Numa vida de dedicação ao Marítimo, o defesa-esquerdo Arnaldo Carvalho ajudou a consolidar a posição dos verde-rubros na I Divisão mas nunca conseguiu marcar um golo.
2016-01-31

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1977

Uma vida inteira de dedicação ao Marítimo: eis a história de Arnaldo Carvalho, antigo defesa-esquerdo madeirense que não conheceu outra camisola em toda a carreira e acompanhou o clube verde-rubro na aventura que foi a implantação na I Divisão: estava nos juniores mas já aprendia com os mais velhos quando os leões da Almirante Reis subiram à I Divisão, em 1977, por lá tendo ficado até 1990, quando a equipa deixou de ter de lutar amargamente para assegurar a permanência e passou a aspirar a outros voos.

Foi Pedro Gomes, o treinador da subida do Marítimo, quem levou o jovem Arnaldo Carvalho para a equipa principal. O lateral tinha apenas 19 anos, mas foi convocado para o primeiro jogo dos verde-rubros no escalão principal, o empate em casa com o Estoril, a 4 de Setembro de 1977. Não sairia do banco, porém, pelo que só se estreou mesmo a jogar pela equipa senior a 12 de Novembro, quando alinhou em vez de Noémio nos últimos 25 minutos de uma vitória contra a Naval 1º de Maio (2-1), a contar para a Taça de Portugal. No campeonato, entrou em campo semanas depois, a 4 de Dezembro, quando ao intervalo o treinador o chamou para o lugar do mesmo Noémio, numa derrota em Coimbra frente à Académica. Até final da época só experimentou mais cinco minutos de ação, frente ao Montijo, outra vez na Taça de Portugal. Mas estava a aprender. E sabia que, até por sentir o clube por os adeptos verem nele um dos seus, tinha o tempo a seu favor.

A primeira partida de Arnaldo Carvalho como titular quase coincidiu com a última que Fernando Vaz, que entretanto substituíra Pedro Gomes à frente da equipa, fez no clube da Madeira. Arnaldo jogou os 120 minutos da eliminação da Taça de Portugal em Braga (golo de João Cardoso já perto do final do prolongamento), a 14 de Janeiro de 1979 e, uma semana depois, após uma derrota em casa com o Beira Mar (2-1), Vaz deu o lugar a Manuel de Oliveira. Foi o melhor que podia ter acontecido a Arnaldo Carvalho, que a partir daí passou a ser aposta frequente. Ganhou o lugar a Osvaldinho e alinhou em nove das últimas dez jornadas desse campeonato, ajudando a equipa a recuperar do 14º para o nono lugar final. Era a prova de que o treinador precisava para fazer dele titular habitual, mas uma lesão logo na primeira jornada do campeonato seguinte – substituído aos 12’ de jogo num empate frente ao Belenenses, a 26 de Agosto de 1979 – atrasou-lhe a imposição. Manuel de Oliveira hesitou e só mesmo António Medeiros, que chegou ao clube em Janeiro de 1980, fez dele aposta fixa.

Até final dessa época, Arnaldo Carvalho falhou apenas um jogo – a vitória contra o Rio Ave, em Vila do Conde, por 1-0 – tendo sido totalista na bela campanha que os insulares fizeram na Taça de Portugal, da qual só foram afastados na meias-finais, pelo FC Porto, com um 3-0 nas Antas. O lateral tornara-se um nome incontornável na linha do Marítimo: faltou a apenas um jogo em 1980/81 e, como a época se saldou pela descida de divisão, contribuiu depois com 30 presenças para a subida na época seguinte, obtida através da vitória na Zona Sul da II Divisão. Os treinadores iam mudando – voltaram Pedro Gomes e Manuel de Oliveira, passaram pelos Barreiros Fernando Mendes, António Teixeira ou Mário Lino… – mas as coisas não mudavam: Arnaldo Carvalho jogava sempre e nunca fazia golos. O facto de não ter feito um único em toda a sua carreira de futebolista explica o que era como jogador: um elemento mais preocupado com o equilíbrio defensivo o que com o ataque, um lateral físico mas pouco dado a subir no terreno, para quem a consistência defensiva era o mais importante.

Menos regular a partir de 1986, tanto para Stefan Lundin como para Manuel de Oliveira, voltou a assumir-se titular quando Ferreira da Costa pegou na equipa, em Janeiro de 1988, e a levou ao nono lugar final. Arnaldo Carvalho faltou a apenas um dos jogos dessa reta final, tendo estado como titular na histórica vitória frente ao Sporting em Alvalade (1-0), em Maio de 1988. Ainda fez mais duas épocas em campo, mas a sua ideia já era outra – a de abraçar outras funções no clube, do qual é atualmente treinador-adjunto, na retaguarda de Nelo Vingada. Despediu-se dos relvados a 20 de Maio de 1990, alinhando de início numa vitória (1-0) frente ao E. Amadora, nos Barreiros, na última jornada dessa Liga.