O dia em que acabou o sonho do "Dinamite Dinamarquês", por causa de um penalti falhado por Elkjaer-Larsen, é também o dia de dois penaltis defendidos por guarda-redes portugueses: Baía em 2000 e Ricardo em 2004
2016-06-24

1 de 1
1984

A Dinamarca foi a grande surpresa do Europeu de 1984. Sem tradição no futebol europeu, fosse ao nível de clubes ou de seleções, o “Dinamite Dinamarquês” elevou uma série de jogadores para o topo do panorama continental. Arrancava ali a brilhante carreira internacional de Michael Laudrup, confirmando o final da geração comandada por Alan Simonsen, viam-se jogadores inteligentes como Frank Arnesen ou Soren Lerby, ambos com a escola do Ajax, mas nenhum terá captado tanto a atenção dos adeptos internacionais como Preben Elkjaer-Larsen, um “cavalo” imparável, que jogava no modesto Lokeren mas a quem o Europeu valeu imediatamente um contrato com o Verona, com o qual acabou por ser campeão da Série A italiana,

E no entanto, a 24 de Junho de 1984, foi Elkjaer-Larsen quem custou à Dinamarca a ausência na final. Autor de dois golos na caminhada até à meia-final com uma Espanha sólida mas que era bem menos equipa que esta Dinamarca de Sepp Piontek, Elkjaer ainda esteve envolvido no lance que permitiu à sua equipa adiantar-se no marcador: é ele quem força Arconada a uma defesa excelente, a meias com a barra, após cruzamento de Arnesen, permitindo a recarga de Lerby para o fundo das redes. Arnesen ainda acertou uma vez no poste da baliza espanhola, mas na segunda parte, em recarga a um remate de Carrasco ao poste, o defesa-central Maceda rematou seco para o golo do empate. Como nenhuma das equipas marcou, o nome do segundo finalista da competição teve de ser decidido da marca de grande penalidade. Arconada, o excelente guarda-redes espanhol, ainda defendeu a cobrança de Laudrup, mas o árbitro, o inglês Georges Courtney, mandou repetir e à segunda o craque dinamarquês não falhou. O odioso recaiu assim sobre Preben Elkjaer-Larsen, que enviou a quinta grande penalidade da Dinamarca para o andar de cima do Stade Gerland, em Lyon (como pode ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=9HfMzCP_vwo). Sarabia não falhou a quinta cobrança espanhola e o sonho dinamarquês acabaria ali, para apenas ser ressuscitado por uma nova geração, não tão brilhante como esta, em 1992.

 

Também neste dia.

Em 2000 – Grande tarde de Nuno Gomes em Amesterdão. Com um bis à Turquia, o avançado que entrara no Europeu sem um único golo pela seleção nacional garantiu um lugar entre as estrelas da competição e deu a Portugal a passagem às meias-finais, com um inquestionável 2-0. Na mesma partida, que os turcos jogaram com dez desde a meia-hora por expulsão de Alpay, Vítor Baía ainda defendeu um penalti de Arif, quando o resultado era ainda de 1-0.

 

Em 2004 – O dia 24 de Junho, aliás, é um dia bom para os portugueses defenderem penaltis. Faz hoje 12 anos que Ricardo tirou as luvas e defendeu o penalti de Vassell, enviando a seleção para as meias-finais do Euro-2004. O jogo que antecedeu o desempate tinha sido um dos mais épicos da história da seleção. Na Luz, a Inglaterra adiantou-se cedo, por Owen, tendo Portugal carregado até chegar ao empate, por Postiga, a sete minutos do fim. Rui Costa fez o 2-1 já no prolongamento, mas Lampard forçou o desempate, com o 2-2 a cinco minutos do fim. Nos penaltis, houve muito drama, a começar pelo pontapé de Beckham para as nuvens, continuando com o falhanço de Rui Costa, a “panenkada” de Postiga e a proeza a solo de Ricardo. O guardião português marcou o sétimo penalti da sua equipa e foi a seguir deter o de Vassell.