Defesa central que tomou parte ativa no renascimento do Sp. Braga na década de 90, Artur Jorge chegou a partilhar as seleções jovens com muitos membros da geração de ouro. Se não subiu de patamar, terá sido muito por falta de continuidade.
2016-01-01

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1993

A agressividade e a concentração eram as maiores armas de Artur Jorge, defesa-central que tomou parte ativa no renascimento do Sp. Braga durante a década de 90, chegando a capitanear a equipa, puxando dos galões de ser um homem da casa. Do outro lado, os cartões amarelos e vermelhos eram o seu maior problema, porque impediam que tivesse a continuidade de que precisava para subir de patamar e manter-se ao lado dos que com ele partilharam o balneário na seleção de sub21 quando todos ficaram verdadeiramente adultos. Fez parte de uma geração de ouro, mas quem mais disso beneficiou foi o Sp. Braga, a quem dedicou quase toda a carreira e a quem deixa um filho como continuador.

Formado nas escolas do Sp. Braga, Artur Jorge começou a carreira no Arsenal, um clube criado para antecipar a chegada das equipas B. Por ali andou duas épocas, uma na III Divisão, outra na II Divisão B, antes de Vítor Manuel o chamar ao grupo de jogadores que ia enfrentar a Liga: Já tinha 20 anos quando se estreou, a 22 de Novembro de 1992, entrando a 3 minutos do fim de um jogo com o Belenenses, no Restelo, para ajudar a segurar uma vantagem de 2-1. A missão teve bons resultados e, na jornada seguinte, quando Sérgio se magoou, num jogo em casa contra o Paços de Ferreira, Vítor Manuel não hesitou e mandou o miúdo para o campo. O Sp. Braga voltou a ganhar, desta vez por 2-0, mas Artur Jorge não ficou para festejar até ao fim, pois foi expulso por António Marçal aos 89’, por acumulação de amarelos. Titular nos últimos tempos de Vítor Manuel à frente da equipa bracarense, Artur Jorge chegou então à seleção de sub21, estreando-se em Março de 1993, pela mão de José Alberto Costa, a jogar ao lado de Rui Bento num empate a uma bola com a Suíça em Yverdon.

A troca de treinador em Braga, com a entrada de António Oliveira para as últimas nove jornadas da Liga de 1992/93, levou a que Artur Jorge perdesse a titularidade no clube, mas não na equipa de promessas nacionais, onde continuou a alinhar ao lado de muitos campeões mundiais de sub20 e de futuros internacionais A. Ele, porém, nunca conseguiu dar esse passo em direção ao estrelato. Em parte porque o clube também vivia tempos difíceis: em 1993/94, primeiro com António Oliveira e depois com o Professor Neca, o Sp. Braga andou sempre a lutar para não descer de divisão, acabando o campeonato num comprometedor 15º lugar. Artur Jorge tornou-se regular na primeira equipa, mas só com a chegada de Manuel Cajuda, no Verão de 1994, esta se tornou verdadeiramente competitiva. Os dois vermelhos que viu na primeira época com o novo treinador atrapalharam-lhe a regularidade, que só conheceu verdadeiramente em 1995/96, época na qual até marcou o primeiro golo desde que deixara o contexto menos competitivo do Arsenal: a 31 de Março de 1996 fez, logo aos 6’, o 2-0 numa vitória por 3-2 sobre o Farense, no 1º de Maio.

A maturidade estava ali, ao virar da esquina e Artur Jorge arrancou para uma grande fase, que durou até à final da Taça de Portugal de 1998. Em 1996/97 só falhou dois jogos na caminhada do Sp. Braga de Cajuda até à quarta posição na tabela e, pela primeira vez na sua carreira ao mais alto nível, somou mais golos (três) do que expulsões (só uma, a tradicional, no jogo com o Boavista). Cajuda deixou o clube, o Sp. Braga apostou no galego Fernando Castro Santos e com um valioso contributo do seu defesa-central, chegou à terceira eliminatória da Taça UEFA, afastando o Vitesse e o Dynamo Tbilisi, caindo apenas aos pés dos alemães do Schalke. Artur Jorge fez os dois golos da vitória (2-0) sobre os holandeses, depois da derrota (1-2) em Arnhem e esteve em campo nos 180 minutos da eliminatória contra os georgianos (vitórias por 4-0 e 1-0), mas falhou o jogo em Gelsenkirschen, no qual o Sp. Braga perdeu por um 2-0 que anulou o empate a zero da primeira mão.

Falou-se tanto desse Sp. Braga, que Castro Santos acabou por sair a meio do campeonato, para se ocupar do Sevilha, deixando a equipa ao adjunto, Alberto Pazos, que levou a equipa à final da Taça de Portugal, perdida por 3-1 com o FC Porto. Foi o canto do cisne de Artur Jorge em Braga. O regresso de Cajuda, em 1999, ainda lhe permitiu reassumir alguma preponderância no seio da equipa e voltar a festejar um quarto lugar, no campeonato de 2000/01, mas a parti daí foi sempre jogando menos vezes. Em 2002/03, ainda fez dois golos, precisamente aos últimos dois campeões nacionais (Sporting e Boavista). O golo marcado ao então boavisteiro Ricardo, a 3 de Março de 2003, foi o último da sua carreira. A 13 de Dezembro desse ano, foi expulso pela última vez, por Duarte Gomes, numa derrota bracarense na Luz, contra o Benfica (0-2). E a 9 de Maio de 2004, Jesualdo Ferreira deu-lhe a última camisola bracarense. Saiu onde se tinha estreado: no Restelo, contra o Belenenses, entrando a 9 minutos do fim para ajudar a segurar uma vantagem de dois golos. Mais uma vez, a missão teve sucesso, mas no final da época, enquanto o país vivia o drama do Europeu, Artur Jorge assinava pelo Penafiel.

Em Penafiel, porém, só chegou a jogar uma vez. A derrota por 4-1 frente ao V. Setúbal custou o lugar ao treinador Manuel Fernandes, logo à primeira jornada, a 29 de Agosto de 2004, e o bracarense nunca fez parte das escolhas de Luís Castro, que o substituiu. Enveredou então por uma carreira de treinador que já o levou a dirigir o Famalicão e o Tirsense, além das camadas jovens do seu Sp. Braga. Ali, pôde acabar de moldar o sucessor: chama-se Artur Jorge, como o pai, também joga como defesa-central (para já no Sp. Braga B) tem as virtudes da linhagem Amorim. Com uma vantagem: mais um palmo e meio de altura.