Era um extremo veloz que via o futebol como uma forma de fazer chegar a bola a Matateu. Marcou uma época no Belenenses e esteve na primeira seleção portuguesa a ganhar à Inglaterra
2016-05-07

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1952

Para Dimas, o futebol era uma coisa simples. Era pegar na bola e correr, com ela à frente, pela banda direita, antes de a devolver para o meio, onde aparecia alguém, geralmente Matateu, para a meter dentro da baliza. Foi assim que, em nove anos de Belenenses, ganhou a fama de correr até mais rápido que a bola. Foi assim também que fez carreira, chegando até à seleção nacional, pela qual se estreou com uma retumbante vitória contra a Inglaterra (3-1). A primeira da história do futebol português.

Pequenino (1,62m), Dimas tinha na velocidade e no sentido prático os principais atributos. Natural de Almada, começou a jogar futebol no Ginásio do Sul, de onde saiu no primeiro ano de sénior, para representar o V. Setúbal. Nem Armando Martins nem Pedro Areso, que substituiu o histórico técnico do Vitória na tentativa de evitar a descida, lhe deram oportunidade de mostrar valor. Só em 1951/52, já com o clube no escalão secundário, é que Dimas ganhou um lugar entre os titulares que celebraram o regresso à I Divisão. E não ficou lá muito tempo: Fernando Vaz, que orientara os sadinos durante um breve período naquele início de época, antes de rumar ao Belenenses, viu nele armas que lhe dariam jeito e chamou-o para as Salésias no Verão de 1952. E, a 29 de Setembro, Dimas começou mesmo o campeonato como titular, no empate frente ao Sporting (1-1), em Alvalade. Logo nesse jogo esteve ligado ao golo azul, marcado logo aos 3’ por Amorim, numa recarga a um remate seu. E à segunda partida estreou-se mesmo a marcar, obtendo aos 44’ o quatro dos cinco tentos com que a equipa de Vaz bateu a Académica (5-2).

Dimas marcaria mais dois golos, ao Barreirense e ao Lusitano de Évora, mas muito do terceiro lugar do Belenenses nesse campeonato ficou ligado à parceria que começou ali a construir com Matateu, o avançado-centro que chegara um ano antes. Os dois continuaram a entender-se em 1953/54, quando ao Belenenses chegaram Di Pace e Pérez e, sob o comando do uruguaio Humberto Buchelli, o clube acabou a Liga em quarto lugar. Mas foi sobretudo a partir daí que Dimas saltou para a ribalta do futebol nacional. Em 1954/55, a tal época em que o Belenenses ficou a um par de minutos de ser campeão nacional – golo do sportinguista Martins, no último jogo, a dar o título ao Benfica – o almadense foi uma das figuras da ponta final da Liga. Assumiu a titularidade na equipa de Fernando Riera um dia a seguir ao Natal, numa vitória por 2-1 frente ao Sporting em Alvalade, e não mais a perdeu até ao fim do campeonato. Brilhou com um bis ao Barreirense (3-0) e fez as duas assistências no jogo do título, para golos de Pérez e Matateu. O 2-1 com que o jogo caminhava para o fim chegava para o Belenenses recuperar o título nacional, mas depois veio o tal golo de Martins nas redes de José Pereira, a substituir foguetes por lágrimas. Depois desse dia 24 de Abril, nunca mais o Belenenses voltaria a ficar tão perto de ser campeão nacional.

Dimas, porém, ver-se-ia num novo patamar de fama. Uma semana depois, a 1 de Maio, estreava-se com a camisola de Portugal, ainda que tenha sido a da seleção B, que goleou uma equipa do Sarre por 6-1. Mais a sério, a 22 de Maio de 1955, esteve no onze escalado por Tavares da Silva para enfrentar a poderosa Inglaterra, nas Antas. Dimas formou linha de ataque com Matateu, José Águas, Travaços e José Pedro, naquela que ficou uma tarde histórica para o futebol português, pois foi a primeira vez que a seleção nacional ganhou à da Inglaterra (3-1), oito anos depois dos igualmente célebres 10 a zero do Jamor. Dimas só jogou mais duas vezes pela seleção nacional, ambas na época de 1955/56, na qual parecia voar pela ala direita do Belenenses. Ainda assim, os oito golos que fez nesse ano, ajudando ao terceiro lugar, foram superados pelos 14 que marcou em 1956/57, em nova terceira posição da equipa de Riera. O póquer que marcou ao Lusitano de Évora, a 9 de Dezembro de 1956, perdurou como a sua maior proeza desportiva num só jogo. Seria o canto do cisne goleador para Dimas, que até final da carreira nunca mais viria a conhecer números destes. Passou por uma temporada muito irregular, com Helenio Herrera – só 11 jogos no campeonato e apenas um deles na segunda volta – recuperando a regularidade em 1958/59, quando ao Restelo regressou Fernando Vaz, o treinador dos seus inícios.

Dimas ainda foi útil nos terceiros lugares conquistados com Fernando Vaz em 1958/59 e com Otto Glória em 1959/60. Nesta época, ainda jogou em seis das onze partidas que levaram a equipa à conquista da Taça de Portugal, mas já não esteve na final, ganha ao Sporting, por 2-1, mas com Yaúca a extremo-direito. Era um sinal. Na sua última época no Restelo, Dimas já foi pouco utilizado. Ainda fez um golo, a 23 de Outubro de 1960, na vitória sobre o Lusitano de Évora no Restelo (2-0), mas só jogou mais uma vez depois disso: despediu-se a 12 de Março de 1961, também no Restelo, num 2-1 ao Sp. Braga. Já calvo, a aparentar ser mais velho do que na verdade era, Dimas ainda voltou ao V. Setúbal para mais uma época, na qual voltaria a festejar a subida de divisão. Finda a época, porém, a saída de Fernando Vaz, que também havia regressado, levou-o a seguir por outro caminho. Ainda jogou uma época no Cova da Piedade, ali mesmo ao pé de casa, e outra na Naval 1º de Maio, na III Divisão, antes de se tornar treinador, ainda hoje recordado com saudade no Tramagal, pois esteve na base dos últimos troféus do clube ribatejano antes de ser afastado pela direção, alegadamente por quebra de disciplina de alguns jogadores.