Portugal parecia encaminhado para o título de campeão europeu, mas perdeu pela segunda vez na mesma prova com a Grécia, que levou a taça para casa
2016-07-04

1 de 1
2004

Estava tudo preparado para a festa portuguesa. Todo um país de bandeiras à janela, fruto da ação do treinador-merketeer que sempre foi Luiz Felipe Scolari. Milhares de pessoas a aplaudirem o autocarro da seleção no caminho entre Alcochete e o Estádio da Luz, onde Portugal ia jogar a final do seu Europeu com uma Grécia de futebol defensivo que ninguém via como campeã da Europa. Os gregos já tinham ganho a Portugal no jogo de abertura, mas entretanto Scolari fizera alterações várias no seu onze, com as introduções de Miguel, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Deco e Ronaldo. Até por isso, mas não só, todos achavam impossível que a Grécia voltasse a ganhar a Portugal. E no entanto, foi o que aconteceu. Marcou Charisteas, de cabeça, aos 57’, na sequência de um canto de Basinas.

Há quem defenda que a Grécia foi o mais feio campeão europeu de sempre, uma espécie de mínimo denominador comum daquilo em que o futebol estava a transformar-se. Montada pelo alemão Otto Rehaggel em cima de um 5x4x1 super-defensivo com marcações individuais, a equipa grega jogava com as armas que tinha. E fazia-as valer. A verdade é que em seis jogos ganhou por duas vezes a Portugal. Na final já teve mais dificuldades do que no jogo inaugural, mas mesmo aí beneficiou de um início demasiado contemplativo dos lusitanos, que só depois de se verem a perder carregaram em cima da baliza de Nikopolidis. Até lá, só o lateral Miguel, numa tabela, e o médio Maniche, num remate de ressaca após um canto, tinham causado algum frisson entre os adeptos presentes na Luz. Mas aos 57’ o jogo mudou: canto de Basinas, cabeça de Charisteas em cima de Costinha e Ricardo a meio caminho na saída dos postes a facilitar a vida ao ponta-de-lança grego. A Grécia, que já tinha ganho a meia-final à República Checa num golo de canto, voltava a colocar-se em vantagem no marcador.

Scolari, que já trocara Miguel – lesionado – por Paulo Ferreira, arriscou. Substituiu Costinha por Rui Costa e juntou-o a Deco no meio-campo. Mudou depois o ponta-de-lança (Pauleta por Nuno Gomes), mas Portugal nunca chegou ao golo que forçasse o prolongamento. Teve ocasiões para isso, mas nem Figo (dois remates na área) nem Ronaldo (em dois lances que mais tarde acabariam por tornar-se imagem de marca do melhor goleador da Europa) bateram Nikopolidis (pode ver o resumo do jogo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=iLYFC2b5p64). A taça foi grega, mas nunca antes Portugal estivera tão perto de a segurar.