Campeão mundial de juniores em 1989, batia-se com Vítor Baía nas camadas jovens. Mas Bizarro nunca conseguiu assumir-se como titular de uma equipa de alta roda.
2016-01-11

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1992

Campeão mundial de juniores, em 1989, como titular da equipa que abriu o caminho à que ficou conhecida como geração de ouro, o guarda-redes Bizarro fez uma carreira sénior aquém daquilo que prometia. Nos primeiros anos, não só se batia com Vítor Baía, como o relegava para o banco nas seleções nacionais. Mas à medida que os dois foram crescendo, Baía acumulou títulos e jogos na seleção principal, ao passo que Bizarro não chegou à meia centena de partidas na I Divisão, nunca se assumindo como titular a não ser nos escalões secundários.

Não é fácil de perceber e de explicar a forma como as carreiras dos dois guarda-redes prediletos daquela primeira geração-Queiroz se separaram. Chegado ao FC Porto nos sub-17, vindo do Leixões, Bizarro mantinha com Baía um esquema de rotação, em que um defendia nos jogos em casa e o outro nos jogos fora. Na seleção, porém, era ele o titular. A sua fama atravessou o país e chegou ao Benfica, onde pensaram recrutá-lo. Como não estava satisfeito com aquela rotação, em 1987, antes de entrar no segundo ano de júnior, Bizarro trocou as Antas pela Luz. Os dois continuaram na seleção, mas agora em representação de clubes rivais. E o Benfica de Bizarro até ganhou o Nacional de juniores decidido antes da fase final do Europeu da categoria, na Checoslováquia, que Portugal perdeu na final para a URSS. A ideia de Carlos Queiroz era levar os dois ao Mundial da Arábia Saudita, em Fevereiro e Março de 1989. Só que, entretanto, com o regresso de Artur Jorge às Antas, Baía ganhou a baliza dos dragões a Mlynarczik e o clube não o libertou para jogar uma prova de juniores. Sem concorrência, Bizarro fez um grande Mundial, com cinco balizas virgens em seis jogos. E Portugal foi campeão do Mundo, batendo na final a Nigéria, por 2-0.

De regresso a casa, os heróis de Riade foram logo vistos com outros olhos nos clubes. Parte do plantel campeão nacional de 1989/90, Bizarro ainda foi para o banco na receção ao Nacional, em Abril, mas não chegou a jogar e por isso não pode somar o título ao seu palmarés. E no Verão de 1989, enquanto Baía continuava na baliza do FC Porto, Bizarro começava um périplo pela II Divisão que o fez atrasar-se. Ainda foi titular no Leixões de António Medeiros, em 1989/90, mas depois foi infeliz na opção pelo sul do país: assinou pelo Louletano, onde viu o experiente Carlos Pereira ser o preferido de Joaquim Teixeira. Apesar de mais uma época na Ovarense com utilização intermitente, Bizarro conseguiu voltar à I Divisão em 1992, com a camisola do Marítimo. O desafio que se lhe apresentava não era fácil, porque o dono das balizas verde-rubras era o brasileiro Everton, mas quem começou a época como titular foi mesmo Bizarro, que se estreou na prova a 23 de Agosto de 1992, com uma vitória por 2-1 em Chaves. Convocado para todos os jogos por Paulo Autuori, só alinhou dez vezes, mas teve um contributo importante para o quinto lugar final dos insulares – e a qualificação europeia – porque o Marítimo só perdeu uma vez com ele em campo: um 2-0 nas Antas com o FC Porto, na última jornada da competição, já em Junho.

Com Edinho à frente da equipa, foi Bizarro quem jogou nos postes na primeira eliminatória da Taça UEFA de 1993/93. A estreia europeia fê-la a 14 de Setembro de 1993, mas não correu bem: derrota por 2-0 contra o Antuérpia, resultado que o 2-2 do Funchal, uma semana depois, não inverteu. Depois de ter jogado nas primeiras cinco jornadas da Liga, porém, Bizarro cedeu o lugar a Everton, para não mais voltar na caminhada em que o Marítimo repetiu o quinto lugar. Com o regresso de Autuori, mais à frente na época, o matosinhense continuou a alternar com Everton: em 1994/95 fez 13 jogos na Liga e pôde estar – ainda que no banco – na final da Taça de Portugal que os insulares perderam com o Sporting, por 2-0. Em 1995/96 ficou-se pelos quatro jogos e em 1996/97 fez a época mais preenchida, com mais 15 partidas. O empate a zero com o Benfica na Luz, a 22 de Dezembro de 1996, foi a sua coroa de glória nessa temporada em que se despediu da I Divisão para não mais voltar. O seu último jogo foi a vitória por 6-0 sobre o Gil Vicente, a 25 de Maio de 1997. Finda a temporada, seguiu para a II Liga espanhola, onde se assumiu como titular do Ourense. Os três anos em Espanha, no entanto, não lhe serviram como passaporte para o regresso ao futebol de alta roda. Andou dois anos pelo Rio Ave, outros dois pelo Leixões, antes de abandonar a carreira aos 35 anos, no Maia. Tornou-se depois treinador de várias equipas nos escalões secundários, bem como do seu filho Tiago, ele próprio guarda-redes de profissão.