Chegou de forma precoce à equipa do Leixões, mas só aos 23 anos nela se afirmou verdadeiramente. Passou mais de uma década na I Divisão antes de ajudar o Sp. Espinho a lá chegar e de cair à última barreira com o Aliados de Lordelo.
2016-08-11

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1967

Era um jogador discreto, que se afirmara como médio, mas que era capaz de cumprir como defesa-direito. No Leixões, onde fez a formação, formou uma das primeiras gerações de “bebés”, surgindo de forma precoce, aos 18 anos, na equipa que acabara de vencer o FC Porto na final da Taça de Portugal, em plenas Antas. Ainda levou uns cinco anos a afirmar-se, entre utilizações intermitentes e um ano de empréstimo ao U. Lamas, para ganhar rodagem, mas quando voltou foi para se tornar um dos pilares da equipa matosinhense. Gentil ficou a um campeonato dos 200 jogos na I Divisão com a camisola do Leixões, clube que deixou já trintão, para ajudar nas tentativas de subida de escalão do Sp. Espinho e do Aliados de Lordelo.

A estreia pela equipa principal fê-la a 5 de Novembro de 1961. Sem Jacinto e Mário Ventura e já a pensar na eliminatória europeia com os romenos do Progresul, que se aproximava velozmente, o treinador espanhol Filipo Nuñez foi aos juniores buscar um centrocampista para enfrentar o jogo com a CUF, no Estádio do Mar. Deu-lhe a titularidade e o Leixões obteve a primeira vitória desse campeonato, à quinta jornada (2-1). Até final da época, porém, Gentil só alinhou mais duas vezes: no empate caseiro frente ao Feirense, na Taça de Portugal (3-3, com uma assistência para golo de Abraão) e no empate contra o Belenenses (1-1), a 8 de Abril de 1962, no qual fez o primeiro golo da sua carreira sénior. Ainda assim, não entrou nas contas do treinador brasileiro Lourival Lorenzi, em 1962/63, só voltando a alinhar pela equipa do Leixões em Outubro e Novembro de 1963. E aí confirmou a ideia de que era um jogador-talismã, pois a equipa agora orientada por Carlos Bauer voltou a ganhar os dois jogos: 3-1 ao Barreirense, no Barreiro, com uma assistência para Ventura e um remate próprio na origem do primeiro golo de Esteves, e 1-0 ao V. Guimarães.

Seja como for, os treinadores passavam e Gentil continuava à porta da equipa. Pedroto, em 1964/65, só o chamou uma vez, e para jogar a defesa-direito, na derrota por 3-2 no Restelo, frente ao Belenenses. E só depois de um ano passado por empréstimo na II Divisão, com a camisola do U. Lamas, é que Gentil se afirmou verdadeiramente no onze. Entre campeonato (sétimo lugar) e Taça de Portugal (afastado nos quartos-de-final pelo V. Setúbal), o médio de Leça esteve em 27 jogos da equipa agora comandada por Manuel de Oliveira. A 4 de Dezembro de 1966, por exemplo, estava na equipa leixonense que ganhou por 1-0 ao Sporting em Alvalade, lançando a confusão entre os ainda campeões nacionais. Voltou a ganhar a um grande em 1967/68 (2-1 ao FC Porto, no Mar), época a partir da qual se impôs mesmo como patrão da equipa para todos os treinadores que por ali passaram. A 19 de Setembro de 1968 estreou-se nas provas europeias, participando no empate a uma bola com os romenos do Arges, mas a tarde não lhe correu bem, pois a meio da segunda parte foi expulso pelo árbitro espanhol, por se envolver numa briga com Prepurgel, médio do adversário. Já não jogou a segunda mão, na Roménia, e o empate a zero verificado em Pitesti deixou o Leixões de fora da prova.

Golos ao Belenenses (em 1968/69) e ao Sp. Braga (este o seu último na competição, num remate de longe, a 18 de Janeiro de 1970) completaram o quadro de caça de um médio mais regular do que inspirador do ponto de vista ofensivo. Nessa época, em que António Teixeira voltou ao comando dos “bebés”, o Leixões chegou à meia-final da Taça de Portugal, mas Gentil não alinhou nos dois jogos com o Benfica (derrota por 8-0 na Luz e um insignificante empate a uma bola em casa). A sua época mais regular, a de 1971/72, na qual esteve em todos os jogos dos matosinhenses, foi também a mais confusa para o clube, que teve quatro treinadores até assegurar a permanência com um 14º lugar que chamava a atenção para algumas limitações. Era hora de dar lugar a uma nova geração de bebés, o que implicou a menor regularidade de Gentil nas duas épocas em que ainda serviu o clube: despediu-se do clube e do campeonato a 29 de Maio de 1974, quando Haroldo Campos o fez entrar nos últimos 20 minutos de uma vitória em casa frente ao FC Porto que garantia a permanência, em mais um 14º lugar.

O treinador brasileiro com nome de poeta não manteve a confiança em Gentil, que aos 31 anos foi à procura de clube. Ainda participou na subida de divisão do Sp. Espinho, em 1977, através da Liguilha, tendo estado ao lado de Jaime Pacheco no momento mais alto da história do Aliados de Lordelo, quando a equipa foi segunda na Zona Norte da II Divisão e quase ascendeu também ao primeiro escalão, acabando por baquear no torneio de apuramento. Gentil seguiu aí para a III Divisão, onde representou ainda a Sanjoanense, alinhando por algumas equipas amadoras antes de pendurar as chuteiras.