Jogou quatro anos da Académica, na altura em que deixou Viana do Castelo para se licenciar. Era um defesa fiável, tanto à direita como à esquerda, para onde chegou a ser desviado. Mas assim que pôde regressou a casa e ao Vianense.
2018-02-04

1 de 4
1941

Chico Lopes teve uma passagem rápida pelo campeonato nacional. Estreou-se em Janeiro de 1942, quando Alberto Gomes, que com ele partilhava as origens minhotas, passou a treinador-jogador da Académica e nele viu capacidades para substituir o retirado Portugal na direita da defesa. No Verão de 1945, porém, concluída a licenciatura, Chico Lopes voltou para Viana do Castelo e à equipa do Vianense, onde já o esperava o mesmo Alberto Gomes, que além de ter sido o primeiro internacional da Briosa, era também dono e professor de um colégio naquela cidade minhota.

Sem a categoria de Alberto Gomes, Chico Lopes foi o defesa mais regular da Académica nos quatro anos em que vestiu a camisola negra dos estudantes. Já trazia algum traquejo, dos jogos pelo Vianense, na II Divisão, quando se estreou na equipa que acabaria por ganhar facilmente o regional de Coimbra, em finais de 1941. Foi por isso natural que, ao fazer a equipa para a estreia no campeonato nacional, a 18 de Janeiro de 1942, Alberto Gomes o tenha escalado como defesa-direito. Chico Lopes estreou-se com uma pesada derrota: 2-6 com o Barreirense no Campo do Rossio, mas viria a falhar apenas um dos jogos da Académica nesse campeonato. Um campeonato que a equipa chegou a comandar quando, a 15 de Março, ganhou em casa ao Belenenses por 5-2. Aliás, nessa época, só uma equipa saiu do Campo de Santa Cruz sem perder: o Sporting, que ali ganhou por 2-1, na penúltima jornada de uma prova que a Académica acabou num honroso quinto lugar.

Tendo participado em 21 das 22 jornadas e nos dois desafios que levaram à surpreendente eliminação da Taça de Portugal, pelo Unidos de Lisboa, Chico Lopes só foi superado, em minutos de jogo, por Mário Reis e Octaviano. Encarou, por isso, com otimismo a segunda época, na qual chegou a Coimbra o então jovem treinador Severiano Correia. Severiano começou por desviá-lo para a esquerda da defesa, para encaixar uma tentativa de regresso do lendário capitão José Maria Antunes, que acabara já a licenciatura em medicina, mas a meio da época Chico Lopes voltou à direita, onde se sentia melhor. A época voltou a ser pautada pela regularidade, com participação em 16 das 18 jornadas, incluindo as vitórias sobre o Sporting (4-2 em Lisboa) e o FC Porto (5-2 em casa). A causa das duas ausências foi o castigo que se sucedeu à expulsão no Barreiro, em partida frente ao Unidos, na décima jornada.

O sexto lugar final serviria de pouco para mais uma Taça de Portugal falhada: Chico Lopes foi defesa-direito na demolição frente ao Belenenses, nas Salésias (0-5), logo na entrada em competição. Já seria um sinal do que aí vinha, pois correria ainda pior a terceira época em termos de campeonato, que a Académica terminaria em nono (penúltimo) lugar, com apenas três vitórias em 18 jogos. Ausente nas primeiras três jornadas, Chico Lopes tornou-se depois fixo como defesa-direito de Severiano Correia, que dele fez totalista na campanha que conduziu a Académica à meia-final da Taça de Portugal. Eliminados o Salgueiros e o Vitória FC, com quatro vitórias – jogava-se a duas mãos – a Académica só baqueou frente ao Benfica, que acabaria por vencer a competição.

Aquela era, contudo, uma Académica a precisar de renovação. Em 1944, Alberto Gomes voltou mesmo para Viana do Castelo. Chico Lopes ainda ficaria mais um ano, antes de se lhe juntar no Minho, mas foi um ano fraco em termos de resultados para a Briosa. Tirando o tradicional título regional – e mesmo esse já foi conquistado com mais dificuldades do que era costume – a equipa andou sempre pelo fundo da tabela. Acabou outra vez na penúltima posição, tendo Chico Lopes feito o seu último jogo de campeonato a 8 de Abril de 1945, perdendo por 2-1 com o Sporting em Santa Cruz. Jogaria mais duas vezes pela Académica, mas apenas para marcar presença na surpreendente eliminação da Taça de Portugal, aos pés do Boavista, que então andava na II Divisão. Depois das férias de 1945, acabou por ficar em Viana do Castelo, para jogar o escalão secundário ao lado de Alberto Gomes e Rogério Contreiras, um guarda-redes que ainda viria a alinhar pelo Benfica.

Chico Lopes passou mais oito anos a jogar na defesa do Vianense, sem grande destaque. Ter-se-á retirado em 1953, com 31 anos, depois de um modesto nono lugar da Zona A da II Divisão.