João era um médio trabalhador, que raramente falhava um compromisso na luta a meio-campo. Lançado no FC Porto, era a camisola do Varzim que lhe assentava como uma luva.
2015-12-17

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1976

João era um médio daqueles de antes quebrar que torcer e a camisola do Varzim assentava-lhe por isso que nem uma luva. Batalhador, trabalhador, raramente falhava um compromisso na luta a meio-campo, virtude talvez aprendida nos anos que passou na II Divisão, depois do berço de ouro que conheceu no FC Porto, e que lhe terá permitido jogar até aos 40 anos, no Leça, nos escalões amadores.

Natural de Matosinhos, João Tavares Domingues fez a formação no FC Porto, ali se destacando ao ponto de José Maria Pedroto o ter chamado a treinar com os seniores e lhe ter dado uma oportunidade num jogo da Taça de Portugal, contra o Fafe, a 9 de Fevereiro de 1969, ainda o médio tinha apenas 19 anos. Já com o resultado em 2-0, João acabou por sair ao intervalo, dando lugar a Vítor Gomes, mas uma coisa já ninguém lhe tirava: subira ao relvado das Antas com a camisola do FC Porto. Acabou por merecer essa honra mais algumas vezes na atribulada época que se seguiu.

A zanga com Pedroto levou o FC Porto a chamar Elek Schwartz para treinar a equipa e João ficou no plantel. Estreou-se no campeonato a 9 de Novembro de 1969, mas levou o que contar: entrou a 18 minutos do final do jogo com o V. Setúbal, no Bonfim, já com o score em 3-0 para os da casa, e ainda teve tempo de assistir a mais dois golos sadinos. Schwartz adoeceu, Vieirinha tomou conta da equipa, mas só com a chegada do escocês Tommy Docherty, em Fevereiro, é que João teve oportunidades de jogar com mais regularidade. O “Doc” achou que era altura de lhe dar a titularidade a 1 de Março, na receção ao V. Setúbal. O resultado foi mau (nova derrota, agora por 3-0), mas o pequeno médio manteve-se nas escolhas até final da época e ainda chegou a marcar um golo. Fê-lo nas Antas, contra o Benfica, mas isso não chegou para evitar a derrota da sua equipa (2-1) e um péssimo nono lugar final.

O FC Porto tinha de mudar e fê-lo. João acabou cedido ao Riopele, equipa de perto de Famalicão que andava pela II Divisão. Ali passou seis temporadas, quase contribuindo para a subida na segunda: a três jornadas do fim, o Riopele tinha três pontos de avanço sobre o U. Coimbra, mas uma derrota na Póvoa de Varzim e os empates com Famalicão e Sanjoanense condenaram a equipa fabril à “liguilla” com os outros segundos classificados, na qual perderam todos os jogos. Só em 1976, quando o Varzim subiu de divisão, os seus responsáveis se lembraram daquele médio batalhador do Riopele. E João fez com que não se arrependessem. Logo na primeira época foi titular em todos os jogos na caminhada da equipa poveira até um honroso sétimo lugar final. E marcou mesmo dois golos: ao Beira Mar, logo na primeira jornada, e ao V. Setúbal, a garantir uma vitória (2-1) que lhe terá cheirado a vingança particular.

Em cinco épocas no Varzim, João falhou poucos jogos. Ajudou a equipa de António Teixeira a ser quinta classificada em 1978/79 e a chegar às meias-finais da Taça de Portugal em 1979/80, mas a troca de treinador, com a chegada de José Carlos, levou a que fosse menos utilizado na época em que os poveiros acabaram por descer de divisão. João ficou entre os maiores, assinando pelo Penafiel, mas também aí acabou por conhecer a despromoção. Despediu-se da I Divisão com uma derrota em Leiria (1-2), a 23 de Maio de 1982. Tinha 32 anos e nem na sua segunda “liguilla” assegurou a continuidade entre os grandes. Ainda fez uma época na II Divisão, ajudando o Penafiel a regressar aos grandes, mas ele já não voltou. Jogou um ano no Famalicão e cinco no Leça, entre o distrital do Porto e a III Divisão.