Perguntas & Respostas

AT: Qual foi o jogo da sua vida?

Vítor Gomes: Talvez a finalíssima da Taça de Portugal de 1978, um Sporting-FC Porto que ganhámos por 2-1 e em que fiz um jogo extraordinário. Fiz um golo e dei o outro ao Manuel Fernandes. Havia muita preocupação do nosso treinador, o Rodrigues Dias, em relação ao António Oliveira, a ponto de eu, no meu espírito rebelde, lhe ter perguntado: “mas se o Oliveira não tocar na bola a gente joga bem?”. A verdade é que o Oliveira lesionou-se entre a final e a finalíssima. Eu estava fresquinho e no início da segunda parte arranquei por ali a fora, passei por todos os que me apareceram á frente e fiz golo. Depois repeti a graça mais pela direita e fiz o passe para o Manuel Fernandes marcar o 2-0.

AT: E o maior craque com quem jogou?

Vítor Gomes: É difícil. Talvez o Fraguito, que era um tresloucado. O Manuel Fernandes, que também jogou comigo na CUF. E o Keita. Mas não estarei a ser justo com todos.

AT: Por fim, qual foi o adversário mais complicado que apanhou pela frente?

Vítor Gomes: Sinceramente, eu é que não podia faltar à equipa. Uma vez, no Sporting, o Jimmy Hagan veio ter comigo e disse-me: “Vítor, very strong, mas joga mal. Não joga domingo”. E eu pensei: “Estou feito ao bife”. Fui falar com os craques, a contar-lhes isto. Eles então foram ter com o Hagan para lhe dizer: “Mister, se não joga o Vítor quem é que corre? Quem é que nos faz a papinha toda?” O que aconteceu foi que fiz o treino de conjunto pelas reservas e na sexta-feira o Hagan veio ter comigo e disse-me: “Vítor, afinal, joga bem. Vai jogar domingo”. Isto aconteceu em 1977, antes de um jogo com o Benfica, para a Taça de Portugal, que fiz a defesa-direito. Ele andava cheio de medo do Chalana, mas o Chalana saiu ainda na primeira parte e, já perto do final, fiz as jogadas para os três golos do Manoel. Ganhámos por 3-0.