O Europeu de 1984 foi o Europeu de Platini, mas a final foi a final do erro de Arconada. O nono golo do 10 francês na fase final aconteceu porque a bola ganhou vida debaixo do corpo do guardião espanhol.
2016-06-27

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1984

O Europeu de 1984 foi o torneio de Michel Platini. Mas das proezas do 10 francês já aqui falei profusamente. Na final, Platini voltou a marcar: fez o seu nono golo em cinco jogos, abrindo, de livre direto, o resultado numa final tensa, contra a Espanha. Só que esse golo ficou na memória de toda a gente, não como um golo de Platini, mas como um frango de Arconada. Um ponto final injusto para o guardião espanhol, que ainda na meia-final tinha sido uma das maiores figuras da seleção de Miguel Muñoz.

Depois de uma primeira parte quase sem ocasiões de golos ficava a certeza de que o jogo não ia ser um passeio gaulês no Parque dos Príncipes. Aliás, que tinha ficado mais perto de marcar até tinham sido os espanhóis, que mantiveram a consistência defensiva apesar das ausências de Maceda e Gordillo, duas das suas principais figuras. Santillana, isolado no ataque, foi quem mais perto esteve de marcar, mas viu Battiston salvar sobre a linha um cabeceamento que bateu o guardião francês Bats. Só que, a abrir a segunda parte, Lacombe ganhou uma falta à entrada da área. Era a zona de Platini, que imediatamente pegou na bola para bater o livre. E o capitão francês nem chutou assim tão bem: a bola saiu enrolada, baixa, e Arconada caiu sobre ela sem dificuldades. Lance resolvido? Nem por isso. A bola pareceu ganhar vida própria e escapou-se pode debaixo do corpo do guardião basco, que tentou sem sucesso alcança-la com a mão esquerda antes de ela ultrapassar a linha fatídica.

O 1-0 para a França deixava a Espanha numa situação complicada: o forte destes espanhóis era mesmo a garra com que se defendiam. Até ao fim de uma final em que, como conta Michel Hidalgo (https://www.youtube.com/watch?v=XyVWoqXD7KE&list=PLggGMqxoX5IbMwJ8CfiIVPPK_7rCNwA5C&index=5) neste documentário, Battiston simulou uma lesão para que o seu colega Amoros – expulso no jogo inaugural – pudesse entrar e jogar também um pouco na final, foram os franceses quem ainda fez o segundo golo. Foi no último minuto e já a França jogava com dez, por expulsão de Le Roux: Tigana meteu uma das suas famosas mudanças de velocidade e serviu o extremo Bruno Bellone, que à saída de Arconada lhe picou a bola sobre o corpo. A França foi uma justa campeã, mas na final o seu brilho foi um pouco ofuscado pelo erro de Arconada, um dos melhores guarda-redes do torneio.

 

Também neste dia.

Em 2004 – Depois de ganhar o grupo da Alemanha, mandando os alemães para casa, a República Checa confirmava-se como uma das potências do torneio, ao obter a mais clara vitória dos quartos-de-final. Foram 3-0 à Dinamarca, no Dragão, graças à adição de um bis de Milan Baros em dois minutos, depois de o gigante Jan Koller ter aberto o ativo ainda na primeira parte. Para os checos, seguia-se a Grécia e, aparentemente, caminho aberto para a final. Mal sabiam eles…

 

Em 2012 – Se antes de jogarem hoje com a Itália os espanhóis podem lembrar a derrota na final de 1984, também é verdade que podem optar antes por recordar a vitória sobre Portugal na meia-final de 2012. Foi a 27 de Junho que a equipa de Vicente Del Bosque se impôs à de Paulo Bento, em Donetsk, no desempate por grandes penalidades. O jogo acabara empatado a zero e, nos penaltis, Rui Patrício ainda assegurou uma vantagem momentânea a Portugal, ao defender o primeiro remate, de Xabi Alonso. Só que João Moutinho permitiu logo a seguir a resposta perfeita de Casillas. Iniesta, Pepe, Piqué, Nani e Sérgio Ramos marcaram os seus penaltis, mas Bruno Alves – que tinha chegado a avançar para a marca num penalti que acabou por ser de Nani – acertou na barra. E a conversão que se seguiu, de Fabregas, levou a Espanha para a final, sem que Ronaldo tivesse tido a oportunidade de bater o seu penalti: era a primeira vez que um campeão europeu tinha a chance de defender o troféu na final seguinte.