Fez a generalidade da carreira nos escalões secundários em Portugal, mas um ano de ouro, no Feirense, levou-o ao FC Porto e a dois minutos em campo que lhe valeram um título de campeão nacional.
2016-05-02

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1970

Carioca e adepto sofredor do Flamengo, Serginho era um avançado explosivo, que no entanto não chegou a ter uma oportunidade para vingar na sua terra. Aos 20 anos já estava em Portugal, a sofrer com o frio transmontano, enquanto alinhava com a camisola do Desportivo de Chaves, nos pelados da III Divisão. Foi sempre batalhando e um período de sonho, no Feirense, permitiu-lhe assinar pelo FC Porto. Nas Antas falhou redondamente, face à enormidade da concorrência, mas os dois minutos que passou em campo chegaram-lhe para ser campeão nacional, antes de voltar a baixar na hierarquia do futebol nacional, jogando, enquanto as pernas para tal chegaram, em equipas dos escalões secundários.

Depois de uma passagem pela Portuguesa do Rio de Janeiro, o início de Serginho no futebol nacional foi amargo. Inscrito pela primeira vez no Chaves, em 1970/71, nem o facto de a equipa estar repleta de gente com experiência de I Divisão permitiu a subida à II Divisão. O brasileiro seguiu dali para Penafiel, onde esteve uma época, antes de regressar ao Brasil, para jogar no Nacional de Muriaé, em Minas Gerais. Em Chaves, porém, nunca o esqueceram e, depois de conseguirem mesmo a subida à II Divisão, chamaram-no de volta. Bem acolhido em Trás-os-Montes – ainda hoje diz que é “transmontano” – Serginho lá ficou até seguir para o Feirense, em 1975. Veio assim a participar na subida de divisão da sua nova equipa, em 1977, conseguida num longo sprint com o Estrela de Portalegre, em que as duas equipas terminaram com os mesmos pontos. À entrada para a penúltima jornada, porém, era o Estrela a equipa melhor colocada para subir, só que uma derrota no dérbi de Portalegre, contra o Portalegrense, ao mesmo tempo que o Feirense ganhava em Viseu ao Académico por 2-0, permitiu a cambalhota na tabela. No último dia, o Feirense ganhou em casa ao Caldas por 3-0 e carimbou a subida, independentemente de o Estrela de Portalegre também ter vencido o Marinhense, pelo mesmo resultado.

Assim sendo, Serginho, que já tinha sido fundamental no ano da subida, continuou a ser uma das bases da equipa que o argentino Eduardo González conduziu no regresso ao escalão principal. Fz a estreia como titular logo à primeira jornada, uma derrota em casa frente ao Sp. Braga, por 1-0, a 4 de Setembro, e marcou o primeiro golo da equipa na segunda ronda, em nova derrota, desta vez em Setúbal, por 3-1, a 10 de Setembro. Aliás, quase todos os golos do Feirense nesse campeonato tiveram a marca de Serginho: marcou 14 dos 24 conseguidos pela equipa, e juntou-lhes mais duas assistências. A lesão num jogo com o V. Guimarães, quando faltavam seis jornadas para acabar a prova, acabou com o Feirense, que até final da época perdeu todos os jogos, só marcou mais um golo e acabou o campeonato em último lugar, sendo forçado a regressar à II Divisão pela mesma porta por onde tinha entrado. Serginho, porém, teve o direito a ficar. Afinal de contas, mesmo na equipa mais fraca do campeonato, foi um dos melhores marcadores: só Gomes, Chico Gordo, Oliveira, Jordão e Joaquim Rocha tinham feito mais golos do que ele.

Serginho chegou assim às Antas para jogar num FC Porto que tinha sido campeão, interrompendo longo jejum, e que mesmo assim se reforçava com gente de peso, como Frasco, Óscar ou Costa. No ataque, havia Gomes, Oliveira, Vital, Metralha ou González. Muita gente para que Serginho pudesse afirmar-se. O brasileiro ainda foi para o banco na primeira jornada, uma vitória por 1-0 em Setúbal, mas depois desapareceu das escolhas de Pedroto, que mesmo assim ainda o colocou em campo por dois minutos, em vez de Frasco, numa vitória por 2-0 frente ao Estoril, nas Antas, a 13 de Maio de 1979. Foi o suficiente para que, finda a época lhe tenham entregue uma faixa de campeão. Mas não para lhe assegurar a continuidade no plantel: Serginho ainda fez a pré-época de 1979/80, mas em Setembro seguiu para Aveiro, onde foi vestir a camisola do Beira Mar. Ainda marcou ao Rio Ave e ao Marítimo, nos seus três primeiros jogos pelos aveirenses, mas já não conseguiu repetir a época de estreia. O tento aos madeirenses, a 21 de Outubro de 1979, acabaria por ser o último que fazia na I Divisão, da qual se despediu a 18 de Maio de 1980, jogando em vez de Cremildo nos últimos dez minutos de uma derrota contra o Sporting, em Alvalade (0-2), que deixava o Beira Mar a três pontos da linha de água. Serginho já não foi utilizado por Rodrigues Dias nas duas jornadas finais, que confirmaram a despromoção dos aveirenses, e no final da época resolveu regressar aonde tinha sido feliz: a Santa Maria da Feira, onde ajudou o Feirense a subir da terceira para a segunda divisão.

Ainda fez um campeonato (e nove golos) no segundo escalão pelo Feirense e dois no terceiro, por Ermesinde e Vilanovense, antes de se retirar. Serginho ficou radicado em Portugal, na zona do Porto, dividindo o amor clubista pelo FC Porto e pelo Flamengo. Nunca foi treinador, tendo antes enveredado pela carreira de comentador de futebol, na Rádio Placard.