Interior com capacidade goleadora, fez durante anos as alegrias de adeptos de V. Setúbal e Belenenses. Faltaram-lhe os títulos, mas chegou perto, com duas finais da Taça de Portugal.
2016-04-23

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1943

Um dos jogadores com mais presenças e golos pelo V. Setúbal nos primórdios do futebol de I Divisão em Portugal, Nunes fez ainda duas temporadas de bom nível no Belenenses, na primeira das quais a equipa azul discutiu o título nacional, acabando por perdê-lo para o Sporting na segunda metade da época. Terminou a carreira sem títulos mas com duas presenças na final da Taça de Portugal, uma por cada clube que representou ao mais alto nível.

Nunes apareceu na I Liga com a camisola do V. Setúbal a 10 de Janeiro de 1937, lançado numa derrota contra o Benfica (1-2) pelo treinador que mais lhe marcou a carreira: Armando Martins. Não jogou muito nessa primeira época, mas ainda assim fez um golo, a 14 de Fevereiro, em nova derrota, desta feita contra o Leixões, por 5-1. Como o Vitória raramente se apurou para jogar a I Liga nas temporadas seguintes, a presença de Nunes no escalão de topo do futebol nacional só ganhou alguma consistência em 1943, quando a equipa de Armando Martins chegou à final da Taça de Portugal, afastando sucessivamente Leixões, Barreirense, FC Porto (7-0 nas meias-finais, com um golo de Nunes) até perder a final com o Benfica por 5-1, nas Salésias, a 20 de Junho de 1943. Nunes jogou essa partida como interior esquerdo.

Mesmo tendo perdido o troféu, percebia-se que aquela equipa do Vitória tinha demasiado futebol para andar perdida na II Liga. Em finais de 1943, os sadinos sucederam ao Unidos do Barreiro e ao Barreirense como representante do distrito no escalão principal. Continuando quase sempre como interior esquerdo, Nunes fez sete golos nesse campeonato, entre os quais dois bis, nos 5-3 ao V. Guimarães e nos 9-3 à Académica. O sétimo lugar final foi bem meritório, mas ainda assim melhorado para uma quinta posição em 1944/45, época na qual os sadinos chegaram às meias-finais da Taça de Portugal. Pelo caminho, Nunes fez um hat-trick, numa vitória por 7-2 frente ao V. Guimarães. O Vitória de Armando Martins firmava-se como uma das boas equipas do campeonato, só sentindo mais dificuldades quando ao seu treinador histórico sucedeu Serradas Duarte, em 1946/47. Nesse 12º lugar, porém, encontrou Nunes a sua melhor época a título pessoal, com doze golos no campeonato, que agora fazia predominantemente a partir de uma posição de interior direito.

Esses doze golos, incluindo um hat-trick à Académica, um no empate que o Vitória obteve contra o Sporting e um póquer ao Elvas, mostravam que o futebol de Nunes podia aspirar a mais. Assim sendo, em Agosto de 1947 transferiu-se para o Belenenses, que tinha sido campeão um ano antes e procurava reforçar-se. Pelos azuis, estreou-se a ganhar fora ao V. Guimarães, tendo feito os primeiros golos na baliza do seu V. Setúbal: foi a 14 de Janeiro de 1948 e os sadinos encaixaram um esclarecedor 7-1 nas Salésias. Aliás, Nunes voltou a marcar ao Vitória na segunda volta, nos Campo dos Arcos, contribuindo para manter a equipa de Alejandro Scopelli no topo da classificação. Uma derrota em Vila Real de Santo António, contra o Lusitano, motivou a ultrapassagem pelo Benfica, que porém também viria a ser superado pelo Sporting na luta pelo título. Nunes centrou atenções na Taça de Portugal, na qual ainda fez sete golos – a juntar aos nove que tinha marcado na Liga – tornando-se decisivo para a chegada à final: assistiu Matos para o único golo na vitória frente à CUF nos oitavos-de-final; marcou quatro vezes nos 8-1 à Oliveirense nos quartos e três nos 5-1 ao Barreirense, nas meias-finais. Na decisão, porém, já sem Scopelli – que entretanto tinha sido afastado pela direção – o Belenenses inclinou-se por 3-1 ante o Sporting.

A segunda época de Nunes no Belenenses foi a mais produtiva da sua carreira no campeonato, mas o Belenenses é que já não esteve tão bem. Como já não era um jovem, acabou por regressar a Setúbal, onde Armando Martins o acolheu de braços abertos. Ainda fez nove golos no campeonato de regresso – incluindo um na vitória sobre o FC Porto e outro no sucesso contra o Sporting –, no qual os sadinos chegaram a andar pelo quarto lugar, já em Março, mas caíram para décimo na tabela final. A carreira de Nunes aproximava-se do ocaso. Em 1950/51 jogou pouco, desaparecendo das escolhas do treinador em Dezembro, à entrada para a segunda volta. E após um ano de passagem pela II Divisão, regressou para a despedida. Fez o último jogo na I Divisão a 1 de Março de 1953, aos 37 anos, numa vitória por 4-3 sobre o Atlético. Exatamente um mês antes tinha feito os últimos golos, logo dois, numa vitória por 2-1 contra o Sp. Braga.

 

Nota – A falta de registos absolutamente fiáveis relativo às décadas de 30 e 40 não permite ter a certeza de que se trate do mesmo jogador desde a primeira época – 1939/40, no V. Setúbal – à última – 1952/53, no mesmo V. Setúbal. Fontes há que falam de um David Nunes na primeira passagem pelo V. Setúbal, em 1936/37 (e relativamente a esse as minhas dúvidas são maiores, pois não tenho imagens em cima das quais suportar a relação); num João Nunes entre 1939 e 1945; num António Nunes na última época em Setúbal e depois no Belenenses; e ainda num José Nunes na derradeira aparição pelos sadinos. Porém, as semelhanças fisionómicas entre as fotos das diferentes épocas e o facto de sempre que aparece um desaparece o outro, levam-me a crer que se trata do mesmo futebolista. Se alguém tiver informação a este respeito, seja para confirmar ou desmentir, agradeço que ma comunique.