Sobre ele só se sabe que fazia golos. Muitos. Pertenceu-lhe, por exemplo, o primeiro que o SC Braga fez no campeonato. E foi uma das estrelas da primeira equipa arsenalista a subir e a alinhar depois na I Divisão.
2017-10-15

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1950

Havia um nome a ter em conta na equipa do SC Braga que se estreou na I Divisão, em 1947. Chamava-se Mário e era o responsável por essa coisa importante que são os golos. Logo no primeiro dia, com o Benfica pela frente, mostrou ao que vinha: com nove minutos de jogo, bateu Contreiras e assinou o primeiro golo dos bracarenses na I Divisão. Muitos se seguiriam, até a idade lhe roubar influência na equipa e o forçar a um anonimato do qual é hoje, 70 anos depois, muito difícil resgatá-lo.

A primeira vez que os livros falam deste Mário é em 1947, quando, depois de ter ajudado o SC Braga a ganhar a Série 4 da II Divisão, foi o avançado-centro titular na fase final que conduziu o clube arsenalista ao título de campeão do escalão secundário. A decisão aconteceu tarde e a más horas, a 29 de Junho, semanas depois de terem terminado todos os restantes jogos, porque um inquérito federativo levou ao adiamento do jogo do SC Braga no terreno do Unidos do Montijo e a algumas irradiações de dirigentes, não nomeados pela imprensa da altura. Sabendo que se ganhassem eram campeões, os bracarenses, dirigidos por Alberto Augusto, impuseram-se por 2-0, tendo Mário feito o primeiro golo.

A 16 de Novembro de 1947, Mário estava, dessa forma, nos onze escolhidos do treinador para a estreia no campeonato. E logo aí, mesmo tendo pela frente o Benfica, fez o tento de honra arsenalista, logo aos 9’. Serviu de pouco, que o Benfica ganhou por 6-1 (e a essa altura já vencia por 2-0). Mas Mário marcaria muitos mais logo na sua temporada de estreia: foram 11 golos em 17 partidas, entre eles os bis ao Lusitano de Vila Real de Santo António e ao Atlético, aos quais juntou um hat-trick ao Leões de Santarém, na Taça de Portugal. Os bracarenses acabaram o campeonato na penúltima posição, suficiente, ainda assim, para a manutenção.

Coletivamente, a segunda temporada correu melhor a SC Braga, mas pior a Mário, que se ficou pelos sete golos. Pertenceu-lhe, ainda assim, a honra de fazer o golo da vitória (1-0) sobre o Sporting, a 24 de Outubro de 1948. Aliás, dos quatro grandes, nesta época, só o Benfica passou em Braga, tendo o FC Porto (2-0) e o Belenenses (3-1) baqueado por lá também, o que ajuda a explicar o oitavo lugar final do SC Braga. E, tendo os bracarenses mantido o oitavo lugar em 1949/50, Mário redescobriu a veia goleadora: nesse campeonato, acabou com 17 golos, neles se incluindo uma série de cinco partidas seguidas sempre a marcar, entre a segunda e a sexta jornada. Obteve ainda o primeiro hat-trick no campeonato, nuns históricos 6-0 ao FC Porto, a 4 de Dezembro de 1949, na mesma semana em que era colocada a primeira pedra da construção do novo Estádio das Antas.

O SC Braga era já um valor seguro no campeonato. E Mário aumentava os totais goleadores. Em 1950/51, chegou aos 19 golos, que ainda assim não lhe valeram mais do que um sexto lugar na tabela dos melhores marcadores. Num campeonato em que só perdeu um jogo – a visita ao FC Porto – Mário viria a fazer mais um hat-trick (ao Estoril) e três bis (à Académica, Boavista e Olhanense). Disso se aproveitava o SC Braga, que terminou a competição em sétimo lugar. Os 30 anos, no entanto, significavam para Mário algum declínio. Em 1951/52 já só fez 13 golos, mantendo, ainda assim, alguma regularidade exibicional e assinando o último hat-trick, ao Oriental (4-1), a 10 de Fevereiro de 1952. A chegada a Braga de Vital, avançado vindo do FC Porto, levou a que Mário fosse jogando menos. A equipa, porém, começou a cair: escapou à justa à descida em 1953 – e para isso terá contribuído o último golo de Mário na I Divisão, a 19 de Abril de 1953, nuns 4-1 ao Oriental que, conjugados com a derrota do Estoril no terreno do FC Porto, condenavam os canarinhos e salvavam os minhotos.

Mário despediu-se do campeonato uns dias antes de completar 32 anos, a 11 de Outubro de 1953, ante o mesmo adversário com que tinha aberto a conta. Jogou na derrota frente ao Benfica no Campo Grande (1-2) e arrumou as botas. Com a chegada de Corona (ex-Benfica) e a afirmação de Gabriel (chegado um ano antes do Leixões e que mais tarde jogaria no Sporting), os bracarenses voltavam a ter um ataque de respeito.