Central de marcação implacável, era escolha habitual em clubes de meia da tabela do campeonato português. Presente na vitória do E. Amadora na Taça de Portugal, jogou até aos 38 anos, vindo a falecer tragicamente quatro anos depois.
2016-01-27

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1989

Alto e muito leve e magro, Chico Oliveira não parecia feito para o combate corpo-a-corpo. O seu metro e oitenta e cinco distribuído por apenas 68 quilos de peso deixavam a ideia de que cairia ao primeiro encosto, mas a tenacidade que colocava na disputa de cada bola, a concentração a cada momento, faziam dele um central de marcação disputado pelas equipas que andavam pelo meio da tabela. Depois de um início lento, sem conseguir afirmar-se no Estoril, fez carreira no escalão secundário e, mesmo tendo chegado à I Divisão com 25 anos, ainda foi a tempo de lá somar quase 200 jogos e ganhar uma Taça de Portugal. Jogou até aos 38 anos, vindo a falecer num aparatoso acidente automóvel quando já era empresário.

Chico Oliveira fez a formação como futebolista no Estoril, cuja equipa de juniores integrava quando Mário Nunes o chamou pela primeira vez para um jogo do conjunto principal. Foi a 5 de Junho de 1983, na última jornada do campeonato, que os canarinhos iam jogar a Espinho. A equipa da Linha já tinha assegurado que não descia, mas ainda podia cair na liguilha se perdesse e o Marítimo ganhasse em Portimão. Chico, que era apenas assim que o conheciam na altura, não chegou a entrar, mas viveu a excitação do futebol de primeira: o Estoril esteve a ganhar, acabou por perder, mas ganhou o direito a entrar logo de férias porque também o Marítimo saiu derrotado. Assegurada a permanência, também ele ganhou um lugar no plantel para 1983/84, a sua primeira época de sénior. António Medeiros convocou-o para sete dos 12 jogos que, entre campeonato e Taça de Portugal, fez à frente da equipa, mas não chegou a fazê-lo entrar em campo. Com a troca de treinador e a chegada de Mário Wilson, Chico só foi convocado mais uma vez. E não se estreou na época em que o Estoril desceu de divisão.

Esperava-o um longo périplo pelos escalões secundários. Dois anos no Estoril e outros tantos no Famalicão redundaram no título de campeão da Zona Norte pelos famalicenses em 1988. Seria o regresso ao escalão principal, não se tivesse o clube envolvido num sempre mal explicado caso de suborno ao Macedo de Cavaleiros. Ao invés, o Famalicão acabou relegado para a III Divisão e Chico Oliveira só regressou à primeira um ano mais tarde, já com a camisola do E. Amadora. Foi João Alves quem nele acreditou e quem lhe deu os primeiros minutos de jogo no escalão maior quando, a 9 de Setembro de 1989, o fez entrar para o lugar do extremo Paulo Jorge, aos 89 minutos de um jogo no terreno do Tirsense, com a ideia de conservar o 0-0. Titular pela primeira vez a 26 de Novembro, numa derrota em Aveiro contra o Beira Mar, Chico Oliveira ainda fez 13 jogos na caminhada do Estrela até ao 12º lugar final. E teve a honra de alinhar na final da Taça de Portugal, ganha ao Farense (2-0), numa partida em que fez uma marcação implacável a Fernando Cruz.

Chico Oliveira começava então um percurso que o levou a mudar de clube com frequência, apesar de ser titular por onde quer que passasse. Esteve no 10º lugar do Marítimo de Paulo Autuori em 1990/91 e depois no 12º do Paços de Ferreira de Vítor Oliveira, em 1991/92. Em Paços ficou mais dois anos, marcando os seus primeiros golos a duas equipas que já tinha representado: a 21 de Novembro de 1993, na vitória por 2-0 sobre o Famalicão, e a 16 de Janeiro de 1994, nos 3-1 sobre o Estrela da Amadora na Reboleira. A despromoção, no final dessa época, fê-lo mudar de ares e assinar pelo Salgueiros de Mário Reis. Ali obteve mais um 11º lugar e passou para Chaves, onde ajudou na luta pela manutenção. Despediu-se da I Divisão a 12 de Maio de 1996, com 32 anos, com uma vitória por 1-0 sobre o Gil Vicente. E os que pensavam que estava encaminhado para pendurar as botas enganaram-se redondamente, pois Chico Oliveira ainda jogou durante mais sete épocas, batalhando pelos campos das divisões menos reconhecidas. Despediu-se em 2002, quando o Joane não conseguiu evitar a descida na Zona Norte da II Divisão B. Tornou-se então empresário, mas não teve muito tempo para explorar a nova atividade, pois faleceu aos 42 anos, num acidente aparatoso na A3, quando o carro que conduzia se precipitou do viaduto de Leça, caindo de grande altura numa estrada municipal de Milheirós, na Maia.