Esquerdino rigoroso taticamente e regular na utilização, Cacioli viveu três bons anos no Gil Vicente, depois de chegar a Portugal para jogar no Famalicão.
2016-05-11

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1990

Paulista de Santo André, Cacioli veio para a Europa à procura de condições que o futebol no Brasil não podia dar-lhe. Trazia um currículo com passagem por uma série de equipas menores, mas na I Divisão portuguesa soube impor o rigor do se pé esquerdo, fixando-se na zona do Minho como um dos médios mais fiáveis da sua altura. Era daqueles que, sem ser vistoso, nunca jogava mal – e isso dava-lhe crédito junto dos treinadores, que começavam a fazer a equipa pelo “Lombardo”, alcunha que lhe foi dada por ser calvo, como aquele internacional italiano.

Cacioli chegou a Famalicão em 1989. Tinha 24 anos e vinha do Passo Fundo, uma equipa de Rio Grande do Sul, onde o futebol (e o clima) se assemelha mais ao europeu. Abel Braga fez dele uma das bases da formação que ficou em segundo lugar da Zona Norte, apenas atrás do Gil Vicente, mas subiu na mesma à I Divisão, e Cacioli respondeu com sete golos, tornando-se um dos melhores marcadores da campanha. E logo na época de estreia entre os grandes, o médio brasileiro fez todos os jogos do campeonato, marcando mais sete golos. Estreou-se na competição, lançado por Abel Braga, a 19 de Agosto de 1990, com um empate a uma bola, em casa, frente ao E. Amadora, marcando os primeiros golos a 30 de Setembro, na primeira vitória famalicense: 4-1 ao Sp. Braga, com bis do esquerdino brasileiro. O seu bis mais importante do ano, porém, seria conseguido na última jornada: a 26 de Maio, fez dois dos três golos com que o Famalicão ganhou ao Belenenses (3-0), passando da 17ª para a 15ª posição e escapando à descida de divisão.

A regularidade que mostrou nesse primeiro campeonato valeu a Cacioli a atenção no mercado. Falou-se do Boavista, mas ele acabou por ficar no Minho, assinando pelo Sp. Braga de Carlos Garcia. Titular nas primeiras jornadas, foi perdendo espaço na equipa, pelo que não foi estranho que tenha saído logo no final da época, que os bracarenses acabaram em 11º lugar. Rumou então ao Gil Vicente, o clube mais importante da carreira de Cacioli. Vítor Oliveira deu-lhe uma missão mais defensiva e ele cumpriu a preceito, fazendo parte da equipa que festejou a vitória sobre o Sporting e o empate com o Benfica, em Outubro de 1992, ou que na segunda volta foi arrancar um empate a zero com os leões em Alvalade. O Adelino Ribeiro Novo transformava-se numa espécie de feudo inexpugnável em cima do qual o Gil Vicente montava campanhas tranquilas, sempre a meio da tabela. Em três épocas nas quais poucos jogos falhou, Cacioli conseguiu ganhar ali ao Benfica e ao Sporting, apenas lhe tendo faltado uma vitória sobre o FC Porto – o mais perto que esteve foi num empate a uma bola, em Dezembro de 1993, durante um campeonato no qual o brasileiro esteve nas 34 jornadas.

Faria o último jogo pela equipa de Barcelos a 28 de Maio de 1995, um empate a zero contra o Salgueiros, que assegurava mais uma vez a manutenção – ainda assim, a época de 1994/95 foi aquela em que o Gil Vicente viveu mais dificuldades. No Verão decidiu assinar pelo Farense, no sul de Portugal. Já tinha 32 anos e começava a ter de pensar nos contratos, porque apesar de se ter formado em tecnologia e computação antes de emigrar, já percebera que o futebol não ia chegar-lhe para viver sem problemas para o resto da sua vida. Em Faro, porém, encontrou um cenário muito complicado, com dívidas do clube aos jogadores, que chegou a levar estes a uma ameaça de greve antes de uma viagem a Chaves. Paco Fortes utilizava-o como médio esquerdo ou, em alternativa, como integrante do duplo-pivot de meio-campo, e Cacioli respondeu com mais cinco golos, despedindo-se da I Divisão a 12 de Maio de 1996 com um, logo no primeiro minuto de uma vitória por 4-1 frente ao Salgueiros.

Até terminar a carreira, o médio brasileiro ainda jogou um ano no Varzim – segundo lugar e subida de divisão, com Horácio Gonçalves aos comandos – e três no Vizela, sempre tranquilamente na Zona Norte da II Divisão B. No último destes três anos foi também treinador, abrindo uma carreira que nunca lhe deu muitas oportunidades. Depois da passagem pelas camadas jovens do Gil Vicente – teve também uma pizzeria em Barcelos – tentou a sorte em França e é atualmente técnico dos juniores do UD São Veríssimo, em Barcelos. Mas com vontade de regressar ao futebol profissional.