Um hat-trick à Inglaterra tirou Marco van Basten da posição de suplente de Bosman na qual começou o Europeu de 1988. Faz hoje 28 anos que o holandês arrancou para a Bola de Ouro.
2016-06-15

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1988

Foi a 15 de Junho que começou a escrever-se com letras de ouro a história de Marco van Basten no Campeonato da Europa. Hoje todos recordarão o golaço que o avançado holandês marcou na final de 1988 a Rinat Dassaev, mas a verdade é que van Basten começou esse Europeu como suplente na equipa de Rinus Michels: tinha passado toda a sua primeira época no Milan a debater-se com uma lesão no tornozelo, jogando apenas 11 partidas, e viu do banco a maior parte do primeiro desafio que os holandeses fizeram na Alemanha, a derrota por 1-0 frente à mesma URSS. A 15 de Junho, num jogo de mata-ou-morre com a Inglaterra – que também tinha perdido a primeira jornada, ante a Rep. Irlanda – Michels trocou Bosman por van Basten. E este respondeu com um hat-trick, fundamental na vitória por 3-1 que desde logo deixou a Inglaterra de Bobby Robson sem hipóteses de qualificação.

O jogo, porém – pode ver o resumo em https://www.youtube.com/watch?v=V0ykKJzRxnc – não foi fácil para os holandeses. Antes de van Basten inaugurar o marcador, num belo trabalho sobre Tony Adams, já os ingleses tinham acertado duas vezes nos postes da baliza de van Breukelen, por Gary Lineker e Glenn Hoodle. Depois, Bryan Robson ainda empatou, mas van Basten fez mais dois golos nos últimos 20 minutos, assegurando que a Holanda entrava na última ronda a precisar apenas de ganhar à Rep. Irlanda para seguir para as meias-finais. Com mais dois golos, à Alemanha, na meia-final, e à URSS, na final – o tal volei de ângulo impossível a Dassaev – van Basten ainda foi o melhor marcador da fase final, arrancando aí para uma época extraordinária de 1988/89 que até lhe deu a Bola de Ouro do France-Football.

 

Também neste dia.

Em 2008 – Portugal entrou em panne, ao perder com a Suíça por 2-0 no jogo que encerrava a sua participação na primeira fase de um Europeu que os suíços organizaram a meias com os austríacos. Já apurado, devido às vitórias nas primeiras partidas, Scolari trocou oito titulares para defrontar uma Suíça que, mesmo ganhando, sabia que não podia seguir para os quartos-de-final (Bosingwa por Miguel, Ricardo Carvalho por Bruno Alves, Petit por Meira, João Moutinho por Veloso, Deco por Raul Meireles, Ronaldo por Quaresma, Postiga por Nuno Gomes e Simão por Nani). A derrota por 2-0 (bis de Hakan Yakin) não teve reflexos na classificação, mas terá abalado a equipa, que a seguir também perdeu, com a Alemanha, e voltou para casa.

 

Em 1992 – A Rússia enfrenta hoje a Eslováquia e precisará certamente de pontuar para continuar a contar com a qualificação para os oitavos-de-final. Sempre que jogou a 15 de Junho na fase final de um Europeu, a seleção antecessora da russa – a União Soviética, depois Comunidade de Estados Independentes – empatou. Aconteceu pela última vez em 1992, quando empatou a zero com a Holanda em Gotemburgo, o que a deixava com a necessidade de vencer a Escócia na última ronda para seguir em frente. E falhou. Antes disso, em 1988, os soviéticos já tinham empatado a uma bola com a Rep. Irlanda, mantendo-se bem posicionados para seguir em frente na prova. Das seleções que vão jogar hoje, também a Suíça (vitória por 2-0 sobre Portugal em 2008) e a França (2-0 à Ucrânia em 2012) ganharam os antecedentes a 15 de Junho. Menos bem esteve a França, que a 15 de Junho de 1996 não foi além de um empate a uma bola com a Espanha.