Jordão marcou dois golos, ambos a cruzamentos de Chalana, mas Portugal acabou por deixar o seu primeiro Europeu mas meias-finais, vítima de um bis de Domergue e de um golo decisivo de Platini.
2016-06-23

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1984

Portugal esteve pela primeira vez num Campeonato da Europa em 1984, em França. E nele, apesar de ter sofrido na fase inicial – dois empates e uma vitória tangencial – acabou por atingir as meias-finais e fazer tremer a seleção da casa. Faz hoje 32 anos que um bis de Jordão na baliza de Bats quase chegou para carregar os portugueses a uma final do Europeu. Valeu à França uma tarde atípica de Jean-François Domergue, um lateral que só entrou no onze por causa do castigo a Amoros e que na meia-final de Marselha fez dois golos também, completados pelo inevitável tento de Platini. Portugal caiu, mas a seis minutos dos 120 que se jogaram estava a ganhar e só mesmo no último instante do prolongamento sofreu o golo que o derrotou.

O jogo nem começou bem para os portugueses, que se viram a perder logo aos 24’. Num livre à entrada da área, toda a gente esperava que fosse Platini, um especialista, a bater, mas Domergue avançou e, para surpresa geral, fez o 1-0. O jogo continuou com sinal mais da França, mas com Bento a brilhar nos postes e a impedir os donos da casa de se adiantarem para os 2-0 em sucessivas ocasiões. Fernando Cabrita mandou então a equipa para a frente na última fase do jogo: já tinha trocado Diamantino por Gomes ao intervalo, fazendo o Bota de Ouro jogar ao lado de Jordão, mas a meia-hora do fim trocou Sousa por mais um avançado, na ocasião Nené. E depois de Gomes ver Fernandez tirar-lhe o golo do empate em cima da linha, Jordão empatou mesmo, de cabeça, após centro milimétrico de Chalana.

Faltavam 15’ para o final do desafio, mas Bento ainda teve tempo de fazer mais duas excelentes defesas: primeiro uma mancha aos pés de Platini, que se isolava, e depois um desvio da recarga de Six para a barra. E já no prolongamento, com Portugal finalmente livre das amarras táticas que se auto-impusera de início e por cima do jogo, Jordão fez o 2-1, aparecendo a finalizar em volei novo cruzamento de Chalana, este de pé direito. Nené ainda perdeu a chance de fazer o 3-1 num mano-a-mano com Bats e Portugal acabou castigado. Só que a seis minutos do fim, Domergue juntou um segundo golo ao primeiro que já tornara o seu aniversário especial. E mesmo em cima do apito final foi a vez de Platini concluir um raide fantástico de Tigana, evitando os penaltis e mandando a França para a final. Foi um dos jogos mais épicos da história dos Europeus e pode revivê-lo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hfcl3UGIr78.

 

Também neste dia.

Em 1996 – Portugal caía também no Europeu de 1996. Depois de uma boa primeira fase, a equipa de António Oliveira foi derrotada nos quartos-de-final pela República Checa. Um golo bastou para o 1-0 final. Marcou-o Karel Poborsky, que se isolou pela meia-direita e resolveu a situação com um chapéu perfeito a Vítor Baía.

 

Em 2004 – Em contrapartida, o 23 de Junho é feliz para os checos, que além da eliminação de Portugal em 1986 garantiram também o primeiro lugar do seu grupo em 2004, eliminando nada mais, nada menos do que a Alemanha. Em Alvalade, Ballack ainda colocou os alemães a ganhar por 1-0, mas Heiz empatou ainda antes do intervalo e a 13’ do fim Baros marcou o 2-1 final que tirava à Alemanha qualquer esperança de passagem aos quartos-de-final.