Um golo de Torres deu à Espanha a vitória no Euro'2008. Na final, os espanhóis ganharam por 1-0 a uma Alemanha que entrou em campo como favorita mas saiu convencida, abrindo uma nova era hegemónica no futebol mundial.
2016-06-29

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2008

Quando a Espanha entrou na final do Europeu de 2008, em Viena, do outro lado tinha a Alemanha, a mais poderosa seleção do continente. A somar às dificuldades já esperadas, os alemães tinham conseguido recuperar a sua maior estrela, Ballack, enquanto que os espanhóis entravam em campo sem David Villa, o goleador de quem a nação esperava mais e que se lesionara na meia-final. Luis Aragones optou por instituir o 4x5x1, introduzindo Fábregas no meio-campo e deixando o ataque a Torres, que só fizera um golo em toda a competição. Pois bem: fez mais um e logo o mais importante. Foi um golo de “El Niño” que deu à Espanha o seu primeiro título internacional em mais de 40 anos, precisamente desde que ganhara o Euro’64 em Madrid.

O jogo até começou com sinal mais da Alemanha, mas as primeiras situações de verdadeiro perigo sucederam no ataque espanhol: primeiro num mau corte de Metzelder, que Lehman impediu que se transformasse num autogolo, e depois num cabeceamento de Torres ao poste. Torres parecia destinado a mais um jogo em que “quase fazia um golo” – a diferença é que desta vez fê-lo mesmo. Marcou numa bola picada sobre Lehman depois de um passe magistral de Xavi e de ganhar um sprint a Lahm, com 33 minutos de jogo. Pode ver aqui o golo e todo o resumo do jogo, narrado em entusiástico espanhol: https://www.youtube.com/watch?v=8k4JOwF_oJ0. Até final, mesmo tendo Aragonés optado por puxar a equipa um pouco para trás, ao trocar Fábregas por Xabi Alonso, os alemães poucas vezes ameaçaram Casillas, tendo as melhores ocasiões de golo aparecido no ataque de Espanha, em contra-ataques ou em lances de bola parada.

A taça seguiu para Espanha com justiça, abrindo neste dia 29 de Junho de 2008 uma era de domínio global que se alargou às vitórias no Mundial de 2010 e no Europeu de 2012. Nada mau para uma seleção que há 24 anos (desde o Europeu de 1984) não passava sequer dos quartos-de-final em nenhuma prova.

 

Também neste dia.

Em 2000 – Se uma equipa falha cinco penaltis em seis, não pode queixar-se a não ser de si mesma. Foi o que aconteceu à Holanda, na meia-final de Amesterdão, há 16 anos. A França já se apurara para a final na véspera, os holandeses tiveram tudo para lhe fazer companhia na meia-final frente à Itália, mas apesar de se verem a jogar contra dez durante quase uma hora e meia (expulsão de Zambrotta, ainda na primeira parte) e de terem beneficiado de dois penaltis, não conseguiram evitar o 0-0 e o consequente prolongamento. Frank de Boer permitiu a defesa de Toldo ainda no primeiro tempo, Kluivert acertou o seu penalti no poste na segunda parte, mas ambos voltaram a tentar a sorte no desempate. E se Kluivert converteu o seu penalti, De Boer voltou a deixar o guarda-redes italiano parar-lhe o remate dos onze metros, sendo um dos três holandeses a falhar: Stam chutou sobre a barra e Bosvelt acertou em Toldo. A Itália seguia para a final numa das mais dramáticas meias-finais de que há memória no Europeu de futebol.