Rapaz da terra, chegou à equipa do Penafiel quando esta aingiu a I Divisão, no início dos anos 80. Era um médio de trabalho, forte defensivamente, mas viu a carreira acabar precocemente por causa de um joelho.
2016-01-20

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1980

Nascido e criado em Penafiel, Babo era um médio de trabalho, forte defensivamente, que aproveitou a circunstância de o clube da terra ter chegado à I Divisão quando ele estava a atingir a idade adulta e numa altura em que os adeptos valorizavam o facto de os clubes terem jogadores da terra. Impôs-se como titular aos 24 anos, mas viu a carreira acabar precocemente devido a lesão.

Juvenil e júnior do FC Penafiel, Babo estreou-se na equipa principal com 19 anos, ainda que sendo pouco utilizado na época em que o treinador Luís Miguel a subiu à I Divisão. Fez a festa da vitória sobre o Bragança, na última jornada, por 3-1, a assegurar o primeiro lugar da Zona Norte, e passou o verão a antecipar a estreia no escalão maior. E a verdade é que não podia sonhar com estreia mais especial: depois de ver do banco as primeiras quatro jornadas, teve a alegria de ser titular pela primeira vez à quinta, a 21 de Setembro de 1980, o dia em que o Penafiel recebia o Sporting, na altura campeão nacional. Ajudou a aguentar o 0-0 até ao intervalo, mas os golos de Manuel Fernandes e Barão no primeiro quarto-de-hora da segunda parte levaram o treinador a substituí-lo por Faia, na tentativa de discutir o jogo. No fim os leões ganharam por 2-0 e o último lugar do Penafiel, com apenas dois pontos, levou à chicotada psicológica: saiu Luís Miguel, entrou António Oliveira, que estava em litígio com o FC Porto e se assumiu como treinador-jogador.

Babo ainda fez dois jogos como suplente utilizado, em Outubro, mas depois desapareceu das escolhas, só reaparecendo nos últimos minutos da derradeira jornada, o empate em casa com o Varzim que carimbou o décimo lugar final. Ganhou ainda assim o direito a fazer parte do plantel seguinte. E em 1981/82 ainda não jogou muito, mas a sua entrada na equipa parecia funcionar como talismã, pois o Penafiel não perdeu nenhum dos seis jogos que, entre campeonato e Taça, ele fez até finais de Março. Nessa altura, as derrotas em Braga e em Alvalade – esta a custar a eliminação nos quartos-de-final da Taça de Portugal – desmentiram a ideia de que o Penafiel era invencível com o miúdo e o 13º lugar na tabela final obrigou o clube a jogar a Liguilha com os segundos colocados das três zonas da II Divisão. Correu mal e o castigo foi um ano no escalão secundário.

Conseguida nova subida, outra vez como vencedor da Zona Norte, Babo voltou no verão de 1983, como parte da equipa dirigida por Fernando Tomé. E começou a época como titular: estava em campo na noite de finais de Agosto em que, com 0-0 ao intervalo, em Alvalade, Josef Venglos fez entrar Futre para a estreia na Liga, revolucionando um jogo que o Sporting venceu por 5-1. Babo foi perdendo e recuperando o lugar no onze, tanto com Tomé como com Luís Miguel, que voltou a Penafiel em Dezembro, mas estava em campo na última jornada, aquela em que, já com Ferreira da Costa aos comandos na qualidade de treinador-jogador, os durienses asseguraram a manutenção, apesar da derrota em Guimarães (1-0): valeu-lhe a derrota do Estoril nas Antas, em simultâneo. Terá sido a sua época de afirmação, uma vez que em 1984/85 já se assumiu como titular de pleno direito, tanto para Manuel Barbosa, que começou a época, como depois para Fernando Cabrita, que veio concluí-la no décimo lugar. Babo só falhou dois jogos em todo o campeonato – os empates a zero em Vila do Conde com o Rio Ave e em casa com o Farense – e fez mesmo o primeiro golo da sua carreira sénior, no empate caseiro com o Portimonense (1-1), a 2 de Março de 1985.

Viria a marcar mais um, numa vitória em casa frente ao Sp. Covilhã, em Fevereiro de 1986, culminando mais uma temporada em que foi fundamental para os treinadores que lideraram a equipa. Em 1986/87 só esteve ausente numa partida de campeonato e jogou todos os minutos da caminhada que levou o Penafiel até à meia-final da Taça de Portugal, perdida em dois jogos para o Benfica: 0-0 em casa e 1-4 na Luz. Apesar da boa campanha na Taça de Portugal, a equipa terminou a Liga em 15º lugar e voltou a cair na II Divisão. Voltou a subir à primeira tentativa, desta vez através da Liguilha, mas no regresso ao escalão principal, Babo já não era o médio disponível que tinha sido no auge. José Romão, que conduziu o Penafiel a mais um décimo lugar, só o utilizou uma vez, no empate a zero frente ao Chaves, a 30 de Agosto de 1987. Foi a sua despedida do campeonato, com 27 anos, mais uma vez num jogo em que a equipa não sofreu golos: acabou empatado a zero. Debatendo-se com problemas nas cartilagens de um joelho, Babo ainda passou um ano no Felgueiras, na II Divisão, abandonando o futebol logo a seguir para se dedicar a um negócio próprio no ramo alimentar.