O Pelé Branco do Vasco chegou a Portugal em 1961 para jogar no Sporting. Ainda contribuiu para um título nacional, mas não durou muito de verde-e-branco e regressou ao Brasil.
2015-12-28

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1957

Antes de Careca, aquele que Sousa Cintra definiu como um misto de Pelé com Eusébio, o Sporting já tinha tido um Pelé. Mais concretamente, o “Pelé Branco do Vasco”, a alcunha que celebrizou o avançado Francisco Nunes Rodrigues, mais conhecido como Pacoti. Este atacante cearense era um rochedo na área, a fazer jus às suas origens em Quixadá, a terra dos monólitos no Ceará. Pacoti não fez uma carreira longa em Portugal, mas ainda contribuiu com três golos para um título de campeão nacional antes de baixar à reserva leonina e de regressar ao Brasil, onde se manteve ligado ao futebol por muitos e longos anos.

Pacoti chegou a Portugal em 1961, quando o Sporting perdeu o goleador brasileiro Fernando para o Palermo, de Itália, e Otto Glória se lembrou da “máquina goleadora do Norte” do Brasil para o substituir. O cearense tinha perdido o comboio da fama no Vasco da Gama, que assim aceitou deixá-lo emigrar. Só que, meses depois de ter trocado o Belenenses pelo Sporting e de ter aberto o campeonato com um empate a zero em casa com o Lusitano de Évora, o treinador brasileiro desentendeu-se com a direção leonina e abandonou o clube. Acabou por ser Juca a levar a equipa a vencer o FC Porto nas Antas, na segunda jornada, e a proporcionar a estreia a Pacoti, logo na terceira, a 15 de Outubro de 1961. E o goleador brasileiro correspondeu: aos sete minutos desse jogo com o Atlético, numa recarga a um primeiro remate de Morais, fez o 1-0. Ainda marcou mais um nessa vitória por 4-0 e outro no jogo seguinte, um 3-1 em casa contra a CUF. Mas cinco jogos seguidos sem mais golos acabaram por lhe ditar a sorte: até final da época, só jogou mais uma vez na derrota em casa contra o FC Porto (0-1), a 4 de Fevereiro de 1962.

Esses três golos, a somar a dois que marcara num 5-2 ao Cova da Piedade, na Taça de Portugal, foi tudo o que restou da passagem de Pacoti por Portugal. O brasileiro, a quem chamaram Pacoti numa brincadeira de miúdos, na qual atribuíram o nome de uma cidade a cada um, não confirmou a fama que trazia do Brasil. O que mostrou por cá foi mais próximo do que mostrara quando, ainda adolescente, foi rejeitado nas captações do Calouros do Ar. Começara a jogar nos amadores do Bangu de Quixadá, em 1952, dali passando para a equipa dos correios – onde se empregou –, que era o Nacional de Fortaleza. Em 1955 já defendia as cores do Ferroviário, onde começou a destacar-se, a ponto de ser chamado para a seleção do Ceará, que na altura jogava o campeonato brasileiro de estados. Por toda a vida recordou uma tarde em que fez cinco golos à seleção do Maranhão, em 1956, e em que toda a gente no estádio cantava o seu nome.

Os 36 golos que marcou nos 18 jogos do Sport Recife no campeonato pernambucano de 1958 – que foram recorde da prova até muito recentemente – valeram-lhe a entrada no futebol da alta roda, quando o Vasco da Gama bateu um milhão de cruzeiros para o contratar. Ainda chegou a tempo de ajudar na conquista do super-campeonato carioca de 1958, ganho pelo Vasco ao terceiro desempate com Flamengo e Botafogo, mas não teve no Rio de Janeiro o mesmo sucesso que tinha conhecido no futebol nortenho. Esteve um ano emprestado à Portuguesa Santista até ingressar no Sporting, em 1961. Depois de Portugal, ainda passou pelo Olaria e pelo Valencia de Carabobo (na Venezuela), encerrando a carreira no Ferroviário. No jogo de despedida, contra o Fluminense, em 1967, fez o que fazia sempre: um golo, a dar a vitória por 3-2 à sua equipa. Passou então a trabalhar na Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Ceará e foi ainda chamado, com Rivaldo, a receber a taça do Mundial de 2014, quando foi apresentado o estádio de Fortaleza.