Lançado ainda como adolescente nas balizas do Boavista, acabou por nunca ter continuidade no Bessa, encontrando espaço de afirmação no Penafiel, mais de uma década depois.
2016-04-27

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1969

Apareceu como prodígio das balizas numa equipa de juniores do Boavista que conseguiu afastar o FC Porto da fase final do campeonato nacional da categoria, em finais da década de 60, e aproveitou o balanço proporcionado pelo regresso dos axadrezados à I Divisão para chamar a si a atenção dos adeptos. Mas Luz acabou por não ser muito feliz no Bessa, acabando por se ver ligado sobretudo a duas equipas do vale do Sousa: o Paços de Ferreira, o clube que representou por mais tempo, ainda que sempre na II Divisão, e o Penafiel, cujas redes guardou nas épocas de estreia entre os grandes, já como guardião experiente.

Natural de Gaia, começou a gostar de ser guarda-redes no Canidelo, mas foi no Boavista que fez a ponta final da formação. Um dos esteios da equipa de juniores que se impôs ao FC Porto na Zona Norte do campeonato, ao mesmo tempo que os seniores subiam à I Divisão, não foi estranho que em 1969 estivesse no plantel que, às ordens de António Gama, começou a prova rainha do futebol português. O titular era o mais experiente Quim, mas depois de este apanhar oito golos do Benfica na Luz, António Gama, o antigo guarda-redes que dirigia os boavisteiros, resolveu apostar no miúdo, que se estreou a 9 de Novembro de 1969, num empate caseiro contra o V. Guimarães (1-1). Sofreu o primeiro golo (de Manuel) ao fim de 20 minutos, mas depois aguentou firme e nada faria prever que viesse a perder a vaga logo no jogo seguinte. Só quando Gama foi demitido, em finais do mês de Novembro, é que Luz assumiu a titularidade. E na estreia de Luis Villa brilhou, no empate caseiro contra o Sporting (0-0), uns dias antes do Natal. Aliás, até Villa ser também substituído, por Miguel Arcanjo, Luz guardou as redes no empate contra o Benfica (1-1) e na vitória (3-2) contra o FC Porto, ambas em Fevereiro, no Bessa. Acabou a época com 11 jogos na I Divisão, aos quais acrescentou mais três na Taça de Portugal (incluindo as duas derrotas com o Benfica, nos oitavos-de-final), o que faria prever uma carreira em ascenção.

E no entanto, depois das férias, com a chegada de Fernando Caiado para dirigir a equipa de de Rui Paulino como reforço para as balizas, Luz passou a ter o estatuto de terceiro guarda-redes. Depois da tal derrota em casa frente ao Benfica (2-3), a 3 de Maio de 1970, só voltou à baliza axadrezada quase dois anos depois, a 4 de Março de 1972, quando António Teixeira lhe deu uma oportunidade noutra partida da Taça de Portugal, desta vez frente ao Oriental. O Boavista ganhou por 2-1, com dois golos nos últimos três minutos, e Luz manteve o lugar no jogo seguinte, de campeonato, um empate caseiro com o Tirsense (1-1). Na jornada seguinte, porém, regressou Vítor Cabral, o titular dessa temporada, para a visita ao Benfica. Sem espaço, Luz foi por isso cedido ao Sp. Espinho, onde passou dois anos na II Divisão, o segundo dos quais coroado com a subida ao escalão principal. Voltou, dessa forma, cheio de moral ao Bessa, onde José Maria Pedroto começava a montar a sua super-equipa que espantou o país. Só que, com a concorrência de Barrigana, Botelho e Vítor Cabral, não jogou um minuto em toda a temporada, acabando por desvincular-se, como forma de encontrar o seu espaço no segundo escalão.

Luz passou então um ano no Salgueiros – para onde foi com Vítor Cabral, seu rival nas balizas do Boavista – e três no Paços de Ferreira, antes de assinar pelo Penafiel. Aí, em 1979/80, voltou a festejar uma subida de divisão, mas desta vez não deixou o clube, ficando para recolher os frutos do trabalho. Ainda viu do banco – jogou Cerqueira – a estreia dos penafidelenses na I Divisão, mas em inícios de Novembro, já com António Oliveira na posição de treinador-jogador, após uma derrota contra o Amora, assumiu a titularidade num sucesso caseiro contra o V. Setúbal. E foi ficando. Esteve nos dois empates contra o FC Porto – 2-2 nas Antas e 0-0 em Penafiel –, nos 3-0 ao Boavista que podem ter-lhe sabido a reposição de justiça, mas também no escândalo que foi a eliminação da Taça de Portugal frente aos amadores do Cabeça Gorda (derrota por 1-0 no Alentejo). E em 1981/82 fez a unanimidade entre os três treinadores que o Penafiel conheceu na mal sucedida tentativa de assegurar a manutenção (a equipa acabou a Liga em 13º lugar), falhando apenas 45 minutos em toda a época, a segunda parte de nova vitória contra o Boavista, desta vez por 1-0.

Com a descida do Penafiel, Luz passou um ano na Sanjoanense, antes de regressar à I Divisão, com a camisola do Recreio de Águeda. Ali tinha a concorrência de Tibi, mas começou a época como titular e, apesar de ter sido globalmente menos utilizado, ainda acabou por forçar o internacional a sentar-se no banco em várias ocasiões. Despediu-se da I Divisão a 19 de Fevereiro de 1984, com uma derrota em Braga, por 5-1. A descida de divisão levou-o a regressar a Paços de Ferreira, onde se manteve por mais quatro anos, antes de enveredar, ali mesmo, pela carreira de treinador. Ainda se ocupou do Marco, além de desempenhar vários cargos no Boavista, desde a formação até ao treino de guarda-redes na equipa técnica de Manuel José. Quando este saiu do Bessa, Luz seguiu para os Açores, onde também treinou e onde ainda vive.