O primeiro título internacional da seleção espanhola faz hoje 52 anos. Foi conseguido na final do Europeu de 1964 e ante a mesma equipa da URSS que Franco impedira os espanhóis de defrontar quatro anos antes.
2016-06-21

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1964

Quem olha para o futebol europeu neste momento vê um domínio amplo da Espanha, tanto a nível de clubes como de seleções nacionais. Parece coisa recente, mas na verdade já aconteceu entre o final da década de 50 e o início dos anos 60, quando o Real Madrid ganhou cinco Taças dos Campeões Europeus seguidas – série interrompida pelo Benfica – e a Roja alcançou o seu primeiro título internacional, batendo a URSS na final do Campeonato da Europa de 1964, graças a um belo golo de cabeça de Marcelino, a seis minutos do fim de um jogo apadrinhado por todas as figuras do regime franquista, desde o próprio Franco, ao futuro rei Juan Carlos e à sua esposa, a também futura rainha Sofia. Faz hoje exatamente 52 anos.

A equipa espanhola já não era tão forte como teria sido, por exemplo, em 1960, quando Franco a impediu de defrontar a URSS, na última eliminatória do Europeu que os soviéticos acabaram por vencer. As razões eram políticas e tinham a ver com o apoio declarado da URSS aos opositores do Generalíssimo na Guerra Civil, mas acabaram por impedir que estrelas como Kubala, Di Stefano ou Gento brilhassem no campeonato da Europa. Dessa grande equipa sobrava Suárez, que no dia da final – que pode ver em reportagem alargada neste noticiário da TVE feito para os cinemas: https://www.youtube.com/watch?v=luAZluE6sMY – voltou a Madrid depois de ter trocado o Real pelo Barcelona. A jogar como extremo-direito Suárez foi a estrela da seleção espanhola, pois foi ele que cruzou para os dois golos: o primeiro foi marcado por Pereda depois de um mau corte de Shustikov, enquanto que o segundo saiu da cabeça do avançado galego Marcelino, deixando inapelavelmente batido um Yashin que se apresentou nas redes com a camisola do Dynamo Moscovo vestida. Pelo meio, os soviéticos tinham empatado, num remate seco de Khusaynov, no qual não terá ficado isento de culpas o guardião Iribar.

 

Também neste dia.

Em 1988 – Mais um passo da Holanda para ganhar o seu primeiro grande título internacional. A Laranja Mecânica, que já tinha perdido as finais dos Mundiais de 1974 e 1978, garantiu a terceira final do seu historial, ao bater a RFA na meia-final de Hamburgo. Os alemães adiantaram-se, num penalti de Matthäus, a abrir a segunda parte, mas a Holanda chegou ao empate a 15’ do fim, por Koeman, também de penalti. Aos 88’, Van Basten mostrou que era o jogador do torneio fazendo o golo da vitória holandesa.

 

Em 2012 – Dia feliz para Portugal e Ronaldo. Há quatro anos, os portugueses chegaram às meias-finais do Europeu, batendo a República Checa em Varsóvia, graças a um golo do CR7 a 11’ do fim. O golo português, marcado de cabeça após um cruzamento de João Moutinho, não teve resposta dos checos, que assim viram vingada a vitória de 1996 (na altura com golo de Poborsky) na mesma fase da competição.