Laureta é nome de dinastia no V. Guimarães. Mas o mais conhecido dos Lauretas extravasa em muito a cidade berço. Foi internacional, campeão nacional e europeu no FC Porto e jogou por todo o Minho.
2015-12-18

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1981

Laureta é nome de dinastia no V. Guimarães. Mas o mais conhecido dos Lauretas, aquele que brilhou na lateral esquerda vimaranense no início da década de 80, extravasa em muito o clube da cidade berço. Porque foi internacional, porque foi campeão nacional e europeu no FC Porto e até porque jogou nos três clubes minhotos que no seu tempo andaram pela I Divisão, vestindo também as camisolas de Sp. Braga e Gil Vicente.

Alfredo Magalhães da Silva Rodrigues fez a formação como futebolista no V. Guimarães, clube onde já tinham jogado o avô e o pai. Todos tinham a mesma alcunha: Laureta, herdada de Francisco Rodrigues, o primeiros dos Lauretas, porque quando se destacou, a jogar à bola nas ruas, o identificaram como filho de Laura. A Francisco, que representou o V. Guimarães na I Divisão na década de 40, sucedeu Manuel, que manteve a alcunha mas não o mesmo talento e por isso acabou por fazer carreira apenas nos escalões secundários. Alfredo, o terceiro da dinastia, chegaria mais longe. Ainda júnior, é chamado por Cassiano Gouveia para o banco do V. Guimarães na última jornada de 1979/80, na Póvoa de Varzim. Não jogou, mas ficou com um odor a I Divisão que não esqueceu na época seguinte, passada por empréstimo no Mirandela, do segundo escalão.

Foi nessa altura que José Maria Pedroto chegou a Guimarães para orientar a equipa presidida por Pimenta Machado. Conta-se que foi ver Laureta num jogo em Chaves e que desde logo decidiu que queria o miúdo de volta. Laureta chegou nesse ano à seleção de esperanças, jogou o Torneio de Toulon, e no final das férias regressou a Vitória. A estreia a jogar na I Divisão fê-la a 20 de Setembro, em Portimão, entrando a dois minutos do final de um sucesso por 2-0 sobre o Portimonense, em casa. Foi titular pela primeira vez em Alvalade, a 5 de Dezembro, num empate a duas bolas contra o Sporting de Malcolm Allison, mas nessa altura já Pedroto pensava transformar aquele extremo num defesa esquerdo moderno, dos que sabiam percorrer todo o corredor, e Laureta respondeu presente, afirmando a sua velocidade e o espírito de luta que ao longo da carreira lhe valeu mais amarelos e vermelhos do que o recomendável.

Depois de um ano sem jogar com muita regularidade (ainda fez um golo, ao Ac. Viseu, em Maio), Laureta impôs-se definitivamente como lateral esquerdo na equipa comandada por Manuel José. A excelente época que protagonizou em 1982/83 levou-o mesmo à seleção nacional, chamado por Otto Glória. Entrou ao intervalo para o lugar de Festas, mas não conseguiu ajudar a impedir a derrota (0-4) com o Brasil, em Coimbra, naquele que foi o último jogo do velho selecionador à frente da equipa nacional. Nem isso impediu o Benfica de mostrar interesse na sua contratação. Pimenta Machado pediu muito dinheiro, Laureta ficou em Guimarães mais dois anos, sempre com regularidade, saindo só em 1985. E para o FC Porto de Artur Jorge, que já o conhecia da experiência com Pedroto em Guimarães.

Nas Antas, a concorrência era muito maior. Logo a abrir, dividia o lugar com Inácio, o que levou Artur Jorge a utilizá-lo com alguma frequência a meio-campo. Foi daí que partiu para fazer o seu primeiro golo internacional, logo aos 6’ de jogo na estreia na Taça dos Campeões, contra o Ajax, a 18 de Setembro. Na primeira época de azul e branco foi campeão nacional – e estava em campo no jogo decisivo, em Setúbal, onde o FC Porto ganhou por 1-0 ao mesmo tempo que o Benfica perdia em casa com o Sporting e se deixava ultrapassar na penúltima jornada. Na segunda época, uma lesão grave, em Portimão, impediu-o de dar o mesmo contributo à equipa, mas ainda fez um dos jogos que levou a equipa a sagrar-se campeã da Europa: alinhou os 90 minutos na vitória por 1-0 contra o Brondby, nas Antas. No final da época, porém, saiu para o Sp. Braga, onde o esperava Manuel José, o treinador que nele mais apostara em Guimarães. E embora não tenha ganho títulos no regresso ao Minho, Laureta foi sempre de uma regularidade a toda a prova nas quatro épocas que passou em Braga, lançando ainda as sementes do que veio a ser a sua vida pós-futebol: fortaleceu os laços com Carvalhal e Toni, com quem fundou a marca de artigos desportivos Lacatoni, hoje bem consolidada no mercado.

Até ao fim da carreira, Laureta ainda representou o Gil Vicente – três anos de bom nível na I Divisão – e a Académica, na II Divisão. Despediu-se do escalão principal num Famalicão-Gil Vicente, a 2 de Junho de 1994, precisamente 14 anos e um dia depois de Cassiano Gouveia o ter levado para o banco naquela tarde primaveril da Póvoa de Varzim. O futuro do terceiro dos Lauretas estava nos têxteis. E como o quarto, o seu filho, não passou nos crivos mais exigentes como jogador profissional, optando antes por uma carreira como treinador, o clã já espera pelo quinto.