Pontapé-canhão, Dinda passou de extremo no Brasil a médio centro em Portugal. Fez quatro boas épocas em Leiria, depois de ter subido de divisão duas vezes, e ainda passou no Marítimo, onde uma lesão o impediu de ser melhor.
2016-08-18

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1992

Tinha um pontapé que mais parecia um coice de mula. Se davam a Dinda o espaço para aplicar o seu remate de fora da área, o estrago era certo e foi muito disso que se fez a grandeza da U. Leiria antes de por lá passar a revolução de Mourinho. De resto, este sergipano sempre bem disposto e sorridente levou o seu tempo a adaptar-se ao futebol europeu: chegou em 1993, rotulado de extremo e goleador, brilhou uns cinco anos depois como médio-ofensivo e acabou por fazer carreira com responsabilidades na condução de jogo das suas equipas. Apagou-se ao fim de uns anos bons, na U. Leiria e no Marítimo, mas ainda jogou em equipas de menor dimensão, no Brasil, com uma lesão a prejudicar-lhe o rendimento.

Sergipano de Pedra Branca, Jailton dos Santos, conhecido como Dinda, começou a jogar no Confiança, de Aracaju. Era um extremo-direito com golo e resistência, pelo que naturalmente o seu clube tentou capitalizá-lo, com empréstimos a clubes mais poderosos e ricos. Fez o campeonato pernambucano de 1991 pelo Náutico, mas nem os 15 golos que marcou chegaram para que os vermelhos e brancos ficassem com ele. O Confiança não esteve com meias medidas e acertou novo empréstimo, desta vez para o Sport, clube rival do Recife. Aqui, Dinda voltou a brilhar, apesar de ter visto o início atrapalhado por não ter sido recomendado pelo treinador, Givanildo de Oliveira. Só que os golos que ele fazia saindo do banco eram tantos, que a torcida passou a exigir a sua entrada no onze titular. E assim se fez. No segundo jogo da final do campeonato pernambucano de 1992, jogando como titular, Dinda fez os dois golos da vitória sobre o… Náutico. O resultado valeu ao Sport um terceiro jogo, ganho com mais um golo de Dinda, que assim se tornou fundamental na conquista do título estadual.

Sem sucesso no estadual de 1993, ganho pelo Santa Cruz, Dinda acabou por chegar a Portugal nesse Verão, para jogar na U. Leiria, que disputava a II Divisão de Honra. Na primeira época não jogou com muita regularidade, mas ainda fez um golo na subida de divisão da formação comandada por Manuel Cajuda. Acabou, por isso, dispensado ao Lusitânia de Lourosa, da II Divisão B. A meio da época, porém, Vítor Manuel mandou-o regressar à base: estreou-se no campeonato a 26 de Março de 1995, entrando para o lugar de Bambo a 19 minutos do fim de uma goleada de 5-0 que a U. Leiria conseguiu na receção ao Farense. Até final da época ainda jogou mais uma vez. Foi titular na última jornada, em casa contra o Beira Mar, a 28 de Maio, e fez o primeiro golo dos leirienses, que estiveram a perder mas acabaram por ganhar por 3-1, terminando o campeonato no sexto lugar. Eram bons sinais, mas Dinda não os confirmou de imediato.

O regresso à II Liga era o que ele mais precisava para ganhar balanço. Passou um ano em Paços de Ferreira, onde os seus cinco golos chegaram para ser o segundo melhor marcador de uma equipa que passou boa parte da época a ameaçar subir. Passou depois para a Académica de Vítor Oliveira, onde foi mesmo decisivo: pertenceram-lhe os dois golos de uma vitória (2-0) nas Aves, a três rondas do fim, que permitiu fazer a festa da promoção uma semana depois, em casa, frente ao Estoril. Dinda, contudo, não seguiu com a equipa para a I Divisão: Vítor Oliveira, já na altura um especialista em subidas, levou-o com ele para Leiria, onde a União tinha caído para o escalão secundário. E esse foi o ano em que Dinda disparou: fez onze golos na promoção da U. Leiria, dividindo com Duah e Reinaldo a honra de ser melhor marcador da equipa, e juntou-lhes mais dois na caminhada que os leirienses fizeram até às meias-finais da Taça de Portugal. Os seus tiros de longe já começavam a ganhar fama no futebol português.

Quando Dinda finalmente se consolidou na I Divisão, na U. Leiria de Mário Reis, já tinha 26 anos. Ainda foi a tempo de algumas boas épocas, no entanto, ajudando a obter o sexto lugar em 1998/99 e o quinto de 2000/01. Na memória guarda, por exemplo, um golo ao Benfica, a valer uma vitória por 2-1 à equipa já orientada por Manuel José, em Abril de 2000. Ao terceiro ano, contudo, optou por rumar ao Marítimo, onde o salário era melhor e Nelo Vingada construía uma equipa ambiciosa. No Funchal, porém, Dinda nunca foi particularmente feliz. Foi fazendo golos, mas sempre sem uma utilização regular que justificasse a renovação do contrato. Marcou o último golo no campeonato já com Manuel Cajuda aos comandos, numa derrota por 2-1 frente ao Rio Ave, a 1 de Fevereiro de 2004. Despedir-se-ia da competição a 5 de Abril, com 31 anos, substituindo Rincon a um minuto do fim de uma vitória por 2-0 sobre o Belenenses. De regresso ao Brasil, ainda jogou no Atlético Paranaense, baixando depois a exigência, para vestir as camisolas de Guarani, Murici, Vitória de Tabocas e Belo Jardim.