Couceiro foi um jogador pendular, que nunca se afirmou na primeira equuipa do Sporting mas assumiu importância extraordinária como defesa-esquerdo do Sp. Covilhã. A Serra adotou-o até ao dia da sua morte.
2015-12-26

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1954

Bento Couceiro era, sobretudo, um pêndulo. Nunca conseguiu dar o salto que a sua carreira chegou a prometer, quando chegou de Tentúgal para jogar nos juniores do Sporting, no final da década de 40, mas foi um jogador regular, dos mais regulares do período áureo do Sp. Covilhã na I Divisão. Chegou a jogar uma época no Sporting, mas sem troféus. Chegou a ser chamado aos treinos da seleção nacional, mas nunca vestiu a camisola das quinas num único jogo. Restaram-lhe os mais de 100 desafios que fez no campeonato e o prazer que teve depois a ensinar futebol, pois acumulou a atividade de treinador com a de comerciante na zona serrana que o acolheu até ao fim da vida.

Chegado ao Sporting no final da década de 40, Couceiro não conseguia passar das reservas à equipa principal. Aos 20 anos, os leões decidiram empresta-lo ao Luso, do Barreiro, que na altura jogava a ainda insipiente II Divisão Nacional. Mostrou valor e regressou à casa mãe, mas mais uma vez passou o ano a jogar pela segunda equipa. O caminho era um novo empréstimo, mas desta vez um patamar acima: o jovem defesa esquerdo rumava à zona centro que o vira nascer para jogar com o verde-e-branco do Sp. Covilhã que Szabó conduzira ao sétimo lugar da tabela. Só se estreou à quarta jornada, a 3 de Outubro de 1954, e logo com uma derrota por 4-0 em Setúbal, frente ao Vitória. Szabó, porém, manteve a confiança no estreante, que continuou como titular até final da época, marcando ainda dois golos: o primeiro, ao Belenenses, não impediu uma derrota (1-2) em casa, mas o segundo, na última jornada, em recarga a um penalti que ele próprio falhara, permitiu o empate (2-2) com o FC Porto.

Já ninguém tirava a Couceiro a titularidade na esquerda da defesa e 1955/56 terá sido a sua melhor época. Jogou todas as partidas de um campeonato que os serranos acabaram num histórico quinto lugar e dessa forma assegurou o regresso ao Sporting. Em Alvalade, o júnior regressado até começou por merecer a preferência do treinador, o uruguaio Picabea, mas os leões não ganharam nenhum dos primeiros três jogos do campeonato (derrotas com a Académica e o Lusitano de Évora e empate com o Benfica), pelo que Couceiro voltou à reserva. E, finalizada a época sem que fizesse mais do que esses três jogos, regressou para ajudar o Sp. Covilhã, que entretanto caíra na II Divisão. Campeão do escalão secundário no ano de regresso, mesmo depois de ter sido apenas segundo classificado na Zona Norte, Couceiro foi depois pedra basilar no regresso dos serranos ao convívio dos grandes.

Couceiro fez nessa altura 61 jogos seguidos de campeonato (e nove na Taça de Portugal) como titular, só saindo quando se magoou, num jogo com a Académica, em finais de Novembro de 1960. Pelo caminho fez alguns golos importantes, como o que assegurou o empate (2-2) num jogo da Taça de Portugal contra o Benfica, em Maio de 1959, ou o que ajudou a derrotar o FC Porto (3-1) em Abril de 1960. Sempre de penalti, de que era cobrador exímio. Despediu-se do campeonato a 13 de Maio de 1962, numa derrota por 3-0 contra o Sporting, em Alvalade. Até final da carreira, ainda jogou no Gouveia, clube que também treinou, tal como o fez no Sp. Covilhã, no Mangualde, no Guarda e no Académico de Viseu. Foi comerciante de roupa e empresário da restauração até falecer, em Gouveia, com 81 anos.