Jogador aguerrido e lutador, era um defesa-central implacável, apesar da sua baixa estatura. Defendeu as cores de Sp. Espinho e Portimonense, mas chegou a estar na agenda do Sporting, quando para lá foi Manuel José.
2016-04-24

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1979

Seis anos na I Divisão bastaram a Balacó para se tornar uma figura emblemática do futebol português na década de 80. Não eram só o bigode farfalhudo e a farta cabeleira, a enorme tatuagem no braço direito nem a alcunha tão pitoresca ou o arreganho com que se entregava às marcações e que fazia do seu nome sinónimo de defesa-central durão. Era tudo somado. Jogador de estatura mediana e técnica abaixo dos requisitos indispensáveis, fazia da entrega e da concentração as armas que lhe valiam para se fixar como referência indiscutível de equipas do meio da tabela para cima, tendo chegado a ver entre-abertas as portas do Sporting, quando para lá foi Manuel José, um dos treinadores da sua vida.

Balacó nasceu Carlos Ribeiro, mas chamaram-lhe assim por tradição familiar que já vinha do avô. Foi junior do Desportivo da Gafanha, na Gafanha da Nazaré, perto de Aveiro, e nessa altura chegou a ir à experiência ao Sporting. Visto por Osvaldo Silva, acabou por optar pela tropa: ofereceu-se como voluntário para os pára-quedistas, em Tancos, de onde partiu para duas comissões em Moçambique e Angola. De regresso a Portugal, voltou a pensar no futebol e foi jogar para o Cartaxo, treinado por Carlos Canário, antiga glória do Sporting. E logo à primeira época subiu de divisão, ganhando a Série D da III Divisão. Além disso, foi nesse ano que descobriu uma nova função em campo: Balacó inha muita força e jogava como médio-centro, mas Canário viu-lhe condições para ser defesa-central e mandou-o recuar no terreno. Nem a baixa estatura do jogador (1,69m) o demoveu.

Finda a época da subida, porém, Balacó continuou na III Divisão. Vivia em Lisboa e passou a jogar no Oriental. Desta vez a subida não chegou à primeira tentativa mas apenas à segunda, só em 1979, quando a equipa de Marvila se impôs na Série E. Dois anos a meio da tabela na II Divisão, o primeiro no Oriental e o segundo no Benfica de Castelo Branco, sob o comando de Malta da Silva, levaram-no a um contrato com uma equipa do escalão principal. Em 1981, já com 26 anos, Balacó chegava ao Sp. Espinho, onde se impôs como titular absoluto. Estreou-se a 23 de Agosto de 1981, num empate a duas bolas no terreno da U. Leiria, e Manuel José não abdicou dele em nenhum dos 35 jogos oficiais que os espinhenses fizeram nessa época, incluindo os empates com o FC Porto (0-0 em casa) e com o Sporting (1-1, em Alvalade), que haveria de se sagrar campeão nacional nessa época. A saída de Manuel José para Guimarães, no final da época, não lhe afetou o estatuto de titular: Álvaro Carolino manteve confiança no defesa-central aveirense, que nessa época fez parte da equipa que ganhou ao Sporting em Espinho (1-0). A classificação final é que já não foi tão boa: depois do 10º lugar de 1981/82, os espinhenses acabaram em 13º e tiveram de jogar a Liguilha para assegurarem a manutenção.

Balacó quase não teve férias, porque mal acabou de jogar essa Liguilha já estava a comprometer-se com o Portimonense, clube pelo qual Manuel José tinha assinado. As promessas do clube eram muitas – e algumas, assegura o ex-jogador, ainda estão por cumprir – e Balacó rumou ao Algarve. A primeira época não foi fácil, mas mesmo com a concorrência de Simões e Freitas, dois internacionais com experiência de anos no FC Porto, Balacó acabou por ser o mais utilizado dos três, falhando apenas quatro partidas de um campeonato que o Portimonense acabou em décimo lugar. E esteve na equipa que, em Abril de 1984, ganhou em casa ao FC Porto, por 1-0. Correu-lhe melhor, ainda assim, a segunda temporada no Algarve. Não só por causa do quinto lugar final, a garantir uma presença na Taça UEFA da época seguinte, mas também porque fez os primeiros golos na I Divisão. E começou logo com dois, a 26 de Agosto de 1984, num 4-3 em casa contra o Salgueiros: Balacó bisou em dois minutos, aos 69’ e 71’, após asistências de Luís Reina e Luís Manuel. Viria a marcar mais dois golos, ao Varzim (4-0) e ao Vizela (4-1), abrindo e encerrando a sua conta goleadora na mesma época. Uma época em que nem Sporting nem Benfica foram além de um 0-0 em Portimão e no seguimento da qual, com a passagem de Manuel José para o Sporting, os jornais se encheram de notícias acerca do interesse dos leões no jogador aveirense.

Já com 30 anos, porém, Balacó acabou por ficar em Portimão, onde jogou mais dois campeonatos. Fez a estreia europeia na vitória do Potimonense sobre o Partizan (1-0), a 18 de Setembro de 1985, mas não foi capaz de fazer nada para impedir a derrota por 4-0 dos algarvios em Belgrado e a consequente eliminação da Taça UEFA. E, na época em que foi pela primeira vez expulso em jogos de I Divisão – viu dois vermelhos, um em Alvalade contra o Sporting e outro nos Barreiros contra o Marítimo – só os consequentes castigos e uma lesão grave contraída frente ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro, o impediram de jogar com mais frequência no onze montado por Vítor Oliveira. A última época, na qual sucedeu a Simões como capitão de equipa do Portimonense, foi mais atribulada, com a substituição de Vítor Oliveira pelo brasileiro Paulo Roberto, mas nela ainda participou na vitória caseira sobre o FC Porto (1-0) e no empate frente ao Benfica na Luz (1-1). A 25 de Abril de 1987, um dia depois de completar 32 anos, despediu-se da I Divisão com um empate a zero, em Chaves, que assegurava a permanência do Portimonense. Duas semanas antes tinha perdido frente ao Benfica, na Luz (derrota por 4-0) a hipótese de se apurar para a final da Taça de Portugal, que podia ter sido a coroa de glória da sua carreira.

Balacó ainda jogou mais duas épocas no Louletano e uma no Recreio de Águeda, na II Divisão, andando sempre perto dos lugares de subida mas sem nunca os alcançar. Encerrou a carreira aos 35 anos, tendo ainda feito parte da equipa técnica de Joaquim Mendes, seu antigo colega, em vários clubes algarvios. Vive atualmente em Portimão, sem qualquer relação com o futebol.