Esta foto tem história, mas raramente se conta sob o prisma do homem que está à chuva: Anton Ondrus, a figura da meia-final do Euro'76. Faz hoje 40 anos.
2016-06-16

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1976

Há uma foto mítica do Europeu de 1976 e foi tirada faz hoje exatamente 40 anos. Em Zagreb, numa noite de chuva intensa, a Checoslováquia defrontava a poderosíssima Holanda, já aureolada como Laranja Mecânica desde o Mundial anterior, e durante a cerimónia de escolha de campos, o árbitro, o galês Clive Thomas, segurava um chapéu de chuva a abrigar Johan Cruijff. A um metro dali, Anton Ondrus, o capitão checo, levava com a intempérie no seu metro e 90 de futebol físico e imponente, que o jogo acabaria por evidenciar (ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=DxDSAICxNVQ) com um golo e um autogolo. Qual deles o melhor…

Ondrus era um poderoso defesa central eslovaco, que jogava no Slovan Bratislava e se estreara na seleção da Checoslováquia quando começou a renovação, após o afastamento do Mundial de 1974 – no qual a Holanda chegara à final. Imponente durante a qualificação, na qual os checoslovacos afastaram Portugal, a Inglaterra e a URSS, coube-lhe a honra de capitanear a equipa na fase final, na Jugoslávia. A 16 de Junho de 1976, no jogo de abertura dessa fase final, esperava-se um passeio holandês. Mas não foi assim. Num golpe de cabeça após livre de Panenka, Ondrus fez o 1-0 para a equipa comandada por Jezek. E quando tudo parecia encaminhar-se para a eliminação holandesa, o mesmo Ondrus fez um autogolo, a 17 minutos do fim, desviando um cruzamento de Geels para dentro da baliza de Viktor com um vólei que levou a bola a entrar no ângulo. No prolongamento, porém, contra uma holanda que acabou reduzida a nove homens (expulsões de Neeskens ainda no tempo regulamentar, pouco depois do golo do empate, e de van Hanagem, após o 2-1), os checos levaram a melhor, com golos nos últimos seis minutos de Nehoda e Vesely. Apuravam-se para a final, contra a RFA. Mas essa é história para outro dia.

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Também neste dia.

Em 1984 – Primeiro de dois hat-tricks de Michel Platini na fase final que a França organizou e venceu. Com três golos do seu número 10, mais um de Giresse e outro de Fernández, os franceses deram a volta a um jogo de abertura cinzento (1-0 à Dinamarca) e golearam a Bélgica (que até tinha sido a finalista vencida, quatro anos antes) por claros 5-0. No mesmo dia, a Dinamarca de Sepp Piontek mostrava que não era pera doce, ao ganhar pelos mesmos 5-0 à Jugoslávia (bis de Arnesen, com mais golos de Bergreen, Elkjaer-Larsen e Lauridsen.

 

Em 2004 – Portugal começava a dar a volta a um mau começo no Europeu. Depois da derrota no jogo de abertura, contra a Grécia, Scolari fez três alterações na equipa que ia defrontar a Rússia na Luz (Miguel por Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho por Fernando Couto e Deco por Rui Costa) e acabou por vencer, graças a um golo de Maniche logo a abrir e de outro de Rui Costa (que entretanto entrou) no último minuto. O resultado permitia aos portugueses entrar no último jogo do grupo – com a Espanha em Alvalade – em condições de se qualificarem. Bastava ganhar.