Campeão e vencedor da Taça das Taças no Sporting, perdeu rapidamente espaço na equipa, passando a ser um dos jogadores prediletos de Manuel de Oliveira, com quem esteve na Sanjoanense e no Farense.
2016-05-10

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1965

Chegou a Lisboa, vindo de Benguela, para seguir as pisadas do irmão José, que era médio na equipa do Sporting. Fernando Ferreira Pinto teve dificuldades para ganhar espaço na equipa e só depois de o irmão a ter abandonado veio a exercer nela um impacto considerável, participando na conquista da Taça das Taças em 1964 e, sobretudo, do campeonato de 1965/66, na única temporada em que fez parte do onze-base dos leões. Mas a perda de espaço na equipa após a conquista do título levou-o a experimentar outros clubes, em busca de importância. Manuel de Oliveira aproveitou-o bem na Sanjoanense e no Farense, antes de ele ter sido um dos pioneiros entre os portugueses que abraçaram a aventura do soccer nos Estados Unidos.

Dois anos e meio mais jovem que José, Fernando Ferreira Pinto chegou ao Sporting em 1960, ainda para integrar a equipa de juniores. Era um extremo-direito veloz e ágil, mas teve de aguardar a sua vez. Em 1961/62 ainda partilhou balneário com o irmão, mas se um estava a aparecer, o outro, que era médio, começava a perceber que tinha de sair, por manifesta falta de oportunidades. Fernando estreou-se a 31 de Dezembro de 1961, lançado por Juca num onze que ganhou por 5-1 ao Cova da Piedade, em Alvalade, em partida da Taça de Portugal. Foi a última partida que o seu irmão José fez com a camisola leonina e, por isso mesmo, a única vez que os dois irmãos jogaram lado a lado. Fernando ainda jogaria em Fevereiro, também para a Taça de Portugal, contra o Oriental (vitória por 4-0), mas se no fim da época pôde continuar, viu o irmão sair para a CUF. Ainda assim, só voltaria a entrar em campo em Novembro de 1963. E para uma ocasião de gala: os 16-1 aos cipriotas do Apoel Nicosia, jogo no qual fez dois golos e que ainda é goleada-recorde nas competições europeias. Foi o suficiente para que, mesmo não tendo jogado mais na campanha, o seu nome esteja também entre os vencedores da competição.

Ferreira Pinto estreou-se no campeonato semana e meia depois, a 24 de Novembro de 1963, lançado por Gentil Cardoso num empate a uma bola que o Sporting concedeu frente ao Varzim, na Póvoa   Só na época seguinte, contudo, viria a ver mais ação. Titular em 15 dos 26 jogos desse campeonato, Ferreira Pinto ganhou ascendente a meio-campo quando Anselmo Fernandez voltou aos comandos da equipa, substituindo o francês Jean Luciano. Fez mais dois golos nessa época, mas ambos na Taça de Portugal, frente ao Marinhense, na primeira eliminatória de uma caminhada que o Sporting viu travada pelo V. Setúbal, nas meias-finais, sem o angolano no onze. O regresso de Juca aos comandos da equipa verde e branca coincidiu com a afirmação de Ferreira Pinto como titular na extrema direita. Em ano de conquista do título, foi primeira escolha até às últimas quatro rondas, marcando mesmo dois golos, o primeiro dos quais num empate em casa frente ao V. Guimarães (1-1); a 19 de Setembro de 1965. Viria a fechar a temporada com cinco golos, marcando também ao Leixões no campeonato, bisando frente ao V. Guimarães na Taça de Portugal e assinando um dos seis golos com que os leões golearam o Bordeaux (6-1) na Taça das Cidades com Feira. Só que o idílio de Ferreira Pinto com o Sporting não duraria muito mais: ainda esteve em seis das primeiras nove rondas do campeonato de 1966/67, mas os fracos resultados levaram a que fosse um dos sacrificados pelo treinador, Fernando Argila. O Sporting, que defendia o título, ganhara apenas dois dos seis jogos em que ele participara e o treinador espanhol virou-se para outras opções, como Sitoe, que aí foi ganhando espaço.

Sem jogar desde a derrota em casa com o Leixões (0-1), a 4 de Dezembro de 1966, Ferreira Pinto seguiu a sua vida na Sanjoanense de Monteiro da Costa. E aí foi uma das figuras da manutenção que a equipa alcançou, falhando apenas um jogo em todo o campeonato (a derrota por 3-0 com o FC Porto nas Antas), mas marcando dois golos, entre os quais o que valeu à Sanjoanense o empate em casa frente ao FC Porto (1-1). Na nova época, com Manuel de Oliveira, adaptou-se à posição de médio-direito e manteve a importância na equipa, mas esta acabou por descer de divisão, forçando-o a baixar também um patamar. Ferreira Pinto jogou então durante uma época no Tramagal de Emídio Graça, na Zona Sul da II Divisão, conseguindo a permanência a poucos minutos do fim do jogo da última ronda, quando um golo de Mendes sacrificou antes o U. Santarém. E, tendo Manuel de Oliveira passado a treinar o Farense, que em 1970 se estreava na I Divisão, rumou ao sul para defender as cores da equipa algarvia.

Em Faro, Ferreira Pinto foi sendo cada vez mais médio e menos avançado. Foi, ainda assim, um pilar nas duas épocas relativamente tranquilas que ali passou. Na primeira só falhou dois jogos, por causa de uma lesão contraída no Restelo contra o Belenenses, marcando presença nas vitórias caseiras contra o FC Porto e o Benfica (ambas por 1-0). Na segunda, já com a Liga de 30 jornadas, voltou a ser fundamental no nono lugar final: mesmo alinhando já como médio-centro fez mais dois golos, o último dos quais a 12 de Março de 1972, numa derrota por 5-1 em Guimarães. Despediu-se do campeonato português no São Luís, a 28 de Maio desse mesmo ano, com uma derrota por 5-2 contra o Benfica. No ano seguinte estava no Canadá, a jogar pelo Toronto Metros, que competia na NASL, a Liga profissional de “soccer” dos Estados Unidos. Ainda fez ali duas boas épocas, a primeira com Perrichon e Medeiros e a segunda com o futuro portista Ademir a ocupar o lugar do argentino que dera uma Taça de Portugal ao Sp. Braga. Em ambas foi de grande regularidade, jogando com a camisola 6 e raramente falhando uma partida, despedindo-se a 20 de Agosto de 1974, numa vitória por 1-0 frente aos Rochester Lancers.