Assinou uma carreira longa e cheia de golos nas várias divisões. A Constantino, chamavam-lhe “Tino Bala”, pela rapidez e pela facilidade em disparar que lhe valeu ser terceiro melhor marcador de um campeonato com a camisola do Leça.
2017-11-15

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1987

Veloz e incisivo, Constantino levava muito a sério essa coisa de meter a bola dentro da baliza. A natureza não tinha dotado com físico de ponta-de-lança (mede apenas 1,70m), mas ele sabia compensar isso mesmo com outras armas. Conhecia bem os espaços todos no meio-campo adversário e explorava-os como poucos, sempre que as suas equipas saíam em contra-ataque. E a finalizar pedia meças aos melhores. Foi assim que se tornou lenda no Leça, o clube onde foi mais feliz em quase 20 anos de carreira.

Sobrinho de Seninho, estrela portista dos anos 70, o jovem Constantino ainda tentou a sorte no FC Porto, mas foi um patamar abaixo, no Salgueiros, que fez a formação como futebolista. Era a maior promessa da equipa de juniores quando, em 1986, Humberto Coelho o chamou para treinar com o plantel principal. A estreia, porém, quem lha deu já foi Rodolfo Reis, na época seguinte: a 15 de Março de 1987, com o Salgueiros a perder em casa com o Marítimo, o técnico resolveu ao intervalo substituir um defesa (Olavo) por mais um atacante e lançou o miúdo. Não resultou, pois o Salgueiros acabou mesmo por perder o desafio, mas Costantino ainda viria a atuar mais uma vez na temporada de estreia, outra vez como suplente utlizado, a 5 de Abril, numa vitória caseira sobre O Elvas. No final, o 14º lugar dos salgueiristas teria valido descida de divisão, não fosse o providencial alargamento do campeonato para 20 equipas. E, tanto com Fernando Festas à frente da equipa como, sobretudo a partir de meio da época, com António Fidalgo, Constantino pôde ter mais continuidade.

Marcou o primeiro golo a 17 de Janeiro de 1988, numa vitória caseira sobre o Marítimo (1-0), pouco depois de substituir Santos Cardoso. Titular pela primeira vez a 13 de Fevereiro, viria a faturar mais duas vezes, em empates nos terrenos do SC Braga e do Belenenses, mas o final da época acabou por ser aziago, pois o Salgueiros foi penúltimo na prova e desceu de divisão. Em mais duas épocas em Paranhos, a segunda das quais com vitória final na Zona Centro e no campeonato nacional da II Divisão, Constantino nunca mais teve tanta regularidade. Não subiu, por isso, com os companheiros de equipa, tendo em contrapartida passado mais três anos nos escalões inferiores, no Recreio de Águeda, no CD Aves e União de Lamas. Aqui, no campeonato da II Divisão B, fez mesmo 21 golos em 1992/93, o que lhe valeu um contrato com o Leça. Iria começar ali, aos 25 anos, a segunda carreira de Constantino.

Assumindo-se como jogador de contra-ataque, passou cinco anos com a camisola do Leça, mas foi nos três no escalão principal que mais golos fez. Ali, com uma equipa mais defensiva, era mais avançado do que extremo e respondia com golos. Voltou a ser campeão da II Divisão em 1995, mas desta vez ficou na equipa após as férias. E logo na primeira época Constantino fez 15 golos, acabando como terceiro melhor marcador do campeonato, atrás apenas de Domingos e João Pinto. Repetiu a marca no campeonato de 1996/97, campeonato em que assinou dois “hat-tricks” (ao União de Leiria e ao Belenenses) e no qual marcou em ambos os jogos contra o FC Porto, o que terá motivado uma abordagem do Albacete, de Espanha. Constantino não saiu, ainda fez mais uma temporada em Leça da Palmeira – outra vez acima dos dez golos e a marcar nas duas vezes que defrontou o FC Porto – e acabou depois por optar pelo Levante, equipa que andava pela II Divisão B espanhola.

O angolano anda contribuiu com oito golos para a subida de divisão dos valencianos, mas a meio da época de 1999/00 acabou por aceitar regressar a Portugal. Entrou em Janeiro no Campomaiorense, que ainda ajudou a escapar à despromoção. A troca de Carlos Manuel por Diamantino Miranda, em Novembro de 2000, e a perda das capacidades que o haviam notabilizado, como a rapidez, fruto da veterania, levaram a que a meio da época seguinte fosse considerado dispensável. Despediu-se da I Divisão a 15 de Dezembro, já com 33 anos, numa derrota em casa frente ao Vitória SC, na qual jogou os últimos 28 minutos em vez do paraguaio Cañete. O “Tino Bala”, como ficara conhecido nos tempos áureos, fez a segunda metade da época no União de lamas, regressando em 2001 ao Leça, onde tinha sido mais feliz. A realidade do clube era, no entanto muito diferente da que ele tinha conhecido, quando jogara ao lado de Sérgio Conceição ou Ricardo Carvalho. Era um clube cheio de dívidas, ao Estado e aos jogadores, que em virtude disso acabou por descer dois anos seguidos, primeiro para a II Divisão B e depois para a III Divisão.

Constantino retirou-se em 2005, depois de jogar pelo CD Tondela no distrital de Viseu e pelo Santa Marta de Penaguião a Série B da II Divisão. Iniciaria pouco depois uma já longa carreira de treinador adjunto, que o levou a passar pelo Leça, pela formação do Boavista e ultimamente pelo Canidelo. Atualmente é um dos auxiliares de Abílio Novais nesta equipa do regional da AF Porto e funcionário da Matosinhos Sport, a empresa da Câmara Municipal de Matosinhos para a gestão das infraestruturas desportivas locais.