Há 40 anos, Panenka inventava uma nova forma de marcar penaltis e dava à Checoslováquia o título europeu, no desempate contra a favorita RFA.
2016-06-20

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1976

A primeira decisão de sempre de um título europeu a ser feita com recurso ao desempate por grandes penalidades tornou-se fenómeno de culto, totalmente por causa de um momento de pura inspiração, génio, descaramento e até irresponsabilidade. O penalti com que Antonin Panenka, à data jogador do Bohemians, selou a vitória da Checoslováquia sobre a favorita RFA (campeã mundial e europeia em título) foi tão único que ganhou um lugar na história e passou a designar uma forma de marcar: depois de um tenso empate a dois golos em 120 minutos e de Uli Höness ter falhado a sua conversão, com um remate sobre a barra, Panenka fez a sua corrida de balanço e, enquanto Sepp Maier caía para o lado esquerdo, picou-lhe a bola suavemente de forma a que esta entrasse rigorosamente ao meio da baliza. É uma daquelas coisas que se nunca viu, tem de ver, aqui, com comentários em checo: https://www.youtube.com/watch?v=v_Hi0cIZFOI.

Aquele era o culminar do último Europeu que reuniu apenas quatro equipas na fase final, há 40 anos disputada na Jugoslávia. Na final, em Belgrado, os checoslovacos chegaram rapidamente a ter uma vantagem confortável. Logo aos 8’, Vogts perdeu a bola perto da sua área, Gogh rematou para uma boa defesa de Maier, mas Nehoda recuperou e cruzou para um remate inapelável de Svehlik. Pouco depois, já contra a corrente do jogo, Beckenbauer aliviou um livre de Masny para a entrada da área, onde o lateral Dobias apareceu a chutar cruzado para fazer o 2-0. A recuperação era íngreme, mas se alguém estava à altura de a fazer era aquela equipa da RFA. Dieter Müller marcou logo a seguir, com um volei bem dentro da área, após incursão de Bonhof, mas o empate só chegou de forma dramática, aos 89’: canto de Bonhof, oito jogadores alemães na área e um deles, Holzenbein, a saltar mais que o veterano guarda-redes Viktor e a fazer o 2-2. Seguiu-se o prolongamento e, como não houve mais golos, a estreia do desempate por penaltis numa final de um Europeu. Foi o pretexto ideal para a entrada na história de Panenka.

 

Também neste dia.

Em 2000 – Dia de glória para Sérgio Conceição. Portugal já estava apurado para os quartos-de-final, mercê das duas vitórias contra a Inglaterra (3-2) e a Roménia (1-0), e apesar de ter a Alemanha pela frente, Humberto Coelho mudou nove jogadores no seu onze inicial. Um dos recém titulares era Sérgio Conceição, que marcou três golos a Kahn, sentenciando com um histórico 3-0 a eliminação alemã do Europeu organizado pelos vizinhos belgas e holandeses. Naquela tarde, em Roterdão, Conceição jogou em vez de Figo. Nos quartos-de-final, contra a Turquia, mesmo com o regresso da estrela, ele manteve a titularidade, mas como lateral-direito.

 

Em 1984 – O dia 20 de Junho, na verdade, não é um dia feliz para a Alemanha, no que a Europeus de futebol diz respeito. Em 1984, depois de empatar com Portugal (0-0) e ganhar à Roménia (2-1), a RFA foi eliminada logo na primeira fase do campeonato por causa de uma derrota contra a Espanha (1-0), cortesia de um golo do central Maceda, aos 89 minutos de jogo. A equipa campeã da Europa caía  logo ali porque, ao mesmo tempo, Portugal batia a Roménia por 1-0, graças a um golo de Nené, a 9 minutos do final.

 

Em 2004 – Em contrapartida, este é um dia feliz para o futebol português. Além dos 3-0 à Alemanha em 2000 e do 1-0 à Roménia que valeu um lugar nas meias-finais de 1984, foi também a 20 de Junho que Nuno Gomes fez o golo da vitória portuguesa sobre a Espanha (1-0). Acabava assim a equipa de Scolari de emendar a asneira feita no jogo de abertura, qualificando-se para os quartos-de-final da competição.