

Assim foi. A 17 de Setembro de 1967, o argentino José Valle, que regressara ao comando do Sp. Braga para substituir Caiado, escalou o jovem Agostinho para uma deslocação a São João da Madeira. Era o primeiro jogo do miúdo no campeonato e, apesar da derrota por 3-0, desta vez manteve a titularidade para a partida seguinte, uma visita do Benfica ao 1º de Maio onde lhe coube enfrentar o poderoso Eusébio. Até final da época, mesmo tendo Valle sido substuído por José Maria Vieira, Agostinho só falhou quatro jogos, tendo mesmo tido a alegria de jogar na equipa que ganhou por 3-1 ao Sporting, no 1º de Maio, ou de marcar o seu único golo no futebol profissional: foi a 8 de Outubro de 1967, na sequência de um livre, a ajudar os bracarenses a ganhar por 3-1 em Famalicão, num jogo da primeira eliminatória da Taça de Portugal.

Meteram-se nessa altura pelo meio os estudos. Agostinho teve entrada na Universidade de Coimbra para estudar letras e isso foi o seu salvo-conduto para assinar pela Académica. Em Coimbra, contudo, a concorrência era maior. Mário Wilson só o utilizou duas vezes antes de deixar o comando da equipa, em Novembro, e as coisas não mudaram muito com a passagem de João Maló para o cargo de treinador. Ao todo, Agostinho só jogou seis vezes pela equipa dos estudantes no campeonato, duas delas como titular – com a particularidade de uma ter sido um empate sem golos em Braga. Participou ainda assim nos últimos 25 minutos de um jogo da campanha da Académica na histórica Taça de Portugal de 1969, substituindo Vítor Campos na ponta final da goleada por 6-1 frente aos Leões de Santarém. E mesmo não jogando essa final da Taça – perdida contra o Benfica, no auge da contestação académica ao regime político – foi depois apanhado pelas ondas de choque que os protestos geraram. É que estudar e jogar na Académica permitia aos futebolistas ir somando adiamentos ao serviço militar obrigatório mas, como retaliação, muitos dos jogadores dessa Académica foram de imediato chamados para a tropa. Foi o que sucedeu com Agostinho, que assim regressou a Braga.

A época de 1969/70 foi muito atribulada em Braga. Três treinadores em sucessão não conseguiram evitar a descida à II Divisão. O último jogo de Agostinho no campeonato seria assim um dramático Boavista-Sp. Braga, a 19 de Abril de 1970: ganhando por 2-0, os axadrezados ultrapassaram os arsenalistas na tabela e relegaram-nos para uma posição de despromoção. Agostinho ainda fez a tempo inteiro uma campanha interessante na Taça de Portugal, com eliminação nos quartos-de-final frente ao Sporting, mas o que se seguiu foi um período de menor fulgor da equipa bracarense, com cinco épocas consecutivas no escalão secundário e muitos problemas financeiros. Conta-se que nessa altura, já como capitão de equipa, era Agostinho quem levava os colegas a comer no restaurante do pai, na Falperra. A subida de divisão acabou por chegar em 1975, mas nessa altura, tão instável politicamente, já andava Agostinho empenhado num projeto de co-gestão do clube. A ideia fracassou e, mais virado para o ensino e para a formação como treinador, Agostinho deixou a carreira de futebolista profissional. Ainda jogou em vários clubes do regional, mudando à medida que lhe mudavam a colocação como professor: andou pelo Vieira do Minho, pelo Amares, pelo Minas da Borralha ou pelo Arco do Baúlhe, mas seria a ligação a Carlos Queiroz a trazê-lo de novo para o futebol de alto nível, quando o “professor” o chamou a fazer parte dos quadros da Federação Portuguesa de Futebol em finais da década de 80.

A culminar uma ligação de duas décadas à FPF, Agostinho Oliveira ainda teve a seu cargo a seleção principal, entre a suspensão de Queiroz, na sequência do Mundial da África do Sul, em 2010, e a chegada de Paulo Bento. Foi nessa altura que deixou a seleção, tornando-se então coordenador técnico e de futebol de formação do Sp. Braga e, mais recentemente, do Gondomar, clube onde trabalha neste momento.